VOCABULÁRIO YORUBÁ


YORUBÁ

As palavras em yorùba têm vários tipos de acentuações, para definir o significado e a pronúncia das mesmas.
- No alfabeto Yorùbá não existem as letras "C, Ç, V, X e Z".
- As cinco vogais, a, e, i, o, u, têm o mesmo som que no português.
-Existem duas vogais modificadas, que são o "e"e o "o" com um ponto sob as mesmas, que por problema técnico substituiremos por um traço, que são pronunciadas como se fossem a nossa "é" como ouvida em : média, rédia,reta e, nossa "ó" como ouvida em: nó, voto, pó.
- No caso das consuantes notar que:
"g" tem sempre um som áspero, como em: gol.
"j" é sempre suave, como em: dia ( como se pronunciasse djia ) .
"h" sempre tem o som distinto como um som aspirado, mas nunca mudo.
""p" e "gb" possuem sons que não existem na língua portuguêsa, só ouvindo.
O "s" com um ponto sob o mesmo é pronunciado como se fosse o "ch" ou o "x" .
Os acentos não são empregados como no português.
O circunflexo indica uma contração de duas vogais e uma sílaba longa.
Os acentos agudo e grave são, simplesmente, marcas de intonação ( subir e descer da voz ).
VOCABULÁRIO
ÀBÁDÀ - para sempre
ABÁNIDÁRÒ - simpatizante
ABATÀ - trilha, caminho
ABE - navalha, canivete, bisturi
ABÉBÈ - leque de OSUN
ABÈSE - uma pessoa que não presta para nada
ABIAMO - mãe de muitos filhos
ÀBÍKU - a criança que supostamante voltou à vida depois de morta para uma mãe e nasceu outra vez
ABÍWO - chifrudo.( Gíria: "corno" )
ABOYÚN - mulher grávida
ABUKÉ - corcunda, relativo a OSSAYIN
ABÚRÒ - irmão ou irmã mais velha
ADÁDO - solitário, nostálgico
ADÉ - coroa, diadema
ADÉBO - sacrificador de animais para divindade, Ogan
ADÉLEBÒ - mulher casada que mora com o marido
ADIE - galinha, ave doméstica
ADÍDÚN - sopa consistente
ADÍFA - sacerdote de IFÁ
ÀDIMÓ - abraço
ADIMÚLÀ - o Deus todo poderoso, salvador
ÀDÓ - cabaça delgada
ÀDUFÉ - bem amado, admirado por rivais
ADÙNÀ - adversário
ÀDUNÍ - admirado por todos
ADÚPÉ - obrigado
ADÚRÀ - oração, súplica, resa
AFÀIYA - encanto, feitiço, bruxo
AFÁRÍ - barbeado, pessoa de cabeça raspada
AFÉ - prazer, deleite
AFEFE - vento
ÀFIMÓ - calúnia, falsa acusação
ÀFISIRÈ - brincar, divertir
AFORÍJÌ - perdão
ÀGBÀ - mais velho
AGBÁDA - vestimenta, vestido, roupa, vestimenta eclesiástica
ÀGBADO - milho, canjica
ÀGBÁIYE - o mundo todo, o universo
ÀGBÁNRERE - rinoceronte, unicórneo
ÀGINISO - catasol, caramujo. Os cultuadores da divindade OS são proibidas de usarem a palavra "ÌGBÍN" para designarem Catasol, portanto eles usan "AGINISO". U dos secretos animais moluscos que usa nos rituais da divindade OSUN
AGIYAN - formigueiro
AGORO - lebre, coelho
ÀGUTAN - ovelha
ÀIBU - inteiro, todo
ÀIDIDÉ - estar sentado ou deitado
ÀIMÒ - ignorância
ÀÀJÀ - adjá
AJÁ - cachorro
