PRIZUNHA

Prizunha 
Prende no dente
Corta na unha 

Gata manhosa 
Matreiro olhar
Já me pegou
Vai me zunhar
Vai me lamber 
Vai me arranhar 
Vai me morder 
Vai me cortar 
Vai me provar 
Vai me satisfazer
Vai me untar 
Vai me comer 

Gata no cio 
Ranca meu pelo 
Tenho arrepio
É  desmantelo
eu sou vadio 

NOS 20 PÉS DO MARTELO ALAGOANO

Pra você que cativou meu coração 

Mando uns versos pra que nunca esqueça 

Caso você apareça 

Fique de recordação

O relato da minha paixão 

Estarei lhe esperano 

Continuo lhe amano 

Volte quando quiser

Pois você é  a mulher 

Com quem vivo sonhano 

Dia e noite, noite e dia  

Tanto faz dormino ou acordado 

Em você vivo ligado 

Você é  minha alegria

Em minha fantasia 

Você sempre tá presente 

Alumia meu repente 

Entre nós o oceano

Mas tá sempre no meu plano 

Ganhar dinheiro e juntar 

Pra atravessar o mar 

Nos 20 pés do Martelo Alagoano

Carimbolada

carimbolada na Quebrada 
Eu  boto fé 
lá pelas tantas 
muito doidos de rapé
preparado na Floresta 
por sábio Pajé 
chamei a mina
pra bater um acarajé 
meti o queixo
pra ver qual que é
se rolar intimidade 
pedirei um cafuné 
no colo dela
à sombra do sapé
caminho antigo 
Pra Jequié 
pelo Rio das Contas  
Chega  Itacaré

EM TURVAS

Faço planos em vão 
Sonho perdido
Mera ilusão 
Indefinido
em turvas navega 
a minha canoa 
a procura é cega 
remo à toa  
Vou me perder 
Enquanto espero 
Nada posso fazer 
Se é você que quero

ELA VAI VOLTAR

Hoje ela voltou pra casa 
Mas não foi pra ficar
A bem da verdade 
veio matar sua sede 
A nossa vontade
A minha saudade 
veio se deitar na rede 
E pra gente se amar .
Eu já nem peço mais 
que ela não vá 
pois eu sei que ela  vai 
sofro por demais 
pois de mim ela não sai
Dentro de mim sobrevive
Faz acreditar  
foi um sonho que tive 
Ela vai voltar 

POR QUEM NÃO MERECE

Sonha e não acontece
Um bobo  padece
Sofre por quem não merece 
Êta coração besta
Lembra de quem lhe esquece 
Espera quem  não aparece
Vive do que  adoece
Nada lhe oferece
Razão que enlouquece  
Espera quem não comparece 
Saudade chega e o enfurece
Cega e lhe entorpece
Riso por quem entristece 
Chama por quem emudece
Calma que lhe endoidece
Força que lhe esmorece 
Preferência que não favorece 
Esforço que não se reconhece 
Eu mando ele não obedece 
Tento e ainda permanece 
Sonho que não acontece 
Um bobo  padece
Sofre por quem não merece 
Êta coração besta
Lembra de quem lhe esquece 

CACHORRA QUE NUM SE PODE CRIAR PERTO DE GALINHA

Cheguei na casa de Mamis  e resolvi testar o instinto selvagem de Groovina, a cachorra mãe  de Vinagretchen e Colorau.  Botei coleira e corrente, coisas que ela não via há tempos;  logo na primeira esquina um pitbull solto  e Grovinésia partiu pra cima tentando me puxar. Inda bem que o bