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SEXO SELVAGEM, GOURMET SACANAGEM

Comer-te
Realizar a tara 
Te passar na vara
Volúpia de canibal 
Dentro  da tua caverna 
Te pegar de pau
Gatinha moderna 
Vou te comer com sal
Back-up, upload
Download, tacape
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UMBURANA DE CHEIRO

Ciarense no nome 

Mascar engana a fome

 É Cumaru Caatingueiro

Da família da cerejeira 

É umburana de cheiro 

Pra doenças respiratórias e intestinais 

Pra tudo que der gemedeira

E otas cositas más

O caroço serve 

É só pisar

No copo com água misturar 

A casca serve

Pra fazer chá 

Pra mastigar

Ferver e tomar 

Cascas e folhas cozinhar 

Banho de cuia

Na água morna tomar 

Pra mordida  peçonhenta

Machucado por dentro

Pra ferida  cicatrizar 

Melhor que água benta 

Foi pro roçado roçar

Caipi  ou destocar 

Na hora de ir pra casa 

Feixe de lenha levar 

Machado é perigoso 

Vacilo transforma em corte 

Não pode brincar com a sorte 

O aroma do cheiro é calmante 

Acalma logo  quem sente

Melhora e segue adiante

De infusão na garrafa 

Tempera o aguardente 

Na hora de bater a boia 

Bom pra queimar o dente

Aliviar o queixume 

No trago o catingueiro

Degusta todo o perfume 

Da umburana de cheiro

NÓ DE CABAÇA

O tempo que dura uma cabaça
Quis saber de certeza 
Perguntei  a minha vó 
Vai depender da destreza
Do vivente que deu o nó 
O erro não é aceito 
O laço sai
O nó desfeito 
A cabaça cai
Água derrama
Na terra é lama
E beber num vai  
Um pé de coité
Parece ser de cabaça 
Porém parecer não é 
Quando é grande o maxixe 
Chamado de maxixão 
Seca e vira caxixe
Guizo de percussão 
A cabaça no meio cortada 
Vira cuia
Vasilha agamelada
Uma pequena tuia
De pegar farinha 
Fura, tira pivide e caroço 
Arranje uma linha 
Amarre no pescoço 
Mas cuidado com o nó 
Não é de qualquer jeito 
Aperte sem ter dó 
O erro não é aceito 
O laço sai 
O nó desfeito 
A cabaça cai
Água derrama
Na terra é lama
E beber num vai   

FALANSTÉRIO ( Anti-Dhuring)

Os sentidos como guias da felicidade 

Contra os poderes estabelecidos 

Da velha sociedade 

Assim pregava Fourier

A filosofia da boa vontade 

Do que cada um quiser 

Com o que cada um fazer 

Pro que cada um fizer

No quê cada um dizer

Um rechaço moral

Trabalho como prazer 

A paixão é fundamental 

Exercício da  vocação 

Propriedade coletiva 

Dos meios de produção 

Contra a  monotonia do sério 

Proscrita no Index Librorum Prohibitorum

A ideia do falanstério

Pregava o bem comum

Ajuda mútua 

O todo sendo um

Pra todo mundo 

Pra cada um

O fim do antagonismo

E de toda hipocrisia 

Descentralização e harmonia

Da família  monogâmica

Do Poder e da   hierarquia 

Mas, li no Anti-Dhuring

O socialismo utópico 

Não passa de fantasia

Embora de tese libertária 

Não se pode dizê-la

Radical e revolucionária 

Não muda nada

Se não abolir

A Propriedade privada

Esse mal tão específico 

Taí a diferença fundamental 

Do socialismo utópico ao socialismo científico 


2 PRA1

A maior tristeza
Desse rancho
Que já  foi nosso ninho
É eu fazer baião de 2
Feijão e arroz
Pra nós 2
E depois 
Ter que comer sozinho. 
(mas tava era bom...)

