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O MOLEQUE VEM COM TUDO

Sou um dos maiores jogadores de dama que conheci, a modéstia não me impede de dizer. Aprendi a jogar dama em casa, meu pai me ensinou e com 11 anos "peguei a mão" do jogo dele e no dia que ganhei a primeira, ganhei várias, algumas foram até fáceis mas né faltou modéstia; ele não tinha facilitado e eu também não entendia que nas correrias de pai ele podia não tá num bom dia; desdenhei do Velho e ele, nervoso, quebrou a dama traçada com pincel atômico num isopor de uns  40X60 cm.
Mas eu não jogava só em casa, vários colegas também jogavam e tinham dama em casa e na Barbearia de Seu Nelson, pertinho de casa, tinha vários jogos de tabuleiro onde ele deixava a gente jogar mesmo quando não ia cortar o cabelo. Além de dama, tinha ranzinza, dominó, ludo e um totoxinho onde os jogadores eram pregos na madeira e a bola era uma nica (moeda) de CR$ 0,01 ( 1 centavo de cruzeiro) .
Já rapaz dos seus 18 anos quando fui morar em Salvador, aos poucos fui perdendo a timidez e  andei disputando partidas no ninho das cobras dos dameiros no Relógio de São Pedro; eu já não me concentrava no jogo como antes mas não fazia feio não, quando virava na riúna fazia a banca. Na hora do rango na firma demore tinha uma daminha também.
Em São Paulo fiquei afastado da dama, acho que nem joguei; muitos anos depois no Sul da Bahia, fui numa ocupação do Sem Terra e lá tinha um Maro muito afamado na dama, reinava e brincava com a galera, não perdia uma. Aí, eu na minha nem intenção de jogar tava e o povo no Barracão jogando na melhor de 3; quem perde, sai. Maro era 2X0 direto até que ele disse que tava cansado de tanta facilidade, ficou tatuando e me chamou pra jogar uma rodada, topei. Facilidade quem encontrou fui eu, 2X0; vamos outra? Fui, 2X0 novamente, jogamos uma 15 partidas, ganhei todas. Maro ficou meio envergonhado e o povo danou a zuar ele.
Nesses tempos de internet antes eu jogava online nas várias regras, nivel Mestre, gostava na não é a mesma coisa. Esse ano fizemos uma dama na casa da minha mãe lá no Roçado mas meus sobrinhos não conseguiram me ganhar uma, André também não. 
Ontem ele chegou com uma dama e me desfiou na hora di almoço, só dei pra jogar 1 rodada pois tinha que voltar pro trabalho, 2X0 e lhe disse que estava sempre 3  jogadas à frente dele.  À noite, outra rodada e logo na primeira o moleque me ganhou, o menino copiou meu jogo, veio com 3 jogadas â frente também, manteve a primeira linha sem mudanças e partiu pra cima com 6 pedras agrupadas em 3 duplas e consegui fazer um corredor pra que uma sétima virasse dama; ele perderá as 6 mas ficou com a dama por trás do meu jogo, me empurrando pro paredão intacto; fui perdendo pedras no avanço até que o moleque destruiu meu jogo e ganhou. Analisando fui perceber que ele utilizará sei conhecimento de jogador de xadrez, um bloco 3 pedras ele fez tipo de pião enviesado, a pedra que virou dama ele fez um caminho de cavalo Estupefato e orgulhosao fiquei, reconheci, elogiei e descrevi o que ele haverá feito. Acelerei pra 5 jogadas na frente e ganhei as 2 partidas seguintes e virei a rodada porque o coroa aqui agora tá esperto mas sei que em poucos dias estarei passando o posto, a diferença neuronal é grande, ele é obstinado e eu sempre fui um jogador indisciplinado, sempre fui um improvisador no tabuleiro, só que sempre tive velocidade de jogo (por isso, dama melhor que xadrez) e essa é, ainda, a minha vantagem no jogo mas já estou preparado pra passar o bastão. Mas o pulo do gato inda é meu.

O TIIÚ DA LAGOA SOTERRADA

Percurano uma sombra pra bater o bandeco e tirar uma boresta encontro amigo Tiiú que de tão zangado  se retirou sem me cumprimentar esse seu velho admirador 
Bicho valente, enfrenta e vence árduas batalhas com  cascavéis pois é mandingueiro e conhece uma batata na mata que anula o veneno da peçonhenta quando ferido; no mais o cabo vira um potente chicote que vai golpeano, do chucaio pra venta não perde um açoite.
Mas, dessa vez o amigo Tiú divia de tá infezado pur causa do aterramento final da lagoa, bateram laje de entulhos, gravilhão, cascalho e pedras transformando o que já foi um  riacho que entrava e saia da lagoa rumo pra desaguar no, hoje também morto e soterrado,  Itapicuru Mirim. Só restará um canal de esgoto coberto  de concreto em cima do lago. Farão uma obra que vai dar dinheiro pros empreiteiros, cartaz pro prefeito, renda pros permissionarios e o povo da cidade acha que vai ser bom por causa que vai ter uma arena pra jogos, festas, eventos e assaltos .
Talvez nesta cidade só eu o o Tiiú achemos que sepultar a lagoa não é bom pra ninguém, em nenhuma hipótese enterram peixes, cágados d'água, girinos e tabuas.
Volto pra jornada de pião desconfiado, quase na certeza, que o réptil caatingueiro não conseguirá escapar pra algum lugar seguro pois a lagoa já tava rodeada de civilização por todos os  lados e não há corredor seguro pra ele se refugiar se mandando lá pras bandas da Pingadeira.

