INDICATIVA
A REDE DO FAQUIR
O RISO DO REPENTISTA
Que tem nervos de aço
Pra divertir no trem
Não vendeu, não tem
Tá posto o embaraço
E nas terras alheia
Ninguém é de ninguém
Quem trabalha não passeia
No cabo do chicote
Na costura da correia
Ou se foge no galope
Ou vai apanhar de peia
Repente embolador
É de couro o tamborete
A matraca de Papete
É de Mina o Tambor
E não vai perder o bote
Água fria vem pote
A viola é no aço
A pisada marca o passo
Sem remarcar o lote
Sem consultar a lista
Pra alegria do palhaço
É só mandar o mote
Pra rima do repentista
2 DE EMBOLADA
— Que coco tem?
— De imbolada
— Imbola quem?
— Eu e a nega
— Isso num chega?
—Tá pouco ainda
— Quero imbolá
— Seja benvinda
— Cadê o coco?
— Na imbolada
— Pra embalá
— Eu e você
— Só quero é vê
— Tu me dizê
— Pra onde vai?
— O entra e sai
— Desse chamego
— É que teu nego
— Num toma jeito?
— Tá c’um vontade
— E a liberdade?
— Se faz agora
— A gente tora
— Essa corrente
— Q’ainda prende
—Nosso pescoço
— Lá vem o coco
— Deixa imbolá
—Vamos pra cama
— Se embalá
— Diz que me ama
— Sou de amar
HASB, SSA, 1991
REPENTINO
no traquejo derna de minino
esse aqui, nordestino
é um pernambucano de sorte
caba que venceu a mortefugino pa bahianum tivesse currido, morriaquando viero, já sabiaantes de raiar do diatinha arranjado suportena cintura, faca pra cortedo tutano ao taninoo meu nome é RepentinoRepentino faz repentefala das coisas que sentee fruvia na sua cabeçaescreve antes que esqueçapra publicar no cordelas coisas do seu mundelfilho da Pró Isabelcoordenação motora no papelque nem a aranha, teçafaça por onde mereçaquem cala, consentepor isso digo: oxente!
CANTO DE IMPROVISO
Alguém já estando no meu pensamento
De sorriso aberto eu imaginava
Ensaiava o jeito esperando o momento
Chega logo caminhão
Me espera meu bem querer
Dispara meu coração
Tenho sonhado com quem quero ver
Tá no caderno escrito
Pra ver se ela acredita
Seu cabelo é vermelho
Está sempre bonita
Nem precisa espelho
Canto de improviso
Tenho mais que preciso
Já me basta o apreço
Nem sei se mereço
Tô pro que der ou vier
Onde ela quiser
Será nosso endereço
CUMBIA DO NORTE
Quibe não faz mais na pastelaria
Aquela casa agora é uma selaria
Na arte do couro do Mestre Prizia
A saudade mata, não tem garantia
Tiro meu sustento lá na olaria
Amassar o barro esse é o meu forte
Sábado de manhã no Beco da Morte
Todos vão tentar seja azar ou sorte.
Cachaça na mente é meio de transporte
Trago esse brado da cumbia do norte
Tudo é ilusão, muita alegoria
Encare de frente, tire a fantasia
Enfrentar o medo, abaixo a tirania
Fazer diferente o raiar do dia
Derrubar o reino vil da burguesia
BATICUM DAS DORES
Debaixo do sol quente
A cacimba vazia
A fome ao nascer do dia
Sem piedade batia
A riqueza pros senhores
Na boca amargos sabores
Ilusões expostas em cores
No engenho da engrenagem
A opacidade da imagem
No circo dos horrores
O sertão retratado
Na tela do couro espichado
Matéria-prima dos tambores
No baticum das dores
O MININO REBELDE DE VÓ
Sou neto de vó,
Dona Nega
Cala-boca ne mim
Não chega!
Já morreu
E somente depois, nasceu
O menino rebelde de vó
Com orgulho, sou eu
Esquento o couro pro catimbó
No Terreiro de Dona Duminga
De onde vem a raiz
Aprendeno fazer mandinga
Assuntano o que Véia diz
Fecha o corpo desse minino
Contra faca, bala e mau olhado
Ensina os pontos do facão
Indoça as beiradas do seu coração
Alerta da traição
Não deixa fugir a razão
Faz ele dançar no Terreiro
Fecha o corpo desde minino
Manda cumprir seu destino
De ter nascido guerreiro
De nada terá medo não
Dentro seu patuá
A força do revoltar
Fará rivulução
PONTO FINAL
A FAVELA VENCEU
Que o sol quente cultiva
Uma companheira antiga
De infortúnio sertanejo
Precisa ter molejo
Em suportar o desgosto
De topar com a urtiga
Que não dá encosto
Nem sombra
Não se deixa tocar
A coceira é uma lombra
Traiçoeira e infeliz
Que nem trair, é só começar
Como o ditado diz
A experiência é horrível
O esporão adentra a pele
Basta que na folha rele
Fere de forma terrível
Favor não fazer confusão
Tem favela, tem urtiga e tem cansanção
Qualquer uma é capaz
Com o estrago que faz
De arrancar o couro do cristão
Triscou no vivente, ardeu
Uma boca de espinho que mordeu
Quem era menos bruto, tremeu
O poeta viu, descreveu
A favela venceu
A PALHA DO MILHO
O GENRO SEM SORTE
GLOSA LIGEIRA
Parede-meia pa vó
Da Véia num teve dó
Também num considerou
Parede-meia pa vó
Padim Ozébio negou
Sangue correno na veia
Aranha que tece a teia
Bola de gude ou de meia
Quem puxa carro é a pareia
Tano com fome traz ceia
Se tocar fogo incendeia
A chama acende clareia
Pras bandas do Paraná
Deixou no norte o sentido
Sentindo-se meio perdido
Arresolveste voltar
Se num tivesse ido
Sabia nada de lá
Descamba da ribanceira
No precipício, à beira
Essa é a glosa ligeira
Atenta sem dar bobeira
Assenta na dianteira
Palavra dita certeira
INDICATIVA
Caso tu não retornes Coração baterá fora dos conformes Volte! E outra vez não tornes Fora, de por mim, não dormes Par comigo sempre formes...
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Teve um ou uma sem-vergonha Que entocou a palha Era pra encher a pamonha Pegaro, botaro pra secar e guardaro Pra depois enrolar maconha ...
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(uma toadinha de Vaquejada lembrando de Kara Véia) Gostaria de chamar de meu sogro Sinobilino Que me conhece derna de minino Lá da Várzea ...