CICATRIZ

Abri o meu peito 
Fui dar um jeito
Foi coisa grave 
Cortei na cavidade 
Meti a mão e arranquei
Já que eu amei
Extirpar precisei
Sacudi, balancei
Seu nome não achei
Por todo lugar vasculhei
Excessivamente  procurado 
Não estava cravejado
O que foi tatuado
Foi apagado 
Eliminado 
Não mais em mim 
Até que enfim 
É o fim
Coração no lugar
Vai cicatrizar 

O PRÓPRIO SE DESCONHECE

O poeta hoje bebe
Porque perdeu a medida
Sua mina querida
A paixão da sua vida 
Que no seu coração mora
Resolveu ir embora
Por isso ele bebe
Todo tipo de bebida
E chegou a hora
Hoje se despede  
Bebe porque tá sofrendo 
Dentro do peito doendo 
Ele não vai  desistir
Beberá até  cair
Visto seu amor partir
Pode acabar morrendo 
E deixar de existir. 
Nem sei como tô vivendo 
Todo mundo tá sabendo
A coisa mais dificil
É  fazer o sacrifício 
De arrancar  o que  mora dentro  de si
Tive no precipício 
Inda subi no edifício 
A boca da morte eu vi
Desse mal também já sofri
O Pião  é resistente 
Teimoso e valente 
Que nem os versos do seu repente 
Sujeito ligeiro 
Se previne primeiro 
Caba direito 
O que fez tá feito
Nunca que deixa faltar 
Mas hoje não tem jeito 
O limbo lhe servirá de leito 
Cairá de tanto chorar
O que acontece
O poeta padece 
Seja como for
Ele não esquece
Um poeta sem amor 
É aranha que não tece
O próprio se desconhece

TANINO DO ADEUS

Hoje é  vesperal do dia  Vou te esquecer 
Amanhã não lembrarei 
Nem quererei saber
Exagerarei
Até entorpecer
Lisergicamente adormecido
Moinhos triturarão lembranças, 
Terás ido
Diques conterão esperanças,
Terás sido.
Alheio 
Apago sua imagem
Nem mando nem leio
Qualquer Mensagem
Não  sinto o sentimento  
Absorto  no momento  
No sabor  do esquecimento 
Ficará da língua a nódoa  amarga
Tanino do arrependimento

LUGAR DE FALA

Quem vai falar do pião
Quando ele, desempregado
Tiver fome de pão?
E o camponês
Em meio a guerra
Quem cuidará do trigo,
Lavrará a terra?
As crianças
Que crescem com o futuro traçado
Pra muitas faltará de tudo
Pra poucas o montante acumulado
Nas relações do capital
Que dominam a sociedade
A raiz de todo mal.
E nesta eleição
A perspectiva ilusória
De uma proposta vazia 
Que canta vitória 
E viva a democracia
Enquadra o descontentamento
No que o Estado julga o direito
Se grita fica sem jeito 
Entrega pro parlamento
Alguém pra engavetar seu lamento

SIMPLÓRIA HISTORIA DE UM AMOR QUE ACABOU ( Desgamou)

Um amor que não deu certo
Bem melhor sair de perto 
Já que tudo deu errado 
Cada qual vai pro seu lado 
Ela quem quis separar
Lhe restou só lamentar 
Ela sempre  encontra alguém 
Ele não quer   mais ninguém 
Ela se esbalda no forró
Ele fica sempre só 
Domingo  marca bingo 
Ela na praia mais o gringo 
Ele enterte na  cachaça 
Ela de love com uma loiraça 
Seu  streaming rola Sting 
Mas ela é fã de swing
Ele sempre se dá mal 
Ela forma até trisal 
Ele não aceita não 
Ela faz dupla penetração.
Bebeu demais, caiu, rodou 
Ela gravando pornô
Desgamou, desgamou
Tchau, tchau, tchau 
Tchau para o amor 

SUJEITO HISTÓRICO

Tenho pensado na vida
Sem compromisso com nada
Olhando pela janela 
Pensando em cair na estrada 
Pronto pra caminhada 
Voltar por onde passei
Descobrir o que não conheço 
O que vivi eu já sei 
Me servirá de começo 
Tesouros não encontrarei 
Não buscarei por riqueza
Não parto em busca de glória 
Do futuro não tenho certeza 
Sou  parte da história 