Estupefato! Ou A Garota que Voltou Pra Quem Já Queria Ter Voltado Pra Ela

Feliz que você apareceu
Pouco importa onde você estava
Por muito tempo te procurei
Nem imagina os lugares que passei
Eram incertos os caminhos por onde andei
Cada vez mais até eu mesmo me abandonava
Bebia, era triste, chorava 
Coração ferido pensando que te perdeu
Mas  na memória tava a certeza
De quem nunca esqueceu
Me relembrava de tudo que aconteceu
Uma esperança de, quem sabe,  poder algum dia   reviver tudo que a gente viveu

Eis que de repente
(não mais que de repente),
Chamam meu nome ao portão
Logo de cara, cogitei
Conhecer aquela  voz que escutei 
Tem horas que mesmo vendo a gente dúvida do que vê 
Me levantei, fui atender
Deixei o livreto de cordel que eu lia sobre a mesa
Estupefato!
A mais bela e grata surpresa
Era você, era você, era você 

RIO DO PEIXE - A LUTA CONTINUA

Um açude que, quando cheio, tem 3 léguas de lâmina d’água, obra do governo federal nas ações contra a seca. No tempo em que foi construído ficava entre os municípios de Jacobina e Queimadas, hoje Capim Grosso emancipado de Jacobina absorveu a maior parte da área. Nós anos 60 no maior dos povoados, o Rio do Peixe, na Cabeceira da Ponte da beira do Açude tinha uma grande feira na Vila que contava mais de 300 casas.

Nas proximidades do lago terra boa para o plantio e pra criação também, nas margens tomate, pimentão, melancia, hortaliças, pequenas irrigações. Peixe pra dar de pau! Enquanto os ribeirinhos prosperaram em minifúndios e áreas comuns pras criações, pelas bandas de Queimadas avançou com imensa violência e usura um empresário e deputado estadual, um tal de Theócrito, proprietário de uma fábrica de colchões com incentivos governamentais lá pras bandas da capital. Anexando posses e expulsando as pessoas auxiliado pela rede de poder local, estadual e federal, a força do seu mandato e as relações políticas de um partidário da ditadura militar, o dinheiro que comprou escrivães, juízes, delegados, a jagunçagem particular e policial, a engrenagem opressiva sufocou a resistência camponesa. A posse não foi retirada passivamente, homens valentes tombaram, ignoraram os perigos e a desvantagem e peitaram mas a luta sempre foi desigual, era o mundo contra aquele povo

Estive lá pela primeira vez no ano de 2000 numa reunião pra discutir a desapropriação da área, tinha mais de 500 pessoas interessadas: remanescentes que moravam próximo em Capim Grosso mas gente de Caen, Jacobina, Capela do Alto Alegre, Nova Fátima, São José, Gavião e Quixabeira. Na assembleia a minha proposta de ocupação imediata foi derrotada, a proposição da CPT através de um padre era que o certo seria seguir os caminhos legais, encaminhar documentação pro Incra e esperar o decreto.

O tempo mostrou o erro dessa decisão, nessa demora surgiram coisas escabrosas no processo, inclusive o recebimento de notificação pelo finado, certidões suspeitas e corpo mole do governo.

Depois de certo tempo o pessoal organizou um acampamento na Cabeceira da Ponte por um tempo, houve uma curta ocupação mas o resultado final foi a desmobilização.

Mas, o caso nunca foi esquecido, para algumas pessoas é questão de vida, resgatar a luta dia seus antigos e vez por outra, tem umas conversas sobre o assunto.

Estou sempre a apoiar, uma luta que também é minha.

 

 

 

 

 

 

 

 

