QUEIMOU O FILME



Graciliano Ramos foi preso durante o Estado Novo, mas o motivo da prosão nãpo foi sua atividade literária, tampouco política, ele foi preso por perseguição da autoridade policial da cidade alagoana, acho que Palmeira dos Índios, onde Graça morava e lecionava; a acusação de ter participado da Intetona de 35,  foi forjada. Tendo reprovado o filho (enteado, sobrinho, num lembro direito agora) e não tendo cedido as pressões para rever seu veredito pedagógico, o autor de Vidas Secas ficou 1 anos preso sem que nenhuma acusação formal lhe fiosse feita.
Encurtando a história, na detenção ele escreveu um livro em 02 volumes que, mesmo com pressão do PCB para que não fosse publicado postumamente. Um belo livro, estilisticamente falando, o cara era um mestre no trato das palavras, secas, concisas mas bastante descritivas do cenário, das pessoas e dos fatos,
Esse livro virou filme que assisti algumas vezes mas o protagonista da película, segundo dizem, ex-militante do partido e ator global, há tempos se tornou arauto das ideias reacionárias de forma nojenta,
Graça não merece ter sua história e sua imagem ligadas a essa criatura abjeta, era um homem íntegro, honesto, preocupado com seu semelhante, não compactuava com injustiças, denunciava as mazelas do povo nordestino, muito diferente do senho avareza que não vale nem ser citado,
jamais assistirei ao filme

LEMBRANÇAS DA MOOCA




Trabalhei na Mooca, na divisa com o Brás pela Radial Leste, depois do viaduto da linha férrea, já que São Paulo para se localizar se começa pela Sé. Então, era eletricista e fui trabalhar numa obra na antiga fábrica das Alpargatas onde se fazia camisas Guararapes, calças US TOP e Kichutes: uma faculdade comprou as instalações que abrangiam 2 quarteirões e es estava adequando para ser um Campus, essa faculdade tinha uma Rádio que só tocava rock, a Brasil 2000, a galera daquele tempo sabe. Eu fazia tubulação de Eletroduto PVC moldado à fogo de maçarico a gás de botijão, a gente carregava o de 2KG que nós mesmos fazíamos as transferências de botijões grandes, cada vez que fazia isso me sentia numa roleta russa pois as condições eram precárias. A execução era foda, esquentava o tubo de 3 metros de forma que ele ficasse com pelo menos 80$ da sua extensão maleável, elástica, tinha que ser craque; tinha que passar colado às vigas sinuosas da construção antiga, eu tinha um macete: cortava sacos vazios de cimento e colocava de molho na água, encostado o tubo as vigas, eu fazia buchas com o papel molhado para resfriar o polímero, batata, num errava um.
Ainda tinha a baba na quadra durante o horário do almoço, a marmita era devorada na arquibancada se o time perdesse uma, pois era10 minutos ou 2 gols cada disputa sempre com 2, 3 times foras; verão de 89, sol trincando;
Sim, Mooca para mim lembra Greve Geral de 17, organizações operárias, imigração italiana e Adoniran por causa de saudosa Maloca eu dava uns rolês por ali pra pegar ônibus, trem, o metrô, naquela época eu fazia uso de substância entorpecente tipo maconha e passava nesses rolês fumando (um só pra disfarçar, escreveu o amigo Silas Henrique subido a Ladeira da Preguiça (onde andarás, morava na rua da Ajuda) e Gerônimo gravou, Gil Félix e Passo 48 cantavam também), Eu viajava no lance dessa música onde ele dizia que a maloca foi legalizada através da ajuda de um fiscal e tinha um churrasquinho onde eu tomava 2 pongas e um churrasquinho que a galera que frequentava marcava os pontos lá e dizia:
 - Lá no Lar dos Vagabundos


A MASSA, UM DISCO MAIS QUE MASSA!!!

