PF DE POBRE

Burguês que dita a lei
Chegará tua desgraça
Sobras não comerei
Passo fome de pirraça
Pra ceiar o que  sonhei
Escalpo de reaça

FILOSOFIA DA MARRETA

Seu $ilvano 
Faça o favor
Me forneça uns mantimentos fiado
Pago, não sei o dia
Ando endividado
Chorano, fazeno, poesia
Tô passano apurado
E a sua  Mercearia
É onde posso ser saciado
Não me negue isso
Passei o dia batendo marreta
Mas não terminei o serviço
Não pude receber
Uma parte vai ter que cavar
Purisso, eu queria saber
Falta fazer uma valeta 
E, se o amigo pudesse fornecer
Uma pá, uma enxada e a picareta
Terminano, venho trazer
Vou usar na empreita
Pois num tem lá na obra
Pago sua caderneta
Com o dinheiro que sobra
Se precisar, depois peço mais
Se esse fim de semana acabar
Me confie um botijão de gás

Fé, Swing, Votos e Morte - Um conto familiar pelos bons costumes

Que flor deslize para ser apedrejada
Sofrer tão cruel castigo?
Matou o parceiro trapaceiro e amigo
Fingiu seu amor
Pra fazer o casal 
Titulou de pastor
Um bucado de filho pra ser pai
Altos love em Dubai
Swing até de manhã
Domingo antes do culto
Ver o Flamengo no Maracanã
O filho comia a mãe,
O pai comia a irmã 
Família toda devota
Na sacanagem feliz
Comandando com a xoxota
Lá estava Fodí Liz
Aquela carinha safada
De quem gosta da putaria
Acabou virando deputada
 Federalizou a orgia
Comandada pela pastora
Uma das mais afamadas
Na bancada conservadora
Mais o pastor se insurgiu
Flor passou a trepar
Com pessoas mais importantes
A relação ficou abalada
Os 2 ficando distantes
Ele a acusava
De colecionar mais amantes
Ela disse fuleiro
Tome vergonha na cara
Quem lhe sustenta é meu dinheiro 
E bom ficar esperto
Deixe de se assanhar
Saia logo de perto
Senão te mando matar.
Assim mesmo ela cumpriu
Coligada com os filhos
O conjo tinha saído dos trilhos
Botara as unhas de fora
Foi o fim do pastor
No inferno tá agora.
A Muié tá em Brasília
Na Câmara dos deputados
Defendendo nossa família
Pensando que somos bobos
Brasil acima de tudo
Deus acima de todos.

A ilustração se chama A Meretriz da Babilônia, na Briba representa a falsa religião e tá no Livro de Apocalipse, cap. 17 e 18

SUTAQUE BAIANO

Na regra gramatical
A desinência modo temporal
Indica que no verbo o tempo com o modo tem que estar combinando
O gerúndio indica uma ação  que o tempo vai prolongando
Termina em n-d-o
Mas pra quê o D?
Da minha janela eu vou perguntando
Encurtamos a palavra engolimos o D 
Por isso que em SP
Costumam dizer
Que todo baiano
Fala cantando.

Janela abrino
A vista vai longe
Horizonte sumino
Nela pensano
Fumaça subino
Veno ela
Da minha janela
Nel'eu pensano
Veno 2 mundos
Na grota tá garoano
Pros lados do sertão
Nem siná de chuva formano 
Tefone toca 
Mainha chamano 
Me lembra que essa sumana
Eu troco de ano 
Desde quano nasci
Eu sigo lembrano
Bem na procissão
Binidito lovano
Surgiu contração
As dô aumentano 
Cadê seu Wilso 
Povo perguntano
Chegou pôs no carro
E pro ispritá foro ela levano
De  madrugada
Chutei avisano 
Esquenta tambô
Que eu tô chegano 
A bolsa rompeu
Minino chorano 
Dei um soluço 
Inguli o D
Fui pra casa cantano
O tempo passou
O mundo rodano
Fui pras Quebradas
Gíria dos mano
Dichavano a letra
As ideia eu ia trocano
Os truta já reparavam
Que cerol daora
sutaque baiano.

