CANÇÃO DA SAUDADE (À lá Bartô Galeno)

A gente poderia ter se dado bem

Entre nós não haveria mais ninguém

Você estando aqui perto

Essa noite não seria um deserto

Jamais estaríamos sós.

Sem a imensidão desse oceano entre nós

Aconteceu de verdade

Você é minha maior necessidade

Pra combater essa dor covarde

Que me deixa triste agora

Ver você morando fora

Distante do coração

E toda vez 

Que tocar essa canção

Saiba que eu esqueço não

Todo bem que tu me fez.


 Sempre que estiver triste

Onde quer que você for

Lembre que existe

O meu amor, meu amor 

Versos feitos pra dizer

O prazer sentido

Nunca poderá ser esquecido

O sincero sentimento

Intenso a cada momento

No meu peito para sempre vai viver

Na certeza nunca mais vou esquecer

Mesmo a gente separado

Continuo por você apaixonado

Nesses versos eu declamo

Reafirmo que te amo.

Te amo, te amo.


Lá ra ra iê

Lá ra ra iê

Se por acaso você me escutar

Saiba que não deixei de te gostar

Lá ra ra iê

Lá ra ra iê

A alegria da minha vida

É você

Só você...

MARTELO DE FOGO AGALOPADO

Escundido no munturo
Taxado na covardia
Pela luz que alumia
O verso não fica no escuro
Passa por cima do muro
Continua a ser cantado
Não deixa ser apagado
Com ou sem alarde
A chama sempre arde
É martelo de fogo agalopado
Um fogo não destrói
O que tem dentro do peito
Assanhando o sujeito
Naquilo que o corrói
Labareda que não dói
Mas que deixa o cinzaréu
Tomando conta do céu
Que logo fica nublado
Tornano o tempo fechado
Toma conta o nivueiro
Vale mais que teu dinheiro
Meu martelo de fogo agalopado
O dinheiro compra casa
Pode escolher a merenda
Garantindo fama e renda
Sensação de que arrasa
Mas a lenha vira brasa
Da cadeia ser livrado
Ser juiz ou delegado
Mandar prender e soltar
Se não puder labutar
No martelo de fogo agalopado
Pra se livrar da prisão
Pode tentar outro embargo
Ganhar um outro cargo
Mediante comissão
Mesmo alegando comunhão
Difícil ser liberado
Pelo fogo ateado
Terá que responder
Quando tudo acender
No martelo de fogo agalopado
A pira sempre acesa
Consome inteiro pavio
Traga água de navio
Trafegado em alto mar
A lagoa vai secar
E o chão esturricar
Deixano tudo rachado
De tanto ter esquentado
Tano seco o açude
Não vai ter quem te ajude
No martelo de fogo agalopado
Começano de faísca
Logo tudo se clareia
O combustível incendeia
Quem tá perto se arrisca
Quando o fogo trisca
Deixa tudo queimado
Destruído, devastado
Exalando o bafo quente
Este é o comburente
Do martelo de fogo agalop
ado

LIÇÕES DA REZADEIRA

Se um remédio pra verme e piolho derrotasse o corona, D. Maria Rezadeira disse que pra verme, caroço de abóbora girimun e pílula de babosa é melhor que qualquer um que teha na farmácia e, pra pioho, o  sumo de quarana ou do melão verdoso, não tem igual.
A diferença é que a D. Maria, que já tem 90 anos de sabedoria Quilombola que lhe passou sua mãe, não recebe propina da indústria farmaceutica que nem os ivermectineers e só receita suas indicações pra quem tem verme ou piolho, com o covid, ela se previne usando máscara, lavando as mãos, mantendo distância dos outros e ficando em casa.
Ela diz que reza, pra pessoa não perder a fé mas não é cientista e, os caboclos dela, quando inventaram os remédios do mato, não existia nem essa doença  nem as pesquisas científicas.

MEMORIAS DO FUTEBOL CALMONENSE

Fui morar lá em 76 (Miguel Calmon - BA) e naquele ano mesmo  meu pai colocou um time no campeonato local, chamado Mississipi, pena que no campeonato seguinte o time já havia encerrado as atividades. Mas, os  maiores talentos futebolísticos da cidade no final dos 70 foram revelações do Mississipi: Galego de seu Dentinho do Correio;  Anjo Grilo, Geo Pelé, Gilmar Goleiro, Fabuá, Tonho do Rato, Messias. 
A seleção local fez uma histórica campanha no Intermunicipal de 1968, sendo vice-campeã e muitos atletas daquela geração ainda jogavam:Canarinho, Neguinho, os 2 do Mucambo dos Negros que jogavam pelo Farense de lá; Aliiomar, craque que era centroavante do Mississipi; Canoa, um goleiro que tinha uma perna arqueada;   Binha, meu vizinho um volante qque era parecido fisicamente com Falcão e jogava com elegância;  Jaracaca, um ponta ultra rápido de quem fui seu auxiliar de rádio técnico em 81.
Seu Miguel marcava o campo todo domingo às 5 da manhã; eu morando perto do campo quando não ia pra feira do França eu ajudava-o em troca de entrada grátis nos jogos com entrada pelo portão dos atletas; inda fazia uma gandulagem e batia uma bolinha na beira do campo durante o intervalo.
Hasb

LUIZ WAGNER - GUITARREAR

Aqui na Serrinha, no início do século, eu frequentava 3 points onde rolava a intera pra maconha e pro Corote, o Castelo de Greisco, o Big Bródi e o coió do Jovem.
O Jovem arranjou um 3 em 1 mas não tinha discos e eu, vendo aquela barreira de cachaceiros jogando conversa fora sem escutar um som e tendo  radiola de bobeira, resolvi emprestar uns discos que ficaram por lá uns 5 anos e, quando precisei pegar o trecho os recebi todos de volta, não faltava um. E tudo conservado.
Neste lote tinha  Flor do Xique Xique, Temucorda,   João Lopes, César Barreto, Camisa de Vênus, Alceu e Geraldinho, Marcelo Nova, Raízes do Oelô, Tomalira, Edson Gomes, Raízes do Pelô, Alceu Valença,  Papete, dentre outros que não lembro agora.
Mas, o disco preferido da galera era O Som Da Negadinha, Não Negai de Luiz Wagner, um disco de reggae e Olhos Vermelhos era a trilha daquele lote de vagas que, muito loucos saiam à rua cantando:
- Hey ô Marijuana, Hey ô Marijuana/ esses olhos vermelhos essa boca tão louca, muito louca....
Daquela turma uns 8 já morreram, 6 deles de cirrose; não perdemos nenhum pro corona. Uns 3 não bebem mais hoje em dia, nas a maioria tá na ativa ainda.. 
Eu também escapei e dei a triste notícia da morte de Luiz Wagner pra galera, o  cara daquele disco e daquela música, maior tristeza.
Aqui na minha Quebrada o guitarreiro era considerado pela galera, foi conhecido e cantado

BALADA DO ANDRÉ

Um filho é um passarinho
Um filhote que a gente cria
Protegendo seu ninho
Dando comida no bico
Vendo crescer o bichinho
Dói quando tem que botar de castigo
Mas não  pode jogar pedra no amiguinho!
                            (papai hasb)❤️

BICO DOCE

Os lábios  dela são como néctar 
Da mais pura e bela  flor
Menina do  bico doce 
Já provei sou sabedor
Lavandeira, curió 
Passarim beliscador
Vivo em busca do seu mel
Jaçanã ou beija flor 
Eis que sou uma abelha 
Dando voltas sem parar 
Procurando o melhor pouso 
Para minha flor provar

MADRUGAL

Eis que  Invadem minh'alma
No momemto de  você  partir
Me ressta, ainda um verso
E o que dooooooói faz machucar
Não quer dormir 
Só  quer regresso 
Não vai deixar 
Que desapareça 
Então, te peço 
Fiques aqui
Não vás 
Depois que amanheça  
Sinta-se querida, amada
Cantarole esse 
fado  na madrugada
Entre o choro e a alegria
Pra  despertar
Caso amanheça  o dia

DITO DO PEITO

Dentro de um peito aflito 
Pulsavam as frases
Que a voz  não ousara dizer
Silenciadas, as  pronúncias
Corriam pelas artérias 
Nas diluídas renúncias 
Que foram silenciadas
Nos labirintos das veias
As mensagens cifradas
Perecem quando não  faladas
Podem sangrar  as palavras
Quando não pronunciadas

Depois de Enxaguar os Pratos ( ouvindo Clodô, Climério e Clésio)

Preste atenção 
Depois de enxaguar pratos 
Eu vou me calar 
Uma mentira bem longuinha
Difícil de acreditar
Não tenho dúvida 
Difere de não viver 
Diferente de lembrar
Que a morte não tem 
Emoção. 
Esse andar ligeiro
Muita gente aprendeu
Saiu do caminho 
Veio o golpe do inimigo
Me fez em pedacinho
Me desligou daquele jeito
Deixou sem tensão

Ah! Mais como é bela
Essa nossa vida de pião 
Antes de não ter grana pro cigarro 
Faltou a intera  do feijão..

COMPANHEIRO SOPA

Nascido e criado no sertão baiano, parte norte  da Chapada Diamantina, nunca fui o que se pode considerar como  um folião; meu pai e meus tios eram, animados foliões dos carnavais das antigas daqueles que usavam mortalha no meio da multidão e frequentavam os bailes de salão nas madrugadas momescas dos clubes.

Até os 11 morei numa pequenina cidadezinha que tinha carnaval de salão no único clube da cidade, o 15 de Novembro com matinal e matiné para as crianças   no sábado e no domingo e os bailes da gente crescida nas noites carnavalesca. Trio elétrico fui ver ao vivo aos 12 anos quando se iniciava a movimentação  que deu na Axé music e até os 15 ia atrás dos trios e pulava os muros dos clubes para ver os shows .

Apartir  de 1986, já morando em Itaberaba conheci  Salvador,  a capital  do estado. Passei a ir pra lá com frequência  e em 88 fui tentar a vida por lá  e este período de seu justamente na época que o Olodum e a música afro assumiram o destaque no Carnaval baiano. Neste primeiro ano, quase todos os domingos no final da tarde, lá estava eu no Largo do Pelourinho acompanhando os ensaios do Olodum; frequentei alguns eventos no Ylê Auê,  Malê de Balê e do Muzenza; estive no Carnaval de rua, meu começo se deu pelo antigo reduto de concentração da “esquerda festiva “, no Clube de Engenharia e nos becos e vielas do 2 de Julho.

No meu segundo ano em Salvador,  como torcedor  do Bahia e encantado com o calor da sua torcida,  eu morava numa República estudantil a menos 15 de  minutos de caminhada da Fonte Nova e trabalhava na Ladeira da Fonte em frente ao estádio, foi tudo intenso e,   enjoado das farras no início de 89, resolvi passar o período carnavalesco no interior,  em Jacobina.

Ao voltar  fiquei sabendo de um fato que muito me impactou e me deixaria registrado um desgosto com relação ao carnaval. Quando fui morar em Salvador, fui estimulado e apoiado por amigos pequeno burgueses,  gente com faculdade pronta sem inserção  na periferia e eu  já tinha construído  conhecimento com soteropolitanos, principalmente entre a juventude que militava em torno da oposição gráfica e, nessa turma tinha o companheiro Sérgio, Serginho, o Sopa, militante  do Movimento de Defesa dos Favelados   e morador de Nova Alagados;  foi ele quem me mostrou a Salvador Suburbana, o povoado  das palafitas que eu sabia através dos relatos do meu pai de quando elemorou com a minha vó  nas invasões do Uruguai entre o final dos anos 50 e início dos 60. Sopa era um   jovem sonhador, parceiro, amigo, gente boa,  um grande coração. Tínhamos a militância e conversávamos muito, criticamente, sobre os rumos daquela luta,  as posturas vacilantes das “direções “,  falávamos de músicas, coisas, lugares, marcavam  presença nas festas de largo, pinotar nos ônibus, pular o muro da estação de trem e tomar muita cachaça juntos.