Raimundo Sodré – A massa - 1980
Artista/Grupo: Raimundo Sodré
Album: A massa - 1980
Bits: 160kbps
Genero/Genre: C

hula
Musicas/Track Listings:

01. A massa
02. Recado pro pessoal lá de casa
03. Moleque de recado
04. Menino triste
05. Cocorocô/Chamego
06. Palavreado no Coio de shirlena (...e haja Adrenalina)
07. Vá pra casa esse menino, viu?
08. Baião pisado
09. Coió de Anália
10. Resistência
11. Brasileiro, profissão sonharhttps://drive.google.com/open?id=1y2qP9oGqxPidRqAqDu5p2IvkjgJbhPpShttps://drive.google.com/drive/u/2/folders/1BOhEH2klpgrgr-LZyA8g0BJC6FxX4ev4



BALADA PRA UM FAROESTE SEM MOCINHOS


  Django teve um sonho estranho:

    Estava numa feira  no meio da Palestina, durante a Antiguidade quando, de repente (beira-mar, beira-mar bonito é a maré cheia, vejo o mar molhando a areia a areia lambendo o mar; é bonito de se olhar), ele ouve um pregador pronunciar:
-Aquele que nunca errou, nunca errou mesmo e meu pai saberá se for mentira, atire a primeira pedra!
DJango, mesmo sem saber de que se tratava a questão, não pensou 2 vezes, tacou um rebolo de barro cozido que foi bater e Geni cair no chão com a titela escorrendo sangue.
Jesus, indignado questionou:
-Mas DJango, tu nunca erraste?
-Desta distancia nunca, Seu Genésio!
    Acordou quase na hora do almoço e, naquela tarde no cabaré, ele avaliou bem a distancia, não se sentiu seguro da sua pontaria certeira e, além do mais, matar o outro é fácil; porém, matar a si mesmo necessita de muito mais coragem. Então, desengatilhou o badogue e resolveu não abater o corvo.

   
Próxima sessão, na corte. 

Qualquer semelhança com qualquer coisa, é maluquice, quem escreve merece a inimputabilidade pois tomou uns goles de cachaça a mais.

A GAROTA DO QUINTAL



Com uma flor na orelha esquerda
A garota repousava à sombra,
No quintal, por entre as frutíferas.
Meu pensamento navegava
Balançando com aquela rede.
E pra ela tudo era simples
Tão simples que, de certo, ignora
Que dentre tantos perfumes
Exalando dessa cena
Meus pulmões mais precisavam
Era embriagar-se do seu cheiro
Enquanto descobria o sabor
De todos os seus beijos.

THE END



No dia mais triste a ser recordado
Ficou definido e d-ef-i-n-i-ti-v-a-m-e-n-t-e
Decidido o fim
Adeus papo sério, DR informal (baby)
De mim pra mim
Nesse último momento
A sós comigo mesmo
E o seu esquecimento




O COMÉRCIO EXTERNO ESTÁ ATRAPALHANDO MEU GORÓ


Sempre apreciei uma boa cachaça, de preferência destilada, artesanal, isso sendo pura.
Conforme seja, como dizia Bira um colega de cachaça lá de Gongoji, num tendo a da preferência, elejo outra que substitua e pode ser uma pinga de infusão com raiz; não havendo, pode ser de casca; na terceira opção pode ser de folha.
Pois é, nunca tive problemas com alcoolismo apesar de sempre apreciar cachaças boas e, principalmente, tomá-las e frequentei pés de balcão bebendo pinga, trocando ideias, jogando conversa fora, fazendo um dez com os amigos, essas coisas de quem frequenta botequins.
Ultimamente, afastado desses ambientes, me senti desestimulado a voltar com a implicância da vigilância sanitária com as cachaças servidas com infusão pelos bares da cidade. Essa arbitrariedade é, antes de tudo, uma discriminação que atende a interesses da indústria de bebidas e as suas marcas globalizadas, pois o combate não é ao álcool, é a um costume relacionado aos mais pobres; proíbem a cachaça daqui para que bebam a whisky de fora.
 Também favorece ao narcotráfico pois tira o maluco do boteco pra fazer a cabeça na droga do momento por aqui, a cocaína; impedem de consumir as folhas locais, para venderem as folhas que vem de fora.
Também vejo falar que a eficiente polícia da região quase que acabou com o plantio da tal maconha por aqui, mas a que vem prensada do Paraguai rola à solta custando o zói da cara; reprimem a maconha daqui e os caras vendem a de fora.