AJABÒ - comida feita com quiabo amassado. Oferenda à SÀNGÓ
ÀJANAKÚ - elefante
ÀJAO - morcego
ÀJAPÁ - tartaruga, cágado
ÀJÉ - feiticeiro, bruxo; bruxa, feiticeira
ÀJODUN - aniversário
ÀKÉTÉ - chapéu
AKÍLO - adeus, despedida
AKO - prostituta
ÀLÀ - roupa branca
ALÁMO - aadivinho, vidente
ALÁYA - homem casado, marido
ÀLE - amante, concumbina, namorado
ALÉGBÀ - jacaré
ALÙMON GÀJÍ - tesoura
AMÒN - barro
ÀNAMÓ - batata doce
ANTÈTÈ - grilo
APÀKO - bambu
ÁPÁÒKÁ - jaqueira
ARÁBÌRIN - parente mulher
ARÁIYE - povo, humanidade
ARÁKONRIN - parete omen, irmão
AREMO - primogênito
ÀRÈMO - criança grande, menino ou menina
ÀROBÁDE - coincidência
ARÚWA - agora
ÀSÁLÙ - pedir proteção a alguém
ASÁN - vaidade, orgulho
ÀSE - amen
ASO - roupa, paramento
ASO INURA - toalha
ASO FUNFUN - roupa branca
ASO ODÚN - roupa de festa
ÀTÀ - cumeeira
ATALÈ - genjibre
ATÃRE - pimenta da costa
AWO - culto
ÀYA - esposa, mulher
ÀYABA - rainha, mulher do rei. Termo honorífico dado às divindades femininas da cultura yorubana
ÀYINRÍN - azul claro
BABA - pai, mestre
BABANLÁ - avô
BÀBUJÁ - fazer um pequeno corte
BÀNTÉ - avental
BÀRABÀRA - apressadamente, rapidamente
BARALÈ - ser cauteloso, precavido
BÁRÉ - manter relacionamento amigável cm alguém
BÁREBÁRE - pouco a pouco, passo a passo
BÉBÈBÉ - aos pouquinhos
BORÍ - alimentar a cabeça, oferecer alimento, sacrifício ao ÒRÌSÀ que protege uma pessoa
BÓROBÒRO - disparate, tolice, conversa tola
BÓTÍ - calmamente
BUBURÚ - malvado, perverso, mau
BURÚ - mau, doente
DÁDÓ - morar sozinho, viver isolado
DÁKE - ficar silencioso, permanecer calado
DÁKEJE - ficar quieto
DÁLÈ - iniciar uma ligação ou concubinato com alguém
DÁLÉJÓ - julgar, censurar
SASA - ótimo
DIDUPE - agradecer
DÒBÁLÈ - prostar-se no chão
DÚDU - preto, cor escura
DÚPÉ - agradecer
DÚRÓ - ficar, permanecer, estar em pé
DÚRODÈ - esperar
ÈBGÓN - irmão mais velho
EBO - sacrifício
EBORA - um homem forte, aquele que é notável, um mito poderoso
ÈÈWÒ - proibição, quizila
EFUN - giz, cal, pemba
EGBÉ - comunidade
ÈGBO - canjica
EIYE - pássaro, ave
EJA - peixe
ÈJÈ - sangue
EJÒ - cobra, serpente
EJÓ - problrma, assunto, caso, falta
ÈKÉ - mentira, falsidade
ELÉDÈ - porco, suíno
ELÉKE - mentiroso, mexeriqueiro
ÈLIRI - camundongo, rato
ENÍ - esteira, capacho
EPO - azeite de dendê
ERÈ - jibóia
ÈSE - gato
ESIN - cavalo
EWÈ - folha,folhagem
EYELÉ - pombo
EYIN - ovo
FÁRI - raspar os cabeça da cabeça com navalha
FUNFUN - branco
FURU - silenciosa e rapidamente
GBÉRÉ - incisão
GÉDE - cortar fora
GÚGÚRÚ - pipoca
IDAKÉ - repouso
IGBÍN - grande caracol comestível
IGBÓ - mato
ILÉ - casa
ÌPADÉ - reunião, encontro
ISU - inhame
ITAN - história, conto
ÌRÙKÈRÈ - ornamento, cauda de búfalo usada pelos sacerdotes ou reis; espanador
IRUN - cabelo