CARNE DO SOL, BIBELÔS, FEITICHES, DESEJOS E MERCADORIAS

 Nunca fui de chancelar as datas comemorativas que os niguciantes fazem pressão pra tomar o pouco dinheiro do cristão e do ateu; são muitas datas pra inventar motivo de vender mercadorias em firmas de presentes. Em alguma sofro pressão maior porque envolve com a filhos e destruir fantasias de criança é complicado, internet, a televisão, os parentes, a escola, a galera,  o modismo... São muitos os aliados que  o mercado tem nessa hora. Então, aniversários, páscoa, natal e dia das crianças me corta o coração cumprir o dolorido dever de dizer não; em alguns eu me calo e faço de alguma necessidade um motivo pra escanear a discussão e "presenteio".
Hoje, meu Tingulinho pediu farofa de ovo com toicinho no café da manhã e, no mal costume de comer falando, confessou estar com saudades daquelas farofas refogadas de carne do sol  com toicinho. Expliquei sobre o exorbitante e proibitivo preço da carne do sol, amo passado, a muito custo, comíamos de R$ 22,00 o quilo, hoje está de R$ 40,00 e que por isso eu havia parado de comprar pois hoje eu ganho menos dinheiro do que quando a carne custava menos.
Ele foi indagando e mudou o papo pro dia das crianças, expliquei que  a situação difícil da classe trabalhadora, a qual nós pertencemos não possibilita presentear com mimos w bibelôs nesse momento e que, também, eu, o pai, enquanto sujeito, não sigo essa correia de transmissão capitalista de vender mercadorias aproveitando fetiches que ela cria para se parecem tradição inquestionável. Debate de lá, debate de cá, determinei um consenso:
- Tá bom! Esse ano vou te presentear com 01 kg de carne do sol, 2 pelos, chã de dentro, oficial e ligítima; um pedaço cortado de uma manta traseira, daquelas que toma sereno e foi abanada com palha de licuri pras moscas não sentarem e mais meia libra de toicinho de porco
Aí, eu pego o presente e frito, no capricho, refogo nis temperos pra gente comer com uma farofa d'água.
E viva as crianças, viva o direito de comer carne do sol.

MACHUCAR FEIJÃO NESSA VIDA JÁ TÃO MACHUCADA

Este utensílio se chama machucador de feijão feito de madeira lavrada e pode também ser improvisado com uma garrafa de vidro. Esta ferramenta voltou a ter grande serventia na casa do pobre pois feijão duro é mais barato e também demora mais de cozinhar, mesmo na pressão. E com o preço do gás proibitivo pra maioria, o negócio é carvão ou lenha pra amolecer a caroceira de legumes.
Quando o feijão tiver começado a amolecer é a hora em que o machucador entra em cena. Sem tirar a panela do fogo, vai macerando e girando o cabo do trem. Dar, meio, uma esbagaçada no cozinhado para ajudar no cozimento pra pegar o tempero e engrossar o caldo.
Se aparecer feijão mais duro, o negócio é usar um parente mais radical do machucador, o cortador de feijão que pode ser feito adaptando esse tipo de machucador com a colocação de pregos. Existem modelos já prontos feitos com pedaços de zinco recortados e tem o tradicional aqui da região, feito de hélices de madeira de umburana de cambão ou pau de leite fixadas numa gaste de madeira.
Bom mesmo é feijão novo, orgânico que chega a derreter na boca e vira papa se demorar no fogo mas, o corpo padece de sustança e o feijão é uma fonte fundamental de energia calórica, seu ferro nos fortalece; aí lado do arroz, da farinha formam o trio mais requisitado nas cozinhas desse sertão da Bahia. Meu preferido é o de arranca, não o catioca mas bage roxa, mulatinho, rosinha, casimira sai mais saborosos. Meu Tingulinho parece sertanejo mais de cima, adora o feijão de corda; eu gosto de troperar, mas, todo dia no almoço  pra mim é castigo. A não ser se for no baião de 2, minha janta preferida .

OLHAR DE PÁSSARO LUNAR

Os pássaros da lua (Les oiseaux de lune) é uma peça do dramaturgo francês Marcel Aymé, estreada em 1955 por André Barack no Théâtre de l'Atelier em Paris.

Um mundo humano miserável e sem alegria, egoísmo,  malícia, ganância, avareza, prazer, instinto descontrolado, mentira e ciúme caracterizam uma vida desagradável pontuada pela rebeldia, estupidez e instinto cruel e vida dissoluta.

Nessa semi existência semi a tentativa de  transformar a humanidade em pássaros numa "operação espiritual", sem truques, que não sujeita quem se transforma a uma maldição maligna e os libera à felicidade e, na lua nova, os pássaros,  lunares, se tornam, novamente humanos, testemunhas do estágio  superior  pois, enxergando com o olhar  de pássaro , do alto, podem ver o essencial .

 

A CAVERNA, A ALEGORIA, O MITO E A GNOSE

No livro “A REPÚBLICA” uma das passagens  mais conhecidas é a “Alegoria da Caverna” também conhecida como “O Mito da Caverna”, nesta metáfora Platão discute a gnoseologia, como é possível captar o existir através dos sentidos e da razão, adentar-se no mundo sensível e no inteligível. Muito mais Alegoria do que Mito, esta é uma das passagens mais importantes da Filosofia
Desde o nascimento, pessoas vivem acorrentadas dentro de uma caverna iluminada pela luz de uma fogueira, olhando para a parede do fundo onde sombras de estátuas representando pessoas, animais, plantas e objetos, mostrando cenas e situações do dia a dia são projetadas. Esses prisioneiros nomeiam as imagens (sombras), analisam e julgam as ocorrências
   Platão discute que, caso algum dos prisioneiros saísse das correntes e explorasse a caverna e o mundo exterior, o contato com o real o mostraria ter passado a vida julgando e analisando sombras de estátuas. Então ficaria deslumbrado com as coisas de verdade e, ao voltar para a caverna, tentaria passar pros companheiros de cárcere, seu aprendizado liberto das correntes.
   Isso, provavelmente, o faria ridículo frente aos seus pares que, somente acreditariam na realidade da parede iluminada, na caverna; seria tido como louco, e ameaçado à morte caso continuasses com aquelas ideias esquisitas.
Os humanos enxergam o mundo de forma distorcida, são os prisioneiros do Mito, presos à vida que levam. O mundo é a caverna, apresenta o que não representa o real. Sem libertar-se das correntes, sem sair dela (a caverna), permanecem alheios à realidade