OS PRECONCEITOS NOS BANCOS DA RODOVIÁRIA













A única vez em minha vida que posso considerar que “dormi na rua” foi em Salvador. Tinha ido num compromisso e iria dormir na casa do um tio, mas ele havia mudado, no trampo não o encontrei e o número do seu telefone que eu tinha estava errado. Fiquei na Piedade, 2 de julho até umas 11 e fui terminar a noite na rodoviária, isso no ano de 2k.
Frequentei muito aqueles bancos como passageiro; desde os 15 anos quando morava em Itaberaba passei a viajar a Salvador, até 3 vezes num mês cheguei a fazer em algumas oportunidades, até que aos 17 e meio fui morar lá. No tempo de Sem Terra, foram incontáveis as esperas para viajar e chegadas na madrugada; sempre dava um tempo por lá.
Quando vi o comunicado da administradora do Terminal dizendo que os seguranças haviam suspeitado que o rapaz era infrator, lembrei que sempre foi proibido dormir ali, tinha que disfarçar para dar uns cochilos; os seguranças sempre foram truculentos. Nunca fui abordado, mas já comprei algumas brigas por causa de outras pessoas que foram desrespeitadas
Remeti ao fato, mesmo sem citá-lo











CANINOS BRANCOS de Jack London

CANINOS BRANCOS (1906)
 Alasca, uma terra onde tudo parece sempre estar paralisado e em silêncio, também existe a diária batalha pra sobreviver e só os fortes conseguem vencer; o americano Jack London foi um dos mais importantes autores do Realismo, e suas obras são recheadas de episódios vividos pelo próprio autor. ele viajou muito conheceu várias pessoas e esteve em diversos lugares e esse ambiente é transportados pros seus livros
Utilizando o ponto de vista do lobo, imaginando como os animais veem o homem,.este livro foi publicado pela primeira vez em 1906 e demonstra a habilidade do autor em escrever com riquezas e sutilezas suas reflexões. Caninos Brancos é um lobo nascido no território de Yukon, no norte congelado do Canadá, ainda filhote, antes de completar um ano de idade, é capturado para ser usado como puxador de trenó, isto o obriga, desde cedo, a enfrentar matilhas hostis e lutar por sua sobrevivência. Mas as coisas ainda ficam piores quando ele é repassado e seu novo dono é um inescrupuloso que detesta animais e o transforma em um cão de luta, para brigas de rinhas, sendo obrigado a enfrentar outros animais selvagens e servir como centro das atenções para os seres humanos, que empolgados se deleitam com a barbárie dos animais se engalfinhando.
     A convivência nesse ambiente de violência, horrores e morte ensinou Caninos Brancos a não confiar mais nos seres humanos e aguçou seus instintos furiosos que assustava a todos e impedia que se aproximassem dele. Em dado momento ele conhece um humano diferente, que lhe mostra coisas desconhecidas até então como amor e o afeto
O livro é narrado na terceira pessoa e a escrita é detalhista nos levando a sentir-se muito próximo do lobo, torcer por ele nas suas lutas diárias contra os perigos da vida selvagem e contra a tirania do ser humano, vivemos com ele as dificuldades da sua adaptação aos novos ambientes e como ele absorve e internaliza esse processo
Uma leitura indispensável para a vida, fala de um lobo mas passa longe da superficialidade, as metáforas são bem construídas e a narrativa nos permite questionar sobre a solidão, a sobrevivência, o medo, o poder, o amor.... Sentindo-se animal, refletimos sobre a condição dos bichos e muitas emoções afloram e a experiência mundana de Caninos Brancos tem muito a nos ensinar.

