BELA ERA ELA
CARNE DO SOL, BIBELÔS, FEITICHES, DESEJOS E MERCADORIAS
MACHUCAR FEIJÃO NESSA VIDA JÁ TÃO MACHUCADA
FIGURA INTERADA
RIBEIRINHO, BAIXO RIO DAS CONTAS
TÁ FOGO
FRASES SOLTAS, FATOS E ACONTECIMENTOS
Guardadas de dentro de mim
Não irão silenciar
Mesmo quando poucos queiram escutar
Quando se tornam difíceis de explicar
De um jeito, não sei dizer, assim
Da forma que lhe é costumaz
Como quem vive querendo
Fazer o que não faz
Rabisco pra me fazer entender
Me ponho a escrevinhar
Aquilo que penso em dizer
Mas a caneta não consegue acompanhar
A velocidade dos meus pensamentos
Onde se misturam frases soltas
Sobre fatos e acontecimentos
FAISQUEIRA
Dormiste lá em casa
Fizeste o fogo queimar
Deixaste madeira em brasa
Consumisso de incendiar
Labareda que arrasa
Não deixa apagar
A labareda faz brasa
Se a lenha queimar
Destrói e arrasa
É só atiçar
Esse pavio no peito
Que serve pra alumiar
Bateno, esquenta no jeito
Virano uma brasa
A se consumir
Deixano o fogo que apaga
Quando tu for sair
Queimo sozinho em casa
Sem ter quem atiçar
Venha, sou lenha
Ponta pra queimar
Se é que mereço
Pra palavrear
Passa lá em casa
Sabe o endereço
Ainda sou brasa
E o recomeço
É só assoprar
Reacender a Chama
Que ainda tem lenha
Pra gente queimar
PAISAGEM CILIAR
Veno na beira do rio
Garranchos de algarobas, esturricados
No lugar da mata nativa
Um rio morto, esburacado
Onde o povo pega água de motor
Em poços perfurados, no areião
E as valetas feitas de trator
Os passarinhos tem que pousar no chão
As garças catam carrapatos na criação
Um cavalo preso num pasto que não tem capim
Terra nua resultado da devastação
Triste pra mim
Vendo isso acontecer em pleno sertão
ORAÇÃO PRA TIRAR DE TEMPO (Louvando Bezerra da Silva)
Baculejo no buteco
Isso é um mal sinal
Enquadrando todo mundo
Esculacho é geral
Vamos puxar uma reza
O tambor no contratempo
Malandragem que se preza
Sabe quando dar um tempo
Essa fita já foi dada
Tem uma pá de intrujão
Aqui ninguém dá 2 em nada
Vou te ensinar uma oração
Pra quebranto, mau olhado
Dor nos quartos e proteção
O que te deixa amargurado
Sou Pái Veio eu te curo
Garrafada de agrião
Tira o que for do munturo
Terá carro, namorada
Assegure seu futuro
Só não salva tua vida
Se tu for um dedo-duro
Porque aí suja de vez
O nome do peixe é pinote, vaza vacilão
Nem cá fora na Favela nem lá dentro no xadrez
Cagueta tem perdão
O JONGO DO PALÍNDROMO AO COCO COA
Ao coco coa
Se apertar sai um cordel
Meu repente não perdoa
Hoje faço um escaçéu
Faço uma loa
Pro meu tempo de bordel
A palha voa
Vento sopra pelo céu
Rema a canoa
Atacado e granel
Não ensaboa
Nem amassa meu chapéu
Que não destoa
Separe o doce do fel
Batuque entoa
Quebradas do Mundaréu
A gente zoa
Porque tá muito pinel
Barro queimado coa
Pingando de déu em déu
Pamonha boa
Cheira a conhaque e mel
CERTEZA DE ESTAR CERTO
Estou
muito certo
do que
vou dizer
De peito
aberto
Que é
pra você saber
Se não
te contemplar
Esse pobre cantar
Desculpe
a timidez
Mire meu
olhar
Procuro
palavras pra te definir
Esgoto o
dicionário
Tentando
conseguir
Boca pra
provar
Língua a
te sentir
Na hora
perco a hora
Jamais
quis eu partir
Que
nunca que termine
O nosso
existir
Não
haveria porquê
A gente
não tá perto
Enamorado
por você
Certeza
de estar certo
Vivendo
essa paixão
Que seja
desse jeito
É o que
diz um coração
Batendo
no meu peito
OFF-LOVE
Providenciei
envelope
Até selo
comprei
De coração
ferido
2 linhas
mal tracei
Se você não
se entregou
Eu, de todo,
me dei
Já é muito tarde
Mas só agora
que sei
Arrenegada
seja a hora
Que contigo
trombei
Comprado
briga com o mundo
Vida de fora
da lei
Sempre arriscano
O que tinha
apostei
Nessa de
tentar a sorte
Iludido joguei
Mirei alvo
errado
Em nada acertei
Não lhe faria
rainha
Pois eu nunca
quis ser rei
Tá na vez
de parar
Mágoas não
carregarei
Foi tanta
dificulidade
Já me desinteressei
Só lamento
que a pressa
Que nessa
empreita me lancei
3 dias demora
uma carta
Porquê não
telegrafei ?
NÃO POSSO VIVER DE ARTE
Meu escrevinhar não faz parte
Posso fazer minha obra
Com o meu tempo que sobra
Pago o que o boleto cobra
Me viro pião de obra
Do salário não sobra
A sociedade me cobra
O meu som não faz parte
Não posso viver de arte
Não registrei minha obra
Vivo comendo o que sobra
Meu sonho não se dobra
Tento fazer minha parte
Dizem que vivo em Marte
Não vendo a minha arte
No show não tomo parte
Sou um pião de obra
Sem cachê sou quem sobra
Por tudo que o mundo cobra
Tudo veneno de cobra
Posso juntar o que sobra
Reconstruir minha obra
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(uma toadinha de Vaquejada lembrando de Kara Véia) Gostaria de chamar de meu sogro Sinobilino Que me conhece derna de minino Lá da Várzea ...