LIÇÕES DA REZADEIRA

Se um remédio pra verme e piolho derrotasse o corona, D. Maria Rezadeira disse que pra verme, caroço de abóbora girimun e pílula de babosa é melhor que qualquer um que teha na farmácia e, pra pioho, o  sumo de quarana ou do melão verdoso, não tem igual.
A diferença é que a D. Maria, que já tem 90 anos de sabedoria Quilombola que lhe passou sua mãe, não recebe propina da indústria farmaceutica que nem os ivermectineers e só receita suas indicações pra quem tem verme ou piolho, com o covid, ela se previne usando máscara, lavando as mãos, mantendo distância dos outros e ficando em casa.
Ela diz que reza, pra pessoa não perder a fé mas não é cientista e, os caboclos dela, quando inventaram os remédios do mato, não existia nem essa doença  nem as pesquisas científicas.

MEMORIAS DO FUTEBOL CALMONENSE

Fui morar lá em 76 (Miguel Calmon - BA) e naquele ano mesmo  meu pai colocou um time no campeonato local, chamado Mississipi, pena que no campeonato seguinte o time já havia encerrado as atividades. Mas, os  maiores talentos futebolísticos da cidade no final dos 70 foram revelações do Mississipi: Galego de seu Dentinho do Correio;  Anjo Grilo, Geo Pelé, Gilmar Goleiro, Fabuá, Tonho do Rato, Messias. 
A seleção local fez uma histórica campanha no Intermunicipal de 1968, sendo vice-campeã e muitos atletas daquela geração ainda jogavam:Canarinho, Neguinho, os 2 do Mucambo dos Negros que jogavam pelo Farense de lá; Aliiomar, craque que era centroavante do Mississipi; Canoa, um goleiro que tinha uma perna arqueada;   Binha, meu vizinho um volante qque era parecido fisicamente com Falcão e jogava com elegância;  Jaracaca, um ponta ultra rápido de quem fui seu auxiliar de rádio técnico em 81.
Seu Miguel marcava o campo todo domingo às 5 da manhã; eu morando perto do campo quando não ia pra feira do França eu ajudava-o em troca de entrada grátis nos jogos com entrada pelo portão dos atletas; inda fazia uma gandulagem e batia uma bolinha na beira do campo durante o intervalo.
Hasb

COMPANHEIRO SOPA

Nascido e criado no sertão baiano, parte norte  da Chapada Diamantina, nunca fui o que se pode considerar como  um folião; meu pai e meus tios eram, animados foliões dos carnavais das antigas daqueles que usavam mortalha no meio da multidão e frequentavam os bailes de salão nas madrugadas momescas dos clubes.

Até os 11 morei numa pequenina cidadezinha que tinha carnaval de salão no único clube da cidade, o 15 de Novembro com matinal e matiné para as crianças   no sábado e no domingo e os bailes da gente crescida nas noites carnavalesca. Trio elétrico fui ver ao vivo aos 12 anos quando se iniciava a movimentação  que deu na Axé music e até os 15 ia atrás dos trios e pulava os muros dos clubes para ver os shows .

Apartir  de 1986, já morando em Itaberaba conheci  Salvador,  a capital  do estado. Passei a ir pra lá com frequência  e em 88 fui tentar a vida por lá  e este período de seu justamente na época que o Olodum e a música afro assumiram o destaque no Carnaval baiano. Neste primeiro ano, quase todos os domingos no final da tarde, lá estava eu no Largo do Pelourinho acompanhando os ensaios do Olodum; frequentei alguns eventos no Ylê Auê,  Malê de Balê e do Muzenza; estive no Carnaval de rua, meu começo se deu pelo antigo reduto de concentração da “esquerda festiva “, no Clube de Engenharia e nos becos e vielas do 2 de Julho.

No meu segundo ano em Salvador,  como torcedor  do Bahia e encantado com o calor da sua torcida,  eu morava numa República estudantil a menos 15 de  minutos de caminhada da Fonte Nova e trabalhava na Ladeira da Fonte em frente ao estádio, foi tudo intenso e,   enjoado das farras no início de 89, resolvi passar o período carnavalesco no interior,  em Jacobina.