O QUE SERÁ DE NÓS

Em qualquer dia
Solteiros na pista
Soltos na buraqueira 
Sem eira nem beira 
Com a sua anuência 
Sendo da sua querência 
Embora já seje da minha preferência 
Os 2 de bobeira 
Danasse a se beijar 
Cansados de estarmos sós
Depois da festa partir 
Algum lugar pra ficar 
Um ao outro se entregar
Num tesão navegar
Juntinhos vamos dormir 
E só depois decidir 
O que será de nós 

SONHO COLORIDO

A  janela fica aberta 
O pé de manga abana o vento 
Que sopra em cima da cama 
Embaixo da janela 
Só faltava quem tá no meu sonho
Ao meu lado dormindo nela
Eu me transformaria em brisa 
Ao mar num barco à vela 
O vento que vem das monções 
Percorreno os pelos dela
Em delírio eu pinto
A palavra mais bela
Balbucio seu nome 
A mais colorida tela

MINA DANÇADEIRA

Moça dancadeira 
Desimpedida e solteira
Quando entra no samba 
É  covardia 
É como sonhar acordado
Até raiar o dia

No tempo dos antigo 
Os mais velho condenava 
Era muita ousadia 
As mais nova iscutava 
Mas o conselho não seguia 
Entrava por uma zoreia 
Na mesma  hora pela ota saía 
Era o barulho do batuque 
Por quem desobedecia
Pela sua silhueta 
Esse toque  se  cadencia 
Conheço muita mina formosa 
Mas que nem você não conhecia 
Até mesmo pensava 
Que a mulher da minha vida
Jamais existiria 
Mas eis que era você  
Que nos meus sonhos  aparecia 
Agora pode ser real
O que era fantasia 
És  a tentação 
Que meu coração 
Jamais resistiria  

Moça dancadeira 
Desimpedida e solteira
Quando entra no samba 
É  covardia 
É como sonhar acordado
Até raiar o dia

    

SEGUNDA OPÇÃO

Pronunciaste que vai me abandonar 

Sente-se  ainda  comigo 

Tanto que eu me dedico 

Indignado fico 

Contigo 

Dói ouvir você me chamar de simplesmente de amigo.

Mas se queres ir,

Vá!

Se pra ti  nesse momento 

É tudo que importa

Estou ciente

Que mais dia menos dia

Retornarás por aquela porta Estará sempre  aberta 

Pois é a estrada certa 

Se der errado a tua caminhada 

A cama ficará sempre  arrumada

Terás sempre seu lugar

E se por acaso,

Saibas coração, 

Se acaso  outra estiver, temporariamente,    

Enquanto estiveres fora,

Com meu corpo e  o meu tesão 

Na hora 

Peço que vá embora 

Avisada estará de antemão 

Que por mais que diga que me adora

Será sempre......

...... a segunda opçãoooooo

http://prosiado.blogspot.com/2023/04/segunda-opcao.html

VALEU TONHÃO

Quando morre um sambador 
O batuque  não se acaba
Nem emudece a dor 
A chula é homenagem 
Da batida do tambor 
Reconhecendo a história 
Do valoroso lutador 
Valeu Tonhão, valeu Tonhão !
Você sempre será lembrado 
Na nossa recordação.
Essa chula é redigida
E vai ficar de decreto
Da saudade que deixou 
Antonio Aniceto.
Seu amigo muito  sente 
Valeu Tonhão 
Estarás sempre presente!

AS SINFONIAS DE BEETHOVEN

Vocês ouvem 

Em que e com qual frequência 

As Sinfonias de    Ludwig van Beethoven?


O que tá mais pro classicismo 

Rigidez racional 

Propriamente pro romantismo

Mais harmônica e estrutural

Com drama, tensão, exploração. 

É visto que se trata 

De uma obra de transição 

Parece absurdo  

O cara da peça musical  mais famosa

Compôs e ao finalizar estava surdo  

O seu segredo 

Era que tinha medo 

Medo do que aconteceu

Não teve remédio

A trompa de Eustáquio rompeu 

Encheu de líquidos o ouvido médio 


Vocês ouvem 

Em que e com qual frequência 

As Sinfonias de    Ludwig van Beethoven?