Num dia do Carnaval de 1989, Sopa com seus 20 e pouquíssimos anos, descendo na Pipoca da Castro Alves, rolou uma confusão e ele é  empurrado sobre a caixa de isopor de um vendedor de cervejas estúpido que, ante sua impossibilidade de arcar com aquele prejuízo financeiro, lhe desferiu uma garrafa, quebrada  na jugular. Fatal, morte instantânea,  seu corpo, recolhido ao IML, passou uns 3 dias como indigente até ser encontrado e identificado pelos amigos da Quebrada.

Uma morte banal numa madrugada de Carnaval ceifou uma vida de sonhos, um futuro foi negado  aquele menino nascido na insalubridade das palafitas, criado na necessidade e na falta das coisas, que contrariou as estatísticas aprendeu a ler, escrever e tomou consciência  da vida. Era sabedor de que pra melhorar sua comunidade seria preciso mudar a cidade, o estado, o país  e o mundo. Morreu sabendo que essas mudanças passavam pela cabeça das pessoas,  combatia a estupidez e por ela foi morto.

Desde então,  Carnaval me lembra estupidez, eu próprio, quando frequentava, muitas vezes  briguei atrás do trio, sozinho  ou de galera; sair na mão  com “puliça” desarmado, já me foi prazeroso mas, desde aquele carnaval de 89, a folia momesca me é  indiferente a, perdeu a graça

Lembro da última  vez que nos vimos, rapidamente, na estação  da Lapa, eu subindo as escadarias do Central e ele descendo as mesmas escadarias vindo da Barroquinha pra pegar um ônibus  pra Plataforma  no seu suburbio Ferroviário.

Aquele ultimo e efusivo sorriso de alegria visto pela ultima vez, ficou retido na minha lembrança.

COMPANHEIRO  SOPA, PRESENTE!!!!

SEMPRE

 

BAILE NA QUEBRADA: TÁ TUDO DOMINADO.

Baile na Quebrada?

Nesses tempos de Covid, significa aglomerações, terreno fértil para a proliferação do vírus.

Mas, além da incoerência conjuntural, um baile na Favela tem o significado do completo domínio da Quebrada pelo crime organizado e o desorganizado. O mais famoso nas terras paulista é o baile da 17, em Paraisópolis, uma Quebrada encravada no Bairro do Morumbi, próximo ao Real Parque, outra grande favela encravada no luxuoso bairro do Morumbi, sede do governo estadual  na capital paulista. Não muito distante do Complexos do Jardim Ângela, Jardim São Luís, Campo Limpo e Capão Redondo, Pirajussara, zona sul   e berços do rap na cidade. Morei, tramoei e frequentei essa região nós anos 90 e retornei para morar em 2018.

Outro famoso é o da 27 de Novembro, na Zona Leste, rua que começa em Artur Alvim, adentra pelo vale da Gamelinha e termina na Avenida Itaquera nas imediações da Vila Nhocunhé. Morei nessa região em 2016 e 18 e minha irmã mora a mais de 20 anos por ali.

A música que rola é o funk batidão, derivado do carioca, mas o som dos paulistas tem peculiaridades próprias e a dinâmica dos bailes também.

Sem saber o que seja uma biqueira, o papel do campana e o que venha a ser o "irmão" da área, impossível analisar em sua totalidade para separar a visão discriminatória que a "cidade de bem" faz dos bailes e a "romantização" promovida pela "gente boa" que não frequenta bem mora nestas comunidades.

A biqueira é o ponto de venda de drogas, o campanha é o olheiro que fica na vigilância para avisar sobre a chegada da polícia e para dar pressão nos usuários vacilões. O gerente administra a biqueira e o "irmão" é o diretor regional do crime designado pela facção que domina a ilicitude. Arrego é o pró labore pago para que as polícias ( civil e militar) não incomodem o negócio; quando essa contribuição atrasa, ocorrem as batidas policiais, apreensões de drogas, dinheiro e funcionários da narco atividade. 