Na regra gramatical
A desinência modo temporal
Indica que no verbo o tempo com o modo tem que estar combinando
O gerúndio indica uma ação  que o tempo vai prolongando
Termina em n-d-o
Mas pra quê o D?
Da minha janela eu vou perguntando
Encurtamos a palavra engolimos o D 
Por isso que em SP
Costumam dizer
Que todo baiano
Fala cantando.

GUIZO DE FEDEGOSO

Ao comando do xaxará
Inicia o som da viola
Zabumba começa a marcar 
Compasso da remandiola
Pra acompanhar o ganzá 
Triângulo bate nervoso
Pro groove ficar mais gostoso 
Vou no mato  buscar 
Fazer um guizo e amarrar 
Chuá  de fedegoso.

Chiar do sizeiro no meio do tempo
Sinal de aviso
Chacoalha o chocalho
Zuada do guizo balança no vento
Que sopra o arbusto tocando as bagens depois do orvalho

Se voismicê tiver na vereda
Não vá desatento, perceba a zuada
Corte caminho, e pirigoso
Que a cascavéi vai tá infezada
Um gafanhoto na roça de milho Esfrega  as asas na revoada
Não saia correndo, meu filho
Que não existe perigo de nada

MESTRES DO 7 CORDAS - DOIS FUNDAMENTAIS DE UM INSTRUMENTO FUNDAMENTAL ( DINO 7 CORDAS E RAPHAEL DO 7 CORDAS)

       O Violão de 7 cordas é um instrumento até recente na história musical, foi desenvolvido na Rússia no século XIX, onde era bastante usado na música popular e na cigana e foi introduzido no Brasil através de China, irmão de Pixinguinha e  violonista do grupo os Oito Batutas  ao voltar de uma excursão à Europa encomendou a um luthier que fizesse um para ele.  Outros dizem que o instrumento aqui já estava pelas mãos da pequena comunidade de ciganos oriundos da Rússia que interagiam com a Pequena África - comunidade de negros e nordestinos que se reuniam na Praça Onze, no Rio de Janeiro, por esta via, Tute, um violonista muito conhecido nas rodas de choro cariocas, teria encomendado que seu luthier fizesse um para ele.
          Inicialmente, adotado no choro teve seu uso impulsionado depois que  Pixinguinha, por problemas fisiológicos, trocou a flauta pelo sax tenor, desenvolveu contracantos que eram fraseados de respostas à melodia original em região muito próxima ao 7 cordas que foi incorporado, de vez, na famosa formação que ficou conhecida como Regional: violão de sete cordas, violão de seis cordas, cavaquinho e pandeiro. O Regional também utilizava o acompanhamento de outros instrumentos como: bandolim, flauta, clarinete, trombone,  e de instrumentos rítmicos, como tambor, reco-reco e surdo.
Do choro, o 7 Cordas passou a ser utilizado no samba também onde adquiriu algumas características melódicas diferentes no  seu fraseado.
Hoje, até em formações jazzísticas o 7 é utilizado, sua marcaçação na regiçao grave pontuando as notas de harmonia, ora fraseando em contraponto a elas em muito influenciou o desenvolvimento da música no Brasil.
             E a história deste instrumento aqui pode ser pontuada ente antes e depois de Horondino Silva, mais conhecido como Dino 7 Cordas, reconhecido pélos violonistas como o Mestre maior do instrumento. Embora fosse músico de profissão desde 1936 quando passou a integrar o Regional de Benedito Lacerda como violonista foi , somente  em 1954  que adotou o 7 cordas como instrumento após encomendar um exemplar; de 66 a 96, quando diminuiu o ritmo da sua carreira musical, ele fez parte do conjunto Época de Ouro.
            Dino também acompanhou e gravou com um grande número de artistas sendo um dos mais requisitados músicos durante a sua carreira e foi a influência direta para quase todos os grandes tocadores deste instrumento que vieram depois como Raphael Rabelo, Rogério Caetano, Hélio Dellmiro, Marco Pereira e Yamandu Costa. Faleceu em 2006 aos 88 anos de idade.
         Raphael Rabelo teve uma vida breve, apenas 33 anos, de família musical, sua irmã tocava cavaquinho e seu irmão mais velho havia lhe ensinado a tocar violão mas, influenciado por Dino, adotou o 7 Cordas. Ele tinha apenas 14 anos quando fez sua primeira gravação acompanhando Turíbio dos  Santos em um choro. em 1994 se mudou para os EUA onde foi lecionar música numa Universidade em Los Angeles, voltou no ano seguinte pra gravar um disco em que buscava resgatar a obra do grande Capiba, mas veio a morer antes de terminar e lançar o obra.