ÌSÁPE - palmas, bater palmas com outras pessoas
ÌYÁLA - cozinheira-chefe
ÌYÁ - mãe
IYÒ - sal
JÀKÓ - macaco
JÓKO - assentar, ficar, tomar assento
JÒJÒLÓ - recém-nascido
JÓKO - assentar, ficar, tomar assento
KÁBÍYÈSÍ - saudação ao rei
KÉKÈKÉ - pequeno
KÒNKÒ - sapo-boi
KÚYÈ - esquecido ( que tem memória jalha )
LATIJÓ - antigamente, há muito tempo atrás
MÀLU - boi, touro, vaca
MÉJI - dois, casal, par, gêmeos
MO JÚBÀ - meus respeitos
MÒNRÌWO - folhas da palmeira dendezeiro
MUTÍ - beber qualquer líquido tóxico
NIDAKÉ - quieto, silencioso
NÍDURO - ereto, em pé
NÍTÌJÚ - acanhado, envergonhado, modesto
OBÀ - rei
ÒBE - faca, canivete
OBEDÒ - verde
OBIRIN ou OBORIN - mulher, esposa, fêmea, feminina
ÒBO - macaco
ÒBÚKO - bode
O DÀBO - adeus
ODEBÒ - verde
ODIDE - papagaio
ÒDO - porco
ODU - destino
ÒFÉFE - azul claro, azul celeste
OFÒ - encantamento
ÒGEDE - encantamento
ÒJÁ - pano branco
OKO - marido
OKOLÁYÀ - casal, marido e mulher
OKONRIN - homem, macho
ÒKÚ - defunto
OKÙNRIN - masculino
OLÓBÌRI - marido, aquele que tem uma mulher
OLÓJUMETI - pessoa falsa, traiçoeira
OLÓMI - aguado
OLÙBÓ - aquele que mantém, sustenta ou alimenta um outro
OLÙFÉ - pessoa amada, um amante
OLÚWO - olhador
OMI - água, suco, sumo
OMIRÓ - água salgada, água do mar
OMI-IYÒ - água salgada, água do mar
OMOBIRIN - menina, filha
OMODE - criancice, meninice, infância, juventude, mais novo
OMOKONRIN - menino, rapaz, moço
OMORE- parente
ÒNI - jacaré, crocodilo
ONÍJÀ - pessoa dada a discurssões, lutador, brigão
ONÍPÈ - advogado, defensor, acusador
ONÍSOKÚSO - pessoa tagarela, um fofoqueiro
OPÓ - viúva
ÒPOLO - sapo, rã
ÒRÉ - amigo
ORÍKÌ - nome de família
ORIN - cantigas
ÒSÀ - ( pronuncia-se ÓRICHÁ )
ÒRÓMBO - laranja
ÒRUKA - anel
ÒRUN - céu, núvem, firmamento
OSÉ - machado de SÀNGÓ( pronuncia-se ÔXÊ )
ORÍ - cabeça
OTÍ - bebida alcoólica ou tóxica
ÒSIKA - pessoa malvada
OWÓ - dinheiro
ÒWÚ - algodão
OYÈ - título, cargo
OYIN - mel
PÁLAP'`ALA - disparate, coisa sem sentido
PÈLÉPÈLÉ - moderamente, cautelosamente
PÉPEIYE - pato
PUPA - vermelho, avermelhado
SÉ ÌPATÉWÓ - aplaudir
SAWORO - guizo
RÉE - símbolo que SÀNGÓ carrega nas mãos( pronuncia-se XÉRÉ )
TAKÉTE - manter-se afastado de, evitar
TÉRÉ, TÉRÉTÉRÉ - em pequenas quantidades
WÚRÀ - ouro
YAKO - ser macho, diferente
YANKAN - vermelho-sangue
YÈHAN - amigo, parente
YÈYÉ - mãezinha, "queridinha "
YIÁ - mãe, senhora
YORÙBÁ
Uma coisinha, antes, Esse texto faz parte de um riquíssimo material sobre as religiões e a religiosidade afro nas américas, Não tá assinado e originou de um arquivo em World.
Não é da minha autoria e minhas primeiras leituras consideraram isto importante.
Até porque nenhum objetivo comercial me move ao fazer isto.
E, pensei, uma pesquisa dessa, merece ser consultada,


