VÍCIO
100 DISCOS DE 73 QUE OUVI EM 2023
Abdias - Forroriando
Marinês- Só Pra Machucar
Clementina de Jesus - Marinheiro Só
Elino Julião e Jacinto Silva - Xodó do Lado
Trio Nordestino- Primeiro e Único
Jackson do Pandeiro- Se tem Mulher, Tô Lá
Luiz Gonzaga- Luiz Gonzaga
Messias Holanda - O Bom Cearense
Raul Seixas e The Generation - Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock
Paulinho da Viola - Nervos de Aço
Nelson Cavaquinho- Nelson Cavaquinho
Tim Maia - Tim Maia
Sir Victor Uwaifo & his Melody Maestroes - Igiodo-Giodo
Ednardo, Rodger Rogério e Teti - Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem
Tapper Zukie - Man Ah Warrior,
Taiguara- Fotografias
Os 3 do Nordeste - Os 3 do Nordeste
Zé Paraiba - Rei da Sanfona
Dominguinhos - Lamento de Caboclo
Zé Calixto - Falou e Disse
Paulo Bagunça- Paulo Bagunça e a Tropa Maldita
Waldir Soriano - Pedras e Lixo
Alípio Martins- O Rei do Carimbó
Sérgio Ricardo - Sérgio Ricardo
Os Filhos de Goiás- Amor Distante
Quinteto Violado - Berra-Boi
Riachão- Sonho de Malandro
Raul Seixas - Krih-Ha Bandolo
Sergip Sampaio- Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua
Los Angejes Negros - Con Todo Mi Amor
Zé Ribeiro - Meu Coração Não Te Esquece
Clemilda - Forró Sem Briga
Manoel David - Xaxadinho das Alagoas
Os Tincoãs - Os Tincoãs
Sérgio Ricardo - Sérgio Ricardo
Pappo's Blues - Volumen 4
Batatinha, Panela e Rachão- Samba da Bahia
Leny Andrade - Alvoroço
Los Demônios de Mantano - Cumbia 73
Marconi Notaro - No Sub-reino dos Metazoários
Ed Lincoln - Edy Keneddy 73
Wando - Glória a Deus no Céu e Samba na Terra
Milionário e José Rico - A Saudade é Um Tormento
Secos & Molhados - Secos & Molhados
Quarteto Teorema- Quarteto Teorema
Os Filhos de Goiás- Amor Distante
Osvaldo Oliveira - É Com Jeitinho
Calixto Ochoa - Soy Feliz
Pablo Milanés - Versos Sencillos de José Martí
Bob Marley & The Wailers - Burning
Zeca Afonso - Que Venham Mais Cinco
Willie Colón- Willie Colón canta Hector Lavoe
Perez Prado – Perez Prado And Latin Favourites
Fruko Y Sus Tesos – El Violento
Bob Marley & The Wailers - Afican Herbsman
Los Pakines - Los Pakines
Larry Marshal - Presenting Larry
John Heltt - 1000 Volts of Holt
Tapper Zukie - Man Ah Warrior
Bob Marley & The Wailers - Catch a Fire
Tanx - The Rex
Los Mirlos - La Dança de Los Mirlos
Ahmada Jamal - Ahmad Jamal
Herbie Hancock - Head Hunters
Deep Purple - Who De We Think We Are
Som Imaginário- A Matança do Porco
Emerson, Laker & Palmer - Salad Surgery
Lou Red - Berlim
Pescado Rabioso - Arysid
Nazareno- Razamanaz
New York Dolls - New York Dools
La Banda Nueva - La Gran Féria
The Stooged - Row Power
Thin Lizzy - Vagabond of The Western World
Urian Heep - Sweet Fredom
Penguin - Fleetwood Mac
Allan Green - Call Me
James Brown - Black Caesar
Alice Cooper - Billion Dollar Babies
The J.B's - Doing It tô Death
The Man Ingredient - Afrodisiac
Quadrophenia - The Who
Stevie Wonder- Inversões
Miles Davis - Jazz até The Plaza
Celya Cruz Com La Sonora Matancera - Afro Cuban
Santana & John McLaughlin - Love Devotion Surrender
Mavin Gaye - Let's Getúlio It On
Beach Boys- Holland
Glent Giant - Im a Glass House
Pink Floyd - The Dark Side of The Moon
J.B. de Carvalho - Apresenta Seu Abalauiê
Gladey King & The Pipps- Neither One of US
Nektar - Relembrar The Future -
Santana - Welcome
Vangelis - L'apocalypse des Animaux
Grand Funk Railroad - We're Ar American Band
Diana Ross - Touch Me in The Morning
Black Sabbath- Sabbath Blody Sabbath
Jethro Teul - A Passion Play
Michael Jackson - Music e Me
SIMPLES E IMENSO; DENSO E INTENSO. JOÃO BÁ O VERSADOR DA INDIGNAÇÃO E DOS ENCANTOS
DR. MASTRUZ
TERRA PARA QUEM NELA TRABALHA
ELSIE HOUSTON E O FOLCLORE LÍRICO
ELSIE HOUSTON E O FOLCLORE LÍRICO
Elsie Houston era filha de um boticão estadunidense com uma carioca da comunidade portuga nascida em 1902, foi compositora e cantora dona de uma potente voz de soprano lírico spirito, passou a adolescência na Europa onde estudou canto com Lili Lehman.