Ao voltar  fiquei sabendo de um fato que muito me impactou e me deixaria registrado um desgosto com relação ao carnaval. Quando fui morar em Salvador, fui estimulado e apoiado por amigos pequeno burgueses,  gente com faculdade pronta sem inserção  na periferia e eu  já tinha construído  conhecimento com soteropolitanos, principalmente entre a juventude que militava em torno da oposição gráfica e, nessa turma tinha o companheiro Sérgio, Serginho, o Sopa, militante  do Movimento de Defesa dos Favelados   e morador de Nova Alagados;  foi ele quem me mostrou a Salvador Suburbana, o povoado  das palafitas que eu sabia através dos relatos do meu pai de quando elemorou com a minha vó  nas invasões do Uruguai entre o final dos anos 50 e início dos 60. Sopa era um   jovem sonhador, parceiro, amigo, gente boa,  um grande coração. Tínhamos a militância e conversávamos muito, criticamente, sobre os rumos daquela luta,  as posturas vacilantes das “direções “,  falávamos de músicas, coisas, lugares, marcavam  presença nas festas de largo, pinotar nos ônibus, pular o muro da estação de trem e tomar muita cachaça juntos.

Num dia do Carnaval de 1989, Sopa com seus 20 e pouquíssimos anos, descendo na Pipoca da Castro Alves, rolou uma confusão e ele é  empurrado sobre a caixa de isopor de um vendedor de cervejas estúpido que, ante sua impossibilidade de arcar com aquele prejuízo financeiro, lhe desferiu uma garrafa, quebrada  na jugular. Fatal, morte instantânea,  seu corpo, recolhido ao IML, passou uns 3 dias como indigente até ser encontrado e identificado pelos amigos da Quebrada.

Uma morte banal numa madrugada de Carnaval ceifou uma vida de sonhos, um futuro foi negado  aquele menino nascido na insalubridade das palafitas, criado na necessidade e na falta das coisas, que contrariou as estatísticas aprendeu a ler, escrever e tomou consciência  da vida. Era sabedor de que pra melhorar sua comunidade seria preciso mudar a cidade, o estado, o país  e o mundo. Morreu sabendo que essas mudanças passavam pela cabeça das pessoas,  combatia a estupidez e por ela foi morto.

Desde então,  Carnaval me lembra estupidez, eu próprio, quando frequentava, muitas vezes  briguei atrás do trio, sozinho  ou de galera; sair na mão  com “puliça” desarmado, já me foi prazeroso mas, desde aquele carnaval de 89, a folia momesca me é  indiferente a, perdeu a graça

Lembro da última  vez que nos vimos, rapidamente, na estação  da Lapa, eu subindo as escadarias do Central e ele descendo as mesmas escadarias vindo da Barroquinha pra pegar um ônibus  pra Plataforma  no seu suburbio Ferroviário.

Aquele ultimo e efusivo sorriso de alegria visto pela ultima vez, ficou retido na minha lembrança.

COMPANHEIRO  SOPA, PRESENTE!!!!

SEMPRE

 

BAILE NA QUEBRADA: TÁ TUDO DOMINADO.

Baile na Quebrada?

Nesses tempos de Covid, significa aglomerações, terreno fértil para a proliferação do vírus.

Mas, além da incoerência conjuntural, um baile na Favela tem o significado do completo domínio da Quebrada pelo crime organizado e o desorganizado. O mais famoso nas terras paulista é o baile da 17, em Paraisópolis, uma Quebrada encravada no Bairro do Morumbi, próximo ao Real Parque, outra grande favela encravada no luxuoso bairro do Morumbi, sede do governo estadual  na capital paulista. Não muito distante do Complexos do Jardim Ângela, Jardim São Luís, Campo Limpo e Capão Redondo, Pirajussara, zona sul   e berços do rap na cidade. Morei, tramoei e frequentei essa região nós anos 90 e retornei para morar em 2018.

Outro famoso é o da 27 de Novembro, na Zona Leste, rua que começa em Artur Alvim, adentra pelo vale da Gamelinha e termina na Avenida Itaquera nas imediações da Vila Nhocunhé. Morei nessa região em 2016 e 18 e minha irmã mora a mais de 20 anos por ali.

A música que rola é o funk batidão, derivado do carioca, mas o som dos paulistas tem peculiaridades próprias e a dinâmica dos bailes também.

Sem saber o que seja uma biqueira, o papel do campana e o que venha a ser o "irmão" da área, impossível analisar em sua totalidade para separar a visão discriminatória que a "cidade de bem" faz dos bailes e a "romantização" promovida pela "gente boa" que não frequenta bem mora nestas comunidades.

A biqueira é o ponto de venda de drogas, o campanha é o olheiro que fica na vigilância para avisar sobre a chegada da polícia e para dar pressão nos usuários vacilões. O gerente administra a biqueira e o "irmão" é o diretor regional do crime designado pela facção que domina a ilicitude. Arrego é o pró labore pago para que as polícias ( civil e militar) não incomodem o negócio; quando essa contribuição atrasa, ocorrem as batidas policiais, apreensões de drogas, dinheiro e funcionários da narco atividade. 