A GALERA DA POSITIVIDADE

     Essa galera é de responsa, em algum momento já escutei um som deles e vi ali Black Music no toque, no balanço, no groove. N'outros também já percebi mas, estes, no caso, saíram numa coleção intitulada BRAZILIAN SOUL MUSIC, São 150 gravações divididas em discos com essa galera aí:
Cláudio Zoli, Hyldon, Mo’Jarna, Alexandre Groove, Clave de Soul,  Ivo Meireles, Berimbrown, Renato Jam, Lady Zu, Gerson King Combo,  Sandra de sá, Ed Mota, Almir Ricardo, Robson Jorge, Luís Wagner, Cassiano, Claudio Zóli, Edilza, Jorge Bem, Os Diagonais, Brylho, Black Rio, Tim Maia, Funkadeira, Tony Bizarro, Lincoln Olivetti, Toni Tornado, Don Beto, Fat Family, Patrícia Marx, Vanessa Jackson, Edmon Costa, Benné, Sublimes, Tulia, Deth, Lúcia Perez, Sérgio Rick, Mariano Brow, Léo Shanty, ClauD’Luca. Israel do Carmo, Kacau Gomes,  Bukassa, Maurício Manieri, Região Abissal, Jan Mai, Tatá Reis, Fábio Mondego, Rosana e Thalma Freitas
Breve postarei aqui o link pra descarga

CARLOS MOURA ÁGUA DE CHEIRO




Carlos Moura, nasceu em Palmeira dos Índios, em 1950, por volta do início dos anos 70, já residindo em Maceió fez parte do conjunto "Os Bárbaros", em seguida integrou o grupo "Vento", e já compunha. Maceió ficou pequena para o seu talento e foi embora para o Rio de Janeiro, "virar artista", isso em 1980, seu primeiro LP, Reviravolta, lançado em 1980, não teve o destaque merecido, mas em 82 veio "Rosa de Sol” e a música “Minha Sereia” tornou-se um hino do verão nordestino e seu maior sucesso na carreira, e, ainda tinha "Rosa de Sol", "Beijo de Planeta", "Um Alô Pro Moraes" e "Sete Léguas de Saudade" bastantes tocadas naquele verão.
No ano seguinte, ele lançou Água de Cheiro, um trabalho mais maduro, mais elaborado e mais produzido que, se não fez tanto sucesso quanto o anterior, deu consistência a sua carreira e respeito ao seu trabalho. Particularmente, é o seu disco que mais curto, pois traz inovações do pop à temas regionais. A começar pela gravação de Cometa Mambembe de Carlos Pita, tornando-o um clássico da música regional. Embolada é um galope acelerado com um arranjo bem moderno. Rota Estelar e asa Delta são canções, mais suaves, intimistas. Rubi começa com um toque de Ijexá com uns metais dando seguimento, influência de Moraes, de quem ele era fã confesso. O Trio Elétrico e a Multidão, é um frevo agalopado, tipo carnaval baiano antes do axé. Água de Cheiro e Mal são xotes popeados. Em Brilho e Grandeza, ele retoma o tema do mar, natureza, numa levada bem legal. Choro Matuto finaliza o disco, um chorinho com arranjo de gafieira.

UM BOM DISCO QUE GOSTO MUITO.  

Abaixo, o link para baixar este LP





MINHA LEIRA TÁ VAZIA



No sertão da BA a terra é propícia ao plantio da erva bacana, não fosse o risco do xilindró, maluco de responsa poderia ter a sua plantinha no quintal e curtir seu chazinho de boa, natural, orgânico e de impacto ambiental irrelevante
Mas, não, a galera tem que ser refém de traficante ou isca pra gambé, vira piabinha entre o mar e o rochedo.

O caso é que estão cobrando 10 conto num produto prensado, duvidoso, oriundo do Paraguai, a maior parte é porcaria e 10 conto só gera um finólio e, olhe lá.