"Ele não tem limitações. Técnica, velocidade, bom gosto harmônico, um artista completo." – Dino 7 Cordas sobre Raphael

18 CANGAIAS

Dúzia  e meia de cangaia
36 cabeçotes tem
Onde anda ela agora 
Só promete e não vem?
É  triste a dor da espera
Aguardando por alguém
A gente sofre de dia
Chora de noite também 
Revira na cama aflito
Caçando o que não tem
Dormir sozinho  é fogo
Pior acordar sem ninguém 
Vou partir em sua busca
É o que me convém
O difícil é a passagem
No meu bolso nenhum vintém
Tô devendo na farmácia
Não paguei  o armazém
O jeito é ir de carona
Ou pongueando no trem
Pois sei se eu não for
Tampouco ela não vem
Se não  teve avemaria
Não espere o amém 
Prometer  de tudo a ela
Ser a única do harém
A dona do meu tudo
Darei todo meu bem
Dúzia e meia de cangaia
36 cabeçotes tem
Onde anda ela agora
Só promete e não vem? 

SAMBA DO ALICATE

Essa ferramenta 
Simboliza minha forma de ganhar pão, ô meu ganha pão 
Sou um artista
Pintando e bordando com o alicate na mão 
Especialista 
Em qualquer tipo de instalação 
Eletricista 
Correndo trecho nessa vida de pião.

NO CHÃO BATIDO DAQUELA COZINHA

Não terminei
Digo que tô no começo 
Aquilo que não tem preço 
Para mim é  de valor 
Do meu amor
Sei nome, sei endereço 
Dela jamais  esqueço 

Dei deitava nua
Numa esteira de tabua 
Forrada com edredon (edredon)
No chão batido daquela cozinha 
Eu deitava com minha  neguinha 
Sexo era bom, muito bom.
Ali mesmo a gente dormia
Acordava de madrugada 
E outra vez repetia

Vem cá minha neguinha
Uma chupada no seu neguinho
Te amar é muito bom
Vamos fazer de novo
Mas vamos gemer bem baixinho
Pra não acordar o povo

COCO DO EJA

A vi ao pé do balcão
Tomando 1 cerveja
Eu, logo cheguei chamei Geneci
Pedi uma  cachaça, uma dose de Carqueja 
Pinga que só brabo bebe
De vez, não deixa sobeja
Apontei uma passarinha
Dentro da estufa, numa bandeja
Como dizia Bira
Depende, conforme seja
Ela logo me disse
Que detesta a onda breganeja
Lembrei daquele sonho
A perna chega moleja
Me diga, me ouça, me olhe, me veja
Por você topo o perigo
Por mais brabo que isso seja
Só venho nesse risca faca
Esperando que você esteja

COCO DE MARTELO

Cantadô, ô divagar
Seja humilde, não se assanhe
Vai tirar coco comigo
Duvido que você ganhe
Venha na sua soberba 
Farei com que apanhe
Lhe corto em coco de martelo
Sem deixar que me arranhe
Num venha afobado
Chegue divagazim
Cantadô que se achá invencive 
Pode se achegar a mim
Ei de dá-lhe uma cossa
Pra sair todo tortim
Enquanto ninguém desbancar
Cantarei meu coco assim