A experiência de morador dessas áreas me fez constatar que no início dos anos 90 a maconha perdeu o posto de produto mais vendido para o crack que chegou de forma fulminante e alavancou a construção do poderio da facção. Hoje embora ainda venda maconha, crack e lança perfume, os pinos de cocaína são os produtos de maior sucesso comercial. A exploração de caça níqueis pelo pequeno comércio mediante comissão pra "firma" também tem a sua importância econômica.

E os bailes? Não ocorrem nem ocorreriam sem a anuência da direção criminosa e possibilita o empreendedorismo local. Butecos, barracas de capeta e de lanches e as mais diversas virações da comunidade dependem desses bailes para garantir o sustento de muita gente embora os transtornos que estás aglomerações provocam sejam um tormento para os moradores; o barulho em elevados decibéis, a movimentação de veículos e pessoas, as tretas e sua um monte de chateações são relevadas ou silenciadas pela ostentação do poderio da traficância.

No quesito da alienação, os bailes cumprem a sua função de auxílio à manutenção da sujeição ideológica da imensa massa de moradores aos interesse da dominação de classe. Os jovens são cooptados desde cedo com essa movimentação na porta de casa e o conteúdo das letras reproduz o machismo, a ignorância e a opressão, educando, dessa forma, a juventude para a vida anestesiada e sem consciência de classe com um pseudo pertencimento. E é isso, ao meu ver, a que exalta a utilização de uma jovem negra, pobre, criada  numa casa cheia de irmãos uma faxineira mãe solteira para vender a meritocracia esportiva com o verniz da superação de forma que a vida na Quebrada é apresentada como lúdica e que o capital possibilita a inclusão de todos. 

O orgulho de favelado que já foi elemento de contratação hoje vira um estímulo a integração social ao tempo que o negócio baile vai perdendo o estigma e, dessa forma, a" firma" possa a continuar expandindo seu domínio territorial assim como aumentando a sua lucratividade.

 

JESSE OWENS A CORRIDA CONTRA O RACISMO E O NAZISMO

Em época de olimpíadas sempre se fala em Jesse Owens que, em 36 na nazificada Berlim levou 4 ouros: nos 100 e 200 metros rasos, no salto em distância e no revezamento 4 x 100 metros. Sua vitória muito desagradou o fuher, pois, as vitórias do negro faziam ruir, no atletismo, o discurso da supremacia ariana.

Aquela altura, JC tinha 23 anos de idade e faziam 9 que ele, caçula de 10 irmãos, e neto de escravos havia, junto com sua família migrado para o Ohio numa marcha de mais de 1,5 milhão de pessoas que fugiram da segregação sulista do Alabama. Enquanto estudava numa escola mista trabalhava como engraxate para ajudar nas despesas de casa e em 1930 começou a  se dedicar ao atletismo mas, embora tenha disputado as seletivas para os jogos de Los Angeles em 32 não se classificou. Em 33, disputou 79 provas e venceu 75 o que lhe possibilitou uma bolsa na Universidade Estadual do Ohio; trabalhava como ascensorista estudava no elevador. Não podia dormir nos alojamentos da Universidade pois não aceitavam negros por lá então dividia o aluguel com outros colegas e fazia sua própria comida pois no refeitório da Universidade não serviam negros.

Após os jogos Jesse passou a fazer apresentações para se manter e foi expulso da Associação de Atletas acusado de ter se tornado profissional, o que não era admitido. Foi monitor de criança, frentista e até abriu uma lavanderia. Nos anos 50 trabalhou para o departamento de Estado como Embaixador da Guerra Fria promovendo o atletismo.

Na volta pra casa, depois de ser homenageado pelas ruas com chuva de papel picado pelas ruas de NY,  foi obrigados usar o elevador de serviços no  Waldorf Astoria, onde seria homenageado.

Somente no final da sua vida veio a admitir ter sido vítima de preconceitos e discriminação racial quando declarou que sua maior vitória não fora ter  enfrentado o nazismo e, sim, ter abalado o sistema de discriminação racial nos Estados Unidos. Mas só veio a admitir  ter sido vítima de racismo no final da vida . Não marchou com o pastor King e, na Cidade do México nos jogos de 68 condenou o protesto de Tommie Smith e John Carlos que ergueram os punhos cerrados em alusão a luta dos Panteras Negras, fato pelo qual se retratou e pediu desculpas públicas.

Morreu em 1980 decorrente de complicações pulmonares.