Traficante tá arrochando os malucos pra financiar toda a cadeia de propinas, Se eu quisesse me intoxicar de agrotóxicos, o governo liberou um monte mas. como eu gosto de fazer uma fumacinha estou sendo achacado nas biqueiras, ameaçado pelo Estado, monitorado pelos corujões caguetas e excomungado pelos reacionários.
Ainda vem com esse papo de feliz natal, próspero ano novo, como? Se muito louco eu já não curto essas hipocrisias, imagine de cara; Pois não tenho condições de financiar esse círculo vicioso.
LIBERDADE EM MEU QUINTAL
PRA PLANTAR O NATURAL

RAIZ ANCESTRAL DO LADO MATERNO (MATRIARCAL)

TIA Nide, Vó e Mãe  - As 3 nagôs

Essa iria pra, se vivas ainda fossem, minha bisavó, Dona Hermínia, que eu chamava de vó; minha vó, Dona Nega, de nome Almerinda, a quem eu sempre chamei de mãe, que vinha a ser filha de Dona Hermínia, E Vai para Renildes, filha de caçula de Dona Hermínia e irmã de Nega que a chamavam de Nide. Ela chamava a mãe de mãe e a irmã de Nega e pedia benção às duas;Pra mim é Tia Nide. Também pra minha mãe, Isabel, apelidada de Guinho e filha de Dona Nega, a quem eu chamo de mainha.
Eu, bisneto de Ermina, neto de Nêga. Fíi de Guimho e subrinho de Nide, para todas sempre fui Guel, pois pela vontade delas era que eu fosse batizado por nome de Miguel e meu pai registrou Hamilton. Sou Guel de Guinho, porque tinha Guel de Mundinha, a quem eu chamava de Tia Mundinha que era filha de Dona Etelvina, cartomante e amiga das minhas nagôes; mais isso só se estivessem conversando entre elas, com Mariquinha, pu com aquele povo antigo da Serrinha comunidade na entrada da cidade de Jacobina, onde nasci e  elas chegaram por volta dos anos 30, século passado.
As 3 negras, firmes  no costume nagô da matriarca que era filha da primeira geração negra liberta do cativeiro. Catolicismo disfarçante e prece com os encantados, quando eu era pequeno lembro que elas frequentaram o Terreiro de dona Duminga, sendo ativas na culinária religiosa.
Tia Nide hoje mora no Alto do Cruzeiro em Salvador, no Bairro de Pernambués, para onde se mudou com minha vó em 2006. Sempre apareço por lá, apesar de 1 ano ausente; é uma Quebrada que considero e sou considerado, cervejinha, caranguejo, acarajé, café na padaria, pastel no fim de linha, dominó em botecos. São exemplos de eventos que sempre participo, interagindo com a Comunidade. Até na Baixa do Manu, pra desespero de Tia Nide que diz que é um local perigoso, sempre entrei pra ver os amigos, pela entrada da LIP como pelos ladeirões ou escadas no fim de linha dos ônibus.
 Pernambués, assim como a Serrinha, é uma antiga comunidade negra em Salvador, deve ter sido Quilombo, com certeza, passear em suas ruas de manhã e aquele cheirinho de feijão com folha de louro e couro de toicinho dentro cozinhando na pressão, é marcante.
https://prosiado.blogspot.com/