A experiência de morador dessas áreas me fez constatar que no início dos anos 90 a maconha perdeu o posto de produto mais vendido para o crack que chegou de forma fulminante e alavancou a construção do poderio da facção. Hoje embora ainda venda maconha, crack e lança perfume, os pinos de cocaína são os produtos de maior sucesso comercial. A exploração de caça níqueis pelo pequeno comércio mediante comissão pra "firma" também tem a sua importância econômica.

E os bailes? Não ocorrem nem ocorreriam sem a anuência da direção criminosa e possibilita o empreendedorismo local. Butecos, barracas de capeta e de lanches e as mais diversas virações da comunidade dependem desses bailes para garantir o sustento de muita gente embora os transtornos que estás aglomerações provocam sejam um tormento para os moradores; o barulho em elevados decibéis, a movimentação de veículos e pessoas, as tretas e sua um monte de chateações são relevadas ou silenciadas pela ostentação do poderio da traficância.

No quesito da alienação, os bailes cumprem a sua função de auxílio à manutenção da sujeição ideológica da imensa massa de moradores aos interesse da dominação de classe. Os jovens são cooptados desde cedo com essa movimentação na porta de casa e o conteúdo das letras reproduz o machismo, a ignorância e a opressão, educando, dessa forma, a juventude para a vida anestesiada e sem consciência de classe com um pseudo pertencimento. E é isso, ao meu ver, a que exalta a utilização de uma jovem negra, pobre, criada  numa casa cheia de irmãos uma faxineira mãe solteira para vender a meritocracia esportiva com o verniz da superação de forma que a vida na Quebrada é apresentada como lúdica e que o capital possibilita a inclusão de todos. 

O orgulho de favelado que já foi elemento de contratação hoje vira um estímulo a integração social ao tempo que o negócio baile vai perdendo o estigma e, dessa forma, a" firma" possa a continuar expandindo seu domínio territorial assim como aumentando a sua lucratividade.

 

JESSE OWENS A CORRIDA CONTRA O RACISMO E O NAZISMO

Em época de olimpíadas sempre se fala em Jesse Owens que, em 36 na nazificada Berlim levou 4 ouros: nos 100 e 200 metros rasos, no salto em distância e no revezamento 4 x 100 metros. Sua vitória muito desagradou o fuher, pois, as vitórias do negro faziam ruir, no atletismo, o discurso da supremacia ariana.

Aquela altura, JC tinha 23 anos de idade e faziam 9 que ele, caçula de 10 irmãos, e neto de escravos havia, junto com sua família migrado para o Ohio numa marcha de mais de 1,5 milhão de pessoas que fugiram da segregação sulista do Alabama. Enquanto estudava numa escola mista trabalhava como engraxate para ajudar nas despesas de casa e em 1930 começou a  se dedicar ao atletismo mas, embora tenha disputado as seletivas para os jogos de Los Angeles em 32 não se classificou. Em 33, disputou 79 provas e venceu 75 o que lhe possibilitou uma bolsa na Universidade Estadual do Ohio; trabalhava como ascensorista estudava no elevador. Não podia dormir nos alojamentos da Universidade pois não aceitavam negros por lá então dividia o aluguel com outros colegas e fazia sua própria comida pois no refeitório da Universidade não serviam negros.

Após os jogos Jesse passou a fazer apresentações para se manter e foi expulso da Associação de Atletas acusado de ter se tornado profissional, o que não era admitido. Foi monitor de criança, frentista e até abriu uma lavanderia. Nos anos 50 trabalhou para o departamento de Estado como Embaixador da Guerra Fria promovendo o atletismo.

Na volta pra casa, depois de ser homenageado pelas ruas com chuva de papel picado pelas ruas de NY,  foi obrigados usar o elevador de serviços no  Waldorf Astoria, onde seria homenageado.

Somente no final da sua vida veio a admitir ter sido vítima de preconceitos e discriminação racial quando declarou que sua maior vitória não fora ter  enfrentado o nazismo e, sim, ter abalado o sistema de discriminação racial nos Estados Unidos. Mas só veio a admitir  ter sido vítima de racismo no final da vida . Não marchou com o pastor King e, na Cidade do México nos jogos de 68 condenou o protesto de Tommie Smith e John Carlos que ergueram os punhos cerrados em alusão a luta dos Panteras Negras, fato pelo qual se retratou e pediu desculpas públicas.