Aos 20 anos conheceu o maestro e compositor Luciano Gallet e passou a harmonizar canções populares em estilo lírico. Ficou amiguxa de expoentes modernistas como: Mário de Andrade, Heitor Villa-Lobos, Manuel Bandeira, Flávio de Carvalho, Jayme Ovalle, Lívio Xavier, Mário Pedrosa, Ninon Vallin, Luciano Gallet assim como dos surrealistas de Paris. Reconhecida como grande cantora lírica apresentou-se na capital francesa ao lado de nomes famosos à época e também com Heitor Villa Lobos. Ainda, em Paris, em 1927 se casou com Benjamin Péret, poeta surrealista e trotisquista, o casal morou no Brasil nos anos 1929/31 quando pesquisaram o folclore e as religiões afro-brasileiras em viagens pelo norte/nordeste. Como resultado dessa imersão enquanto o mancebo escrevia na Revista de Antropofagia e publicou “O Almirante Negro" e Candomblé e Macumba, Elsie lançaca em Paris, o livro "Chants Populaires du Brésil" e, no ano seguinte, o ensaio "La Musique, La Danse Et Les Cérémonies Populaires Du Brésil" ao tempo em que gravou várias canções com arranjos próprios.
Em 1931, nasce 1 filho do casal, enquanto Benjamin se ocupa na criação da trotisquista Liga Comunista de Oposição junto a Lívio Xavier e Mário Pedrosa, cunhado de Elsie. A agitação política lhes rendeu o distanciamento dos amigos modernistas chocados com a afronta de costumes, pelo proceder e linguajar surrealista do casal (dizem que Drummond e Mário de Andrade eram 2 dos que evitavam os encontrar). A prisão e expulsão do país pelo governo Vargas obrigou o casal voltar pra França, deixando a criança aos cuidados dá avó materna. Acabaram se distanciado e Péret, em 1936, partiu para lutar na Guerra Civil Espanhola ao lado dos Republicanos e vai morar com a pintora Remédio Varo, uma hispano-mexicana. Informada sobre o fato, Elsie retorna ao Brasil de onde ruma pra Nova Yorque; em difícil situação financeira apresenta performances de "macumba" estilizada, assim como houvera feito na noite parisiense, em boates sofisticadas; chamando a atenção pelo exotismo da cerimônia vodu (como chamavam os americanos).
Entre 1939/1940 teve um programa semanal de música brasileira pela NBC chamado "Fiesta Pan Americana".
Faleceu em fevereiro de 1943.
Em 2019 foi lançado o livro/disco "Cantos Populares do Brasil de Elsie Houston" pelo Coletivo Goma Laca formado por · Biancamaria Binazzi · Ronaldo Evangelista · Alessandra Leão · Marcos Paiva · Júnior Kaboclo · Alessandra Leão, Jussara Marçal e outros.
A Prisão de J. Carmo Gomes, as preocupações anti-integralistas de Graciliano Ramos
Projetado como capítulo inicial de um romance com 4 capítulos que Graciliano Ramos tencionava publicar no final da década de 30, “A Prisão de J. Carmo Gomes” relata a instabilidade emocional de D. Aurora, uma integralista que não se conformava com o fato do seu mano J. Carmo Gomes ser um comunista.
Num realismo longe de ser espontâneo ou, até, orgânico, mas, antes de
tudo, crítico e na sua habitual ironia mordaz, Mestre Graça desnuda as nuances
do discurso integralista em sua caracterização do que seriam “comunistas”,
gente disfarçada dentro da sociedade, agentes pagos por Moscou para prejudicar
o país, a família, a sociedade, a propriedade e a moral cristã. Não bastasse,
estariam dentro do próprio partido pagos para criar distenção interna inimigos
dentro do próprio partido que pregavam o diálogo.