NO SUMARÉ II


A única vez que trabalhei de ajudante em minha vida, foi de ajudante de pedreiro, e do pior pedreiro que já conheci em minha vida. Deixei o Sem Terra definitivamente, no Vale do Rio Gavião, aquele, dos discos do Elomar e morava em Cordeiros num Assentamento a 3 Km da Rua, que é como no nordeste, denominamos a sede do município; plantando hortaliças e vendendo na feira para sobreviver e não estava dando, me matava de trabalhar e sempre na precisão das coisas; ainda estiquei um mês minha partida trabalhando de Operador de Picareta num sol de lascar o cano e um cascalho que a piçarra dava com palmo, durante o serviço da nova rede de água que vinha por gravidade de dentro do Área que era caatinga, um juremal preto retado e, também, cerrado na parte alta. Terminado o serviço, me vi em apuros, pois a barraca estava vendendo pouco e a produção das hortaliças estava cada dia mais difícil por causa do verão tórrido, de uma seca medonha, que em janeiro de 2012 já ia no terceiro ano seguido naquela região.
Aí foi que Tim, um vizinho que sempre ia pra São Paulo trabalhar com “gatos” (emprego precarizado sem registro nem qualquer amparo legal ou procedimentos de segurança) me arranjou uma boca para trabalhar com um desse empreiteiros que pagava minha passagem e garantia alojamento, rechetegue fui. A viagem ocorreu numa sexta-feira, 4 da manhã, fomos numa Van, sem escalas com um único motorista tomando arrebite e Tim o acompanhando; recusei as ofertas durante a viagem, ia encarar aquele degredo de cara. O “gato” estaria esperando em São Paulo e no dia seguinte chegamos na capital depois de ter passado deixando operários em Itu, Campinas, Barueri e, na capital passamos para deixar gente na zona norte, voltamos para o Morumbi e, juntamente com o Tim, ficamos em Moema na casa do “contratante” às 2 da tarde e o cara só chegou às 07 da noite; depois dessa massada ele nos levou ao alojamento no Jardim Ângela, a menos de 1 km de onde eu tinha morado 12 anos antes.
Na segunda, madrugada ainda, o gato passou por lá e nos levou para a obra, era no Sumaré, da TV Cultura, duma igreja famosa, MTV, Vila Madalena, Pompéia, Consolação, Dr Arnaldo. Passei 3 praticamente confinado nessa mansão que estava sendo transformada de um casarão que, avaliando pela arquitetura que era antiga tendo uma sinuosa escada em madeira com um grande espelho aos pés, me parecia que tinha sido uma casa de “reputação duvidosa”  pelos estilo, 4 suítes no pavimento de cima e devia ter sido um recreativo de bacanais dos bacanas industriais, já que, por algumas coisas tipo quadros, envelopes e outros papéis que cheguei a ver no depósito era datada de depois do crack de 29 que quebrou os barões do café. Meus rolês eram pela região, algumas vezes fui ao centro vendia o sábado e folgava o domingo, tinha que fazer render a grana para pagar dívidas e mandar para os que tinham ficado na Bahia. Depois de 3 meses, a obra quase pronta e as contas pagas, fui procurar trampo de eletricista, minha profissão e entrei numa firma que me mandou para o Espírito Santo, Serra.
Chico César, que sempre morou nessa região não se encontrava na cidade nesse tempo, estava em Jampa sendo Secretário de Cultura no Governo Estadual e eu, pela mesma empresa, fui para a Serra, de lá para Campinas e me fixei em Curitiba para aproveitar minha nota do ENEM e tirar uma faculdade, isso durou 3 anos e meio, me formei, divorciei e voltei para capital paulista no final de16. No início daquele ano, Chico César voltara da Paraíba lançando Estado de Poesia e eu que o havia assistido, em 2011, no show do seu disco anterior Francisco Forró y Frevo em Vitória da Conquista na Bahia com o Tio Nego, meu camarada e consultor em coisas dos pampas, Neri, fomos num show que ele fez daquela turnê; Ainda não tinha escutado o disco ora lançado e  ele me vem com No Sumaré,  pensei: posso testemunhar que essa música é verdade, a angústia dos que moram na rua e a arrogância daqueles bacanas incrustrados naquela região manjedoura duma elite preconceituosa e ignorante;
O que chico canta nessa música, posso lhes afirmar, é a pura realidade, morando numa obra, eu via todo dia a vida dos que não tinham teto, como são tratados pelos corteses burgueses paulistas, quatrocentões.






No sábado à noite, resolvi não sair pois, mesmo tendo saído da área como considerado, não era conveniente sair naquela noite inocente dos acontecimentos; Tim foi com uma galera r Guarapirão, desencontrou dos caras esse perdeu. Quando os caras chegaram sem o Tim, mano, endoidei disse que o cara tinha saído de casa comigo, tinha me arranjado aquela boca e teriam que dar conta dele, discuti, ameacei os caras e sai para ver a rapaziada, por certo saberia notícias. Primeiro fiz o percurso a pé pela Avenida Guarapiranga, da entrado do Riviera, até o início dela, na confluência com a Boi Mirim, eram umas 6 horas da manhã, nada de anormal tinha acontecido, tipo morte, treta braba, sabia pela experiência de ser inteirado naquelas quebradas, parava nas padarias, tomava café, perguntava. Voltei de pé pelo mesmo percurso e no Riviera, o primeiro que encontrei foi Simpson, das antigas, não era amigo, mas conhecia das pescarias na Represa