TERROR DE INVERNO, PESSOAS MORREM DE FRIO PELAS RUAS DE SP

Ouvi a notícia de que um homen que morava na rua morreu de frio no Parque D. Pedro em SP. Isto me trouxe á memória uma madrugada do inverno de 1994 quando eu era vigia noturno num prédio da Baixada do Glicério, há uns 200 metros do D Pedro.
Aquela é uma região de várzeas do rio Tamanduateí  a caminho da confluência com o Tietê, então, em tempos de frio, além das baixas temperaturas do ar, a umidade várzea aterrada subterrânea das vias, ruas e calçadas torna a região muita mais fria ainda.
Um dia, por volta de 1 hora da manhã, de dentro da portaria percebi que tinha alguém de calça, camisa de mangas e chinelo na porta do prédio que se agarrava ao poste; imediatamente sai pra saber e um homem negro, um pouco mais alto que eu tremia o corpo todo. Tirei meu jaco e lhe passei, tive que ajudá-lo a vestir pois seus braços não esticava, endurecidos estavam, a rua do Glicério estava deserta, enquanto consegui colocá-lo na marquise do açougue vizinho corri pro orelhão e liguei pro 192 e pro 190 pedindo ajuda praquele homem em hipotermia e foi doloroso a espera e as tentativas. Uma noite de terror, eu me  revezava entre conversar com ele que mal tinha forças para pronunciar respostas monossilábica e correndo pro orelhão para cobrar o socorro quando chegou a ambulância já eram 4 e pouca da manhã. O levaram e, dias depois, soube pela galera que ele não havia resistido e morreu.
Isto me causou uma grande tristeza,  não me perdoei por não tê-lo colocado para dentro do prédio desafiando as ordens do sindico e do zelador que, avisados na madrugada, além de não descerem pra ajudar, me proibiram de adentrar o condomínio com o homem pois aquilo era muito comum na região. Eu tinha 23 anos, me faltou uma atitude mais incisiva e desafiadora e,  ao obedecê-los também me considero cúmplice daquela morte.
Eu deveria, poderia ter lutado mais pra evitar aquilo, ter esquecido das responsabilidades condominiais.

DESPERTAR DE INVERNO

Hoje despertei 4 horas, garoa fina, invernada. Minhas melhores lembranças e sensações em Jacobina remetem ao inverno, não sei se porque o sol escalda o lombo dos gentios quase que sempre, no quando inverna a gente tem umas fugas térmicas muito prazerosas.
Como aqui, estamos na transição entre a grota e o chamado sertão que destampa por cima do Tombador e se alarga pros lados de Irecê e rompe procurando a beira do São Francisco.
Mesmo quando pegava frete com carrinho de mão na feira quando tinha 11 anos, sair 5 horas da manhã pro mercado era melhor que no tempo seco. A melhor invernada que eu passei por aqui foi em 2003, morava nos Pilões, na beira das garotas do Barrocão, vizinho da Chapada de frutas e serras entre Jacobina, Mirangaba, Caén e Saúde, chegamos a passar 3 semanas sem ver o sol limpar roça era trocar mato de lugar pois nascia tudo novamente; a roupa de trabaià secava de fumeiro em cima do fogão de lenha, a babugem subindo, o rio descendo, tudo verde....
Continua chovendo, 3 horas depois, já tomei a garrafa de café que fiz; farei um chá de canela pra calibrar e sair pra ganhar o dia; meu Tingulinho, de 11 anos dorme o sono das crianças mas  deu uma acordada lá pelas 5 horas e perguntou se tava chovendo, olhou pela janela ( a do nosso quarto dorme aberta ) a chuva, pediu um copo d'água ( " na humildade") e mais uma coberta.
Nasci, moro e honro esse sertão mas isso não me fez preferir o inverno e me orgulho de 5 minutos de neve no currículo de pião de trecho, em Curitiba  julho de 2013, justamente no início do dia da noite em que entrei pra universidade. Meu outro garoto, 8 anos, em Curitiba, minha maior saudade, grande e doida saudade. Comer pião cozido ou assado, caminhas na grama coberta de névoa e sentir a temperatura negativada em Celsius, foram 4 invernos por lá. O verão de lá, pior do que o daqui, mais quente, mais seco e num venta que nem Jacobina; inverno lá, verão aqui, mas num tano lá, aqui quando tem inverno, é bom demais.

CLARA DOS ANJOS, a literatura militante de Lima Barreto

Lima Barreto em seu romance Clara dos Anjos retrata assuntos delicados como o preconceito racial, a obrigação social do casamento e o papel das mulheres na sociedade fluminense durante o princípio do século XX.
Clara dos Anjos foi o último livro escrito por Lima Barreto. O trabalho foi concluído em 1922, ano da morte do autor. O romance que carrega como título o nome da protagonista foi lançado apenas postumamente, em 1948.
Em termos literários, a obra pertence ao pré-romantismo.
Lima Barreto foi, sobretudo, um militante em defesa da gente "mulata", da sua gente, dos negros suburbanos da, então, capital da República. Denunciou aqueles que historicamente sempre se favoreceram da condição subjugada dos negros.
E sua arma era um extraordinário conhecimento literário e político com os quais ele não arredava do seu radicalismo.
Esse Romance é uma visceral denúncia da discriminação racial com a conivência social das instituições e da "opinião pública". O li quando tinha uns 13 anos, me marcou profundamente o destino de Clara, iludida e abandonada por um branco protegido pela sua situação de classe.
Um romancista de qualidade, meu predileto entre os contistas