Antes a sinfonia 

Era tudo instrumental 

Na  harmonia 

Veio o  Bethoven  valorizou  o vocal

Trincou Solista e coro

Germe revolucionário

Falta de decoro 

Portador da transgressão 

Ouvido imaginário

Destruidor da tradição 


Vocês ouvem 

Em que e com qual frequência 

As Sinfonias de    Ludwig van Beethoven?

Moleque Calabar

Reumatol com fitopó

Guaraná do Amazonas 

Pomada do peixe elétrico

Castanha do Pará 

Ponta de zagaia 

Mingau de tapioca 

Farinha de copioba

Chifre de  marruá

Ferrão de arraia

Jundiá de loca 

Folha de maniçoba

Água de gravatá 

Cera de mandassaia

Paçoca, milho de pipoca 

Salada de taioba

Arroz doce, mugunzá 

Melancia da praia 

Vara de taboca

Óleo de andiroba

Bico de carcará

Bago de Sapucaia

Mocotó de vaca

Leite de mangaba

Caroço de ingá

Pena de anun

Batata de teiu

Doce de goiaba 

Alcalóide de pitiá

Semente de girimun

Flor de mandacaru

Chá  de jabuticaba  

Raiz de dandá

Mel de jataí

Raspa do pau do quati

Ponta de faca 

Unha de tamanduá 

Casca de catuaba

Visgo de jaca

Maria do grito

Apronte seu patuá 

Que deu no Cabrito 

Moleque calabar

Carrega na mente

O que não vai no caçuá.

JAMAICANA

Ska, ka, ka, caatinga iscá

Ska, ka, ka, caatinga iscá


Arbórea,:arbustiva e herbácea 

Ê caatinga, ê mata que seca

Teu nego vai te cantar 

As cascas são grossas 

pra tempo seco secar  

As folhas sempre pequenas 

Para ligeiro murchar 

As hastes espinhosas pode o vivente furar

Raízes com capacidade 

Reter água e acumular 


Ska, ka, ka, caatinga iscá

Ska, ka, ka, caatinga iscá


Umbuzeiro, arueira

Pau d'arco, quebra-facão

Umburana, amargoso

Quiabento, quixabeira 

Malva, fedegoso

Jitirana, gravatá

Calumbi, cansanção

Jurubeba, mandacaru 

Unha-de-gato, embira, 

Juá-mirim, jatobá 

Barriguda, bastião

Jurubeba, itapicuru 

Malva , macambira

Catuaba, jequitibá 

Catanha, vilão

Angico, mulungu

Maniçoba, quipá


Arbórea,:arbustiva e herbácea 

Ê caatinga, ê mata que seca

Teu nego vai te cantar 

As cascas são grossas 

pra tempo seco secar  

As folhas sempre pequenas 

Para ligeiro murchar 

As hastes espinhosas pode o vivente furar

Raízes com capacidade 

Reter água e acumular 


Ska, ka, ka, caatinga iscá

Ska, ka, ka, caatinga iscá



UM DIA DEMA FOI A DIADEMA

Nascido na Paraíba 

No sertão da Borborema 

Num brejo conhecido 

Por nome Gogó da Ema

Não se enrolava na rima

Era só falar o tema

No meio do medo a coragem 

Era esse o seu lema 

Mas na hora dificultada

Não tem esse que não trema 

Era um rapaz pacato 

Não gostava de problema 

Mas eis que tropeçou 

Foi gostar de Iracema 

Mulher que quando bebia

Incorporava a Jurema

Era muito complicada 

Tal qual um teorema

Quando se viu apertado 

Tomou uma medida extrema 

Antes de raiar o dia

Dema foi à Diadema

FIM DA JORNADA

Pensamento esvai-se feito fumaça  A palavra destilada na cachaça  A doenceira cruel e fulminante  Sorrateira, que tudo varre  num instante  ...