A ideologia racial fascistas foi incorporada pelo integralismo, o
comunista era associado ao indígena: estampas horrorizavam imagens de índios
pelados, com orifícios nos lábios, roubavam. Pilhavam, destruíam os valores da
civilização cristã, ordeira e pacífica de um Brasil verde, da cor da esperança,
como nossas florestas
O conto desenvolve a melancolia de D. Aurora, sua frustração em não ver
o comunismo extirpado de uma vez por todas pela raiz e sua tristeza é
potencializada pela constatação da contaminação dentro da sua própria casa, na
pessoa do seu irmão J. Carmo que fora “corrompido” e militava na divulgação do
vermelhismo. Decidida a não ser acusada de esconder o inimigo dividindo o teto
com ele, ela entrega o irmão à polícia.
Nesse curto texto, Graciliano discute agitação política e suas tensões
no Brasil dos anos 30 que ilustrariam muito bem a “família” brasileira hoje em
dia
*"A
prisão de J. Carmo Gomes", apareceu como conto, numa tradução para o espanhol
em La nación, de Buenos Aires, em janeiro de 1940, e em português na revista do
brasil, ano III, n.24, do Rio de Janeiro, em junho de 1940, em 1947 foi
adicionado a Insônia como Primeiro Capítulo
*“A Prisão de
J. Carmo Gomes” foi adaptado para o cinema em 1980 por, Luiz Paulino dos Santos
como segmento ao filme homônimo ao livro, Insônia. Emmanuel Cavalcanti
(segmento “Dois Dedos“) e Nelson Pereira dos Santos (segmento “Um
Ladrão”) completam a película.
HUMILDE MÍDIA
Minha humilde mídia
Não celebra
a pátria
Em seu
desígnio
Não defende
a família
Não tem
patrocínio
Tampouco merchand
Na
inquietude
Combate a moral cristã
Em sua plenitude
Celebra amores
Relata o
cotidiano
Não esquece
das dores
Revela o
engano
Não defende propriedade
Não aceita
oferenda
Não negocia
sua liberdade
Não está
à venda
Não aceita
censura
O que
pensa é publicado
Contra a
superestrutura
Defende a ciência
Do proletrariado
PED'INCARNADA
A pedra com que quebro meu licuri
Que nem aricum toda encarnada
É da cor da vermelha
O coco que foi catado já
foi juntado
E num desafio pego
parelha
Bate, bate, baticum da
pedra ritmo ritmado
Zuada diferente em cada
orelha
Acende o fogo dessa embolada
Cada casca de coco
quebrado faz vez de centelha
Licuri maduro caino do
ingaço no meio do mato
Tão doce que o doce mel
da própria abelha
Agua dos Calderão
salobra e cristalina
Quando o sol tá quente
ela o espelha
Palha cortada, trazida
e virada
Aqui no barraco é quem
serve de telha
A pedra com que quebro
meu licuri
Que nem aricum toda encarnada
É da cor da vermelha
FUFUCA É PAÇOCA
Paçoca é fufuca
Fufuca é paçoca
É merenda das antiga
Dos trabaiadô da roça
Paçoca é fufuca
Fufuca é paçoca
Pra enganar a fome
Antes de terminar o eito
Seja por não poder comprar
Seja por não ter outro jeito
A fufuca pode a fome enganar
Cata o licuri bem seco
Ou põe ele pra secar
Se for licuri do gado
O sabor vai realçar
Se não tiver rapadura
Pode ser açúcar
Lá do pote na cozinha
Aproveita que abriu a dispensa
Traz uma cuia de farinha
Paçoca é fufuca
Fufuca é paçoca
É merenda das antiga
Dos trabaiadô da roça
Paçoca é fufuca
Fufuca é paçoca
Senta na pedra
Pra quebrar o coco
Toda essa força bruta
Vê se manera um pouco
Pro bago não esbagaçar
Fica muito trabaioso
Se com as cascas misturar
Vai ser perda de tempo
Se tiver que catar
bagaço não pode não
Terminano o serviço
Hora de pegar o pilão
limpe o bicho direitinho
Solta o braço, desce a mão
Tritura essa mistura
Esbagaça grão em grão
Passano na peneira
Tá pronta a ração
Paçoca é fufuca
Fufuca é paçoca
É merenda das antiga
Dos trabaiadô da roça
Paçoca é fufuca