QUEIMOU O FILME



Graciliano Ramos foi preso durante o Estado Novo, mas o motivo da prosão nãpo foi sua atividade literária, tampouco política, ele foi preso por perseguição da autoridade policial da cidade alagoana, acho que Palmeira dos Índios, onde Graça morava e lecionava; a acusação de ter participado da Intetona de 35,  foi forjada. Tendo reprovado o filho (enteado, sobrinho, num lembro direito agora) e não tendo cedido as pressões para rever seu veredito pedagógico, o autor de Vidas Secas ficou 1 anos preso sem que nenhuma acusação formal lhe fiosse feita.
Encurtando a história, na detenção ele escreveu um livro em 02 volumes que, mesmo com pressão do PCB para que não fosse publicado postumamente. Um belo livro, estilisticamente falando, o cara era um mestre no trato das palavras, secas, concisas mas bastante descritivas do cenário, das pessoas e dos fatos,
Esse livro virou filme que assisti algumas vezes mas o protagonista da película, segundo dizem, ex-militante do partido e ator global, há tempos se tornou arauto das ideias reacionárias de forma nojenta,
Graça não merece ter sua história e sua imagem ligadas a essa criatura abjeta, era um homem íntegro, honesto, preocupado com seu semelhante, não compactuava com injustiças, denunciava as mazelas do povo nordestino, muito diferente do senho avareza que não vale nem ser citado,
jamais assistirei ao filme

LEMBRANÇAS DA MOOCA




Trabalhei na Mooca, na divisa com o Brás pela Radial Leste, depois do viaduto da linha férrea, já que São Paulo para se localizar se começa pela Sé. Então, era eletricista e fui trabalhar numa obra na antiga fábrica das Alpargatas onde se fazia camisas Guararapes, calças US TOP e Kichutes: uma faculdade comprou as instalações que abrangiam 2 quarteirões e es estava adequando para ser um Campus, essa faculdade tinha uma Rádio que só tocava rock, a Brasil 2000, a galera daquele tempo sabe. Eu fazia tubulação de Eletroduto PVC moldado à fogo de maçarico a gás de botijão, a gente carregava o de 2KG que nós mesmos fazíamos as transferências de botijões grandes, cada vez que fazia isso me sentia numa roleta russa pois as condições eram precárias. A execução era foda, esquentava o tubo de 3 metros de forma que ele ficasse com pelo menos 80$ da sua extensão maleável, elástica, tinha que ser craque; tinha que passar colado às vigas sinuosas da construção antiga, eu tinha um macete: cortava sacos vazios de cimento e colocava de molho na água, encostado o tubo as vigas, eu fazia buchas com o papel molhado para resfriar o polímero, batata, num errava um.
Ainda tinha a baba na quadra durante o horário do almoço, a marmita era devorada na arquibancada se o time perdesse uma, pois era10 minutos ou 2 gols cada disputa sempre com 2, 3 times foras; verão de 89, sol trincando;
Sim, Mooca para mim lembra Greve Geral de 17, organizações operárias, imigração italiana e Adoniran por causa de saudosa Maloca eu dava uns rolês por ali pra pegar ônibus, trem, o metrô, naquela época eu fazia uso de substância entorpecente tipo maconha e passava nesses rolês fumando (um só pra disfarçar, escreveu o amigo Silas Henrique subido a Ladeira da Preguiça (onde andarás, morava na rua da Ajuda) e Gerônimo gravou, Gil Félix e Passo 48 cantavam também), Eu viajava no lance dessa música onde ele dizia que a maloca foi legalizada através da ajuda de um fiscal e tinha um churrasquinho onde eu tomava 2 pongas e um churrasquinho que a galera que frequentava marcava os pontos lá e dizia:
 - Lá no Lar dos Vagabundos


REPENTINO