Meu coco é firme,  meu coco é  forte
Num tem, nunca teve, medo de nada
É prego batido, é madeira lascada
É aço rompendo, é  ponta virada
Rasgando pra dentro, broca temperada
Cantadô segure a rima, sinta a potência dessa martelada

NUM TE QUERO MAIS

ESSA CHULA VAI PROS  SAMBADORES  DE CAPELA DE ALTO ALEGRE PRINCIPALMENTE PRA ZÉ BURQUIA  SAMBADOR  AFAMADO  QUE ME ENSINOU ESTE  MOTE. 
LEMBRANDO  DELE,  OS VERSOS  VIERAM  NO REPENTE  

Não te quero mais
Não te quero mais
Mesmo que volte chorando
Não te quero mais 
A neguinha foi embora
E agora? 
Que é  que faz 
Pra fazer amor na cama
Dividir o Botijão de gás? 
Sua ausência é  sentida 
A cachaça tá   demais 
Mas mesmo que volte chorando
Eu não quero mais 
Não te quero mais
Não te quero mais 
Mesmo que volte chorando
Eu não quero mais 
O chefe mandou embora
Me deixou endividado 
Mas o novo empregado
O serviço  não satisdaz
O patrão é um safado
Um capeta, o  satanás 
Mesmo que peça pagando
Eu não volto  mais
Não te quero mais
Não te quero mais 
Mesmo que peça  pagando
Eu não quero mais 
Falso amiigo foi embora
Era um dissimulado 
Eu sincero, ele sagaz
Mas a sua nova turma
Agora não lhe quer mais
Se chegar arreberano 
Peço que me deixe em paz
Não te quero mais
Não te quero mais
Se chegar arreberano 
Peço que me deixar em paz 
Não te quero mais
Não te quero mais
Mesmo que volte  chorando 
Não te quero mais 
Mesmo que peça pagando 
Não te quero mais
Se chegar arreberano 
Peço que me deixe m paz 
Não te quero mais
Não te quero mais.. ..

COMPONDO UM BREGA INACABADO

Seria tão diferente
Se eu fosse um Elino Julião
Saberia dizer diretamente
Ao seu coração timtim por timtim
E faria uma canção 
Pra você gostar de mim

Essa música eu cantaria
E nela te diria
Se a  a voz fosse de um Hélio Portinhal
Mas eu nem arriscaria
Porque canto muito mal
E ela sempre foge
Não espera o final

MEU TIME MINHA QUEBRADA

Vamos Caveira,   vamos Caveira
A vida é osso
E não  somos brincadeira
Vamos Caveira, vamos Caveira 
Somos Quebrada 
E não vamos dar bobeira
Onde eu moro é barraco
Vivo na minha Quebrada
Bebo cachaça de dia
Trabalho de madrugada 
O trampo é  cativeiro 
Jornada de condenado 
Corpo só anda quebrado 
Nunca me sobra dinheiro 
Manutenção predial, minha filha
Em obra corporativa 
Um back de meia noite
A mente sempre ativa

Vamos Caveira,   vamos Caveira
A vida é osso
E não  somos brincadeira
Vamos Caveira, vamos Caveira 
Somos Quebrada 
E não vamos dar bobeira
Voltar no primeiro trem
E baldear pro Metrô 
As mãos cheias de calo
Os pés moendo de dor
Domingo no Caveirinha
Ver o meu time jogar
Chego logo cedinho
Pra assumir meu lugar
No banco do fumacê 
Bahia é Nego Véio 
Outro firmeza é  o Gê 
Meu violeiro é  o Guina
O professor é  Nenê 
Vamos Caveira,   vamos Caveira
A vida é osso
E não  somos brincadeira
Vamos Caveira, vamos Caveira 
Somos Quebrada 
E não vamos dar bobeira

REPENTINO