Fufuca é paçoca
É merenda das antiga
Dos trabaiadô da roça
MURRO EM PONTA DE AÇO
No lombo bate a pancada
Como se fosse ingaço
A dor por cima do ombro
Enverga o espinhaço
A carne cortada
Pela ponta do estilhaço
Moe, remoe
Devolveno só o bagaço
Do pescoço capturado
Pela ponta do laço
Desde então resistir
É tudo que faço
Dando murros
Na ponta do aço
GALOPE DA PEDRA QUEBRANO
A pitangueira fulorou
Manheceu na lua nova
Natureza em movimento
É vida que se renova
Divaga meu pensamento
Na batida da pedra tiro a prova
É na curva do gavião da foice
Que seu Tsiu pica o fumo
Depois de 2 baforadas
A conversa toma rumo
No fogo da sua cabeleira
Brilhante que nem seu olhar
É aonde a minha chama
Vai se alimentar
Licuri na caatinga é coco
Com coco se faz cocada
Além de se fazer o repente
A cocada é doce
Adoça a vida amarga
Quebra um pedaço no dente
Alivia o peso da carga
dibaxo desse sol quente
Beijei os seios dela
Imbaxo da cachoeira
Meio afoito, meio sem jeito
Saboreando e delirando
língua no bico do peito
Não pude conter, me apaixonei
Por uma moça, que já era, comprometida
Guardei isso pra mim, eu me calei
Fiquei na minha, não disse nada
Desde então, por mais ninguém me interessei.
Sempre que ela passa na minha rua
É lindo o seu vestido
Mais belo deve ser
ela nua
Os seus cabelos sobem
ao vento
Geram uma brisa
Que sopra no meu pensamento
Arreparo a parede
Sem saber o que dizer
Nem o tempo ou a distância
Conseguirão fazer
Não tem jeito nem maneira
Pra que possa
esquecer
Porque fui me
apaixonar
Por esse par de olhos
Amendoados, encantadores
Sem saber que me trariam
Tristezas e dissabores
A pitangueira fulorou
Manheceu na lua nova
Natureza em movimento
É vida que se renova
Divaga meu pensamento
Na batida da pedra tiro a prova
Que seu Tsiu pica o fumo
Depois de 2 baforadas
A conversa toma rumo
No fogo da sua cabeleira
Brilhante que nem seu olhar
É aonde a minha chama
Vai se alimentar
Licuri na caatinga é coco
Com coco se faz cocada
Além de se fazer o repente
A cocada é doce
Adoça a vida amarga
Quebra um pedaço no dente
Alivia o peso da carga
BREGA LÍRICO (Sombra e Refresco)
A importância que está no pronunciar
A beleza será do que se diz
O que importa
Antes do desejar
É esperar que outro venha feliz.
A amargura
O amargurar
Nesse caminho
Não vai passar
Sabendo que aqui terás
Sombra e refresco
Um cafuné pra você se acalmar
Tiveres frio
Pra aquecer-te tenho calor
Cesse a tristeza
Esquece a dor
Não tenha pressa
Desespero não é forma de amor
A qualquer hora
A qualquer dia
Sempre serás
Minha poesia
SE ACASO FOR
Já
faz algum tempo
Que
no canto, encostado
Mantenho
distância do meu violão
Naquela
madrugada
Chegando,
não mais estava
Levou
a poesia
Secou
minha fonte de inspiração
A
cama ficou vazia
A
vida ficou vazia
Em
cada canto dessa casa
O
silêncio da solidão
Nunca
mais um minuto de alegria
A
tristeza instalada
Dentro
do meu coração.
O
poeta vai a procurar
Nem
tão certo se deva
Mas
vai lhe procurar
Nem
sei se devo
Mas
se ela não voltar
Pelo
menos um bolero eu escrevo.
Se
acaso for
(Ah!
Se acaso for )
Se
ela voltar
Volta
o amor
Volta
a alegria
(volta
meu amor)
Volta
o nós dois
(volta
meu amor)
Volta
a poesia
FIM DA JORNADA
Pensamento esvai-se feito fumaça A palavra destilada na cachaça A doenceira cruel e fulminante Sorrateira, que tudo varre num instante ...
-
Esperando eu estava Alguém já estando no meu pensamento De sorriso aberto eu imaginava Ensaiava o jeito esperando o momento ...
-
Apartir desse momento já não existe nós dois Não deve existir o depois Sempre fazendo de conta e deixando pra lá Tentando fazer o que já ...