Resultado de imagem para jack london caninos brancos

IVSON VANDERLEY, o Ivinho. GRANDE GUITARRISTA E VIOLEIRO


Eu não conheci Ivinho; mas conheço um cara que conheceu, um poeta do Norte que fazia arte urbana, pra lá de contemporânea; mais, ele viveu entre os artistas olindenses e recifenses no final dos anos 80 e Ivinho era figura frequente na cena e esse poeta muito próximo do grande guitarrista nesse período. Após alguns anos ao ir embora de Pernambuco, esse poeta desembarcou em Salvador pra continuar a divulgação da sua poesia, se enturmou com os Poetas na Praça, que eu frequentava e já conhecia uma pá de figuras; o poeta também frequentava, na Soterópolis,  a Livraria Graúna, que era referência da galera que havia enfrentado a Ditadura na Bahia e onde trabalhava meu amigo cearense, caririrense que eu havia conhecido em 87 em Fortaleza me apresentado a História de Gregório Bezerra, o som de Abidoral Jamacaru, Lula Fidélis, Eugênio Leandro, Tiago Araripe e Papa poluição. Fomos muito amigos e mantemos diálogo até hoje.
Ivinho eu havia, primeiramente, escutado sem saber quem era. Nos discos de Alceu! Antes dos 10, eu já ouvia e gostava daquele som; menos o álbum VIVO! Somente vim a escutá-lo em 1990, já casado e com 20 anos de idade.  AVE SANGRIA, antes disso, eu devia ter uns l6, 17; as coisas dele antes dessa banda, descobri a pouco tempo: Os Selvagens, Feira Experimental, Tamarineira Village, essas coisas só recentemente.  Paebiru, o lendário disco encabeçado por Lula Cortez e Zé Ramalho, foi bem mais tarde, em 2005 que vim descobrir que existia.  Com 11, 12 lembro de em casa ter aparecido o uma fita do disco solo de Montreaux (também gravou o de Gil) , meu Coroa era antenado com as coisas e ele sabia quem tocava com quem naquele tempo porque ele escutava, pois possuía e pesquisava, discos lendo capa, contra capa , selo e encartes. O som daquela viola me marcou pra sempre, trouxe um enorme apreço pelo cara que fez aquele som e, sempre estive atento à sua produção, procurando conhecer mais a sua obra e, sempre que se trata dele a minha admiração só tem aumentado com o passar dos anos, me identifico.
É o meu preferido dentre todos os guitarristas que já escutei, pela sua história, suas lutas, suas incoerências, sua lucidez e, assim como sua loucura. Sem desmerecer Hendrix, o maior de todos; Chucky Berry, Robertinho, Van Hallen, Robert Johnson, Lanny Gondim, Luiz Wagner e tantos outros, são muito bons mas Ivson Vanderley, sobretudo, é meu preferido porque em sua breve carreira e existência tocava guitarra tanto quanto vocês, na Viola vocês não chegavam nem perto dele e tinha uma atitude que me cativou
Como eu gostaria de tê-lo visto tocar.
Esse texto é dedicado ao ivinho, ao poeta que tomou vários porres de vinho com ele e vários de cachaça comigo.
Resultado de imagem para ivinho

BEGONHA ( Chula do Batuque Virado)

Vô no mato buscar bergonha
Se no caminho achar
Eu panho, eu panho
Pra botar de infusão, fazer chá
Folha, casca, raiz e cipó
Pra levar pra minha bisavó
Fazer banho, fazer banho

Vovó mandou buscar leite
Nas moitas de calumbi, se me distrair
Me arranho, me arranho
Num pode ter medo da vaca e fugir
Passar por baixo da cerca, correr
Se derramar ou beber
Eu apanho, eu apanho.

Tia Nide eu vô embora
Umas coisas no São Joaquim
Eu barganho, eu barganho
Sem dinheiro que será de mim
Se eu num trabalhar
Num correr pro Paraná
Eu não ganho, eu não ganho.

Vô no mato buscar,
Vô no mato buscar,
Vô no mato buscar
Begonha....
Chula do batuque virado
Begonha...
Chula do batuque virado
Chula do batuque virado
Begonha ...


TEMPESTADES E VULCÕES

Maldição da meia noite  Frio em forma de açoite  Vento uivante, gelado  O medo temido, enfim revelado  Escondeu-se embaixo da coberta  Esque...