Morreu em 1980 decorrente de complicações pulmonares.

MESTRES DO 7 CORDAS - DOIS FUNDAMENTAIS DE UM INSTRUMENTO FUNDAMENTAL ( DINO 7 CORDAS E RAPHAEL DO 7 CORDAS)

      O Violão de 7 cordas é um instrumento até recente na história musical, foi desenvolvido na Rússia no século XIX, onde era bastante usado na música popular e na cigana e foi introduzido no Brasil através de China de Pixinguinha e  violonista do grupo os Oito Batutas  ao voltar de uma excursão à Europa encomendou a um luthier que fizesse um para ele.  Outros dizem que o instrumento aqui já estava pelas mãos da pequena comunidade de ciganos oriundos da Rússia que interagiam com a Pequena África - comunidade de negros e nordestinos que se reuniam na Praça Onze, no Rio de Janeiro, por esta via, Tute, um violonista muito conhecido nas rodas de choro cariocas, teria encomendado que seu luthier fizesse um para ele.
          Inicialmente, adotado no choro teve seu uso impulsionado depois que  Pixinguinha, por problemas fisiológicos, trocou a flauta pelo sax tenor, desenvolveu contracantos que eram fraseados de respostas à melodia original em região muito próxima ao 7 cordas que foi incorporado, de vez, na famosa formação que ficou conhecida como Regional: violão de sete cordas, violão de seis cordas, cavaquinho e pandeiro. O Regional também utilizava o acompanhamento de outros instrumentos como: bandolim, flauta, clarinete, trombone,  e de instrumentos rítmicos, como tambor, reco-reco e surdo.
Do choro, o 7 Cordas passou a ser utilizado no samba também onde adquiriu algumas características melódicas diferentes no  seu fraseado.
Hoje, até em formações jazzísticas o 7 é utilizado, sua marcaçação na regiçao grave pontuando as notas de harmonia, ora fraseando em contraponto a elas em muito influenciou o desenvolvimento da música no Brasil.
             E a história deste instrumento aqui pode ser pontuada ente antes e depois de Horondino Silva, mais conhecido como Dino 7 Cordas, reconhecido pélos violonistas como o Mestre maior do instrumento. Embora fosse músico de profissão desde 1936 quando passou a integrar o Regional de Benedito Lacerda como violonista foi , somente  em 1954  que adotou o 7 cordas como instrumento após encomendar um exemplar; de 66 a 96, quando diminuiu o ritmo da sua carreira musical, ele fez parte do conjunto Época de Ouro.
            Dino também acompanhou e gravou com um grande número de artistas sendo um dos mais requisitados músicos durante a sua carreira e foi a influência direta para quase todos os grandes tocadores deste instrumento que vieram depois como Raphael Rabelo, Rogério Caetano, Hélio Dellmiro, Marco Pereira e Yamandu Costa. Faleceu em 2006 aos 88 anos de idade.
         Raphael Rabelo teve uma vida breve, apenas 33 anos, de família musical, sua irmã tocava cavaquinho e seu irmão mais velho havia lhe ensinado a tocar violão mas, influenciado por Dino, adotou o 7 Cordas. Ele tinha apenas 14 anos quando fez sua primeira gravação acompanhando Turíbio dos  santos em um choro. em 1994 se mudou para os EUA onde foi lecionar música numa Universidade em Los Angeles, voltou no ano seguinte pra gravar um disco em que buscava resgatar a obra do grande Capiba, mas veio a morer antes de terminar e lançar o obra.

"Ele não tem limitações. Técnica, velocidade, bom gosto harmônico, um artista completo." – Dino 7 Cordas sobre Raphael

FIM DA JORNADA

Pensamento esvai-se feito fumaça  A palavra destilada na cachaça  A doenceira cruel e fulminante  Sorrateira, que tudo varre  num instante  ...