CRIME E CASTIGO DE FIODOR DOSTOIEVSKY

Um dos romances mais impactantes na história da literatura mundial, escrito por um, podemos considerar, pré psicodélico
Crime e Castigo é um daqueles romances universais que, concebidos no decorrer do romântico século XIX, abriram caminhos ao trágico realismo literário dos tempos modernos. Contando nele a soturna história de um assassino em busca de redenção e ressurreição espiritual, Dostoiévski chegou a explorar, como nenhum outro escritor de sua época, as mais diversas facetas da psicologia humana sujeita a abalos e distorções e, desse modo, criou uma obra de imenso valor artístico, merecidamente cultuada em todas as partes do mundo. O fascinante efeito que produz a leitura de Crime e castigo — angústia, revolta e compaixão renovadas a cada página com um desenlace aliviador — poderia ser comparado à catarse dos monumentais dramas gregos

Fé, Swing, Votos e Morte - Um conto familiar pelos bons costumes

Que flor deslize para ser apedrejada
Sofrer tão cruel castigo?
Matou o parceiro trapaceiro e amigo
Fingiu seu amor
Pra fazer o casal 
Titulou de pastor
Um bucado de filho pra ser pai
Altos love em Dubai
Swing até de manhã
Domingo antes do culto
Ver o Flamengo no Maracanã
O filho comia a mãe,
O pai comia a irmã 
Família toda devota
Na sacanagem feliz
Comandando com a xoxota
Lá estava Fodí Liz
Aquela carinha safada
De quem gosta da putaria
Acabou virando deputada
 Federalizou a orgia
Comandada pela pastora
Uma das mais afamadas
Na bancada conservadora
Mais o pastor se insurgiu
Flor passou a trepar
Com pessoas mais importantes
A relação ficou abalada
Os 2 ficando distantes
Ele a acusava
De colecionar mais amantes
Ela disse fuleiro
Tome vergonha na cara
Quem lhe sustenta é meu dinheiro 
E bom ficar esperto
Deixe de se assanhar
Saia logo de perto
Senão te mando matar.
Assim mesmo ela cumpriu
Coligada com os filhos
O conjo tinha saído dos trilhos
Botara as unhas de fora
Foi o fim do pastor
No inferno tá agora.
A Muié tá em Brasília
Na Câmara dos deputados
Defendendo nossa família
Pensando que somos bobos
Brasil acima de tudo
Deus acima de todos.

A ilustração se chama A Meretriz da Babilônia, na Briba representa a falsa religião e tá no Livro de Apocalipse, cap. 17 e 18

O PRINCÍPIO DO CONCEITO ( breve comentário sobre A REPÚBLICA LIVRO 1 )

"DESCI ONTEM AO PIREU"


A República ( diálogo político) mesmo em Platão abrangia todas as outras questões e o longo discurso trata de vários temas que se misturam, embora seja muito divulgado que trate principalmente sobre educação. São 10 livros que tem Sócrates como o principal interlocutor das idéias do autor e seu diálogo com Céfalus discute sobre a felicidade, daí o enigma: ganhar dinheiro faz a vida boa ou a justiça é a finalidade da vida e precede o dinheiro.O fio condutor de toda a República nasce daí, o que é justiça e o definir o que lá seja isso apresenta inúmeras dificuldades; Cefálus diz que justo é dar a cada um o que o pertence; Sócrates retruca e O rico comerciante retira-se da discussão e passa pro herdeiro Polimarco que diz que justiça é fazer bem aos amigos e mal aos inimigos, o Mestre retruca,prejudicar é incompatível com a idéia de justiça.
Depois vem Trasímaco, irritadinho, um sofista e dia que a justiça é a conveniência do mais forte, não se relaciona com bem ou mal e sim com a conveniência do mais forte, mestre Pondera e Trasímaco acrescenta que a máxima injustiça é ser injusto e parecer justo.
Bom, são 10 livros e faz tempo que li.



MINHA LEIRA TÁ VAZIA



No sertão da BA a terra é propícia ao plantio da erva bacana, não fosse o risco do xilindró, maluco de responsa poderia ter a sua plantinha no quintal e curtir seu chazinho de boa, natural, orgânico e de impacto ambiental irrelevante
Mas, não, a galera tem que ser refém de traficante ou isca pra gambé, vira piabinha entre o mar e o rochedo.

O caso é que estão cobrando 10 conto num produto prensado, duvidoso, oriundo do Paraguai, a maior parte é porcaria e 10 conto só gera um finólio e, olhe lá.

Traficante tá arrochando os malucos pra financiar toda a cadeia de propinas, Se eu quisesse me intoxicar de agrotóxicos, o governo liberou um monte mas. como eu gosto de fazer uma fumacinha estou sendo achacado nas biqueiras, ameaçado pelo Estado, monitorado pelos corujões caguetas e excomungado pelos reacionários.
Ainda vem com esse papo de feliz natal, próspero ano novo, como? Se muito louco eu já não curto essas hipocrisias, imagine de cara; Pois não tenho condições de financiar esse círculo vicioso.
LIBERDADE EM MEU QUINTAL
PRA PLANTAR O NATURAL

FIM DA JORNADA

Pensamento esvai-se feito fumaça  A palavra destilada na cachaça  A doenceira cruel e fulminante  Sorrateira, que tudo varre  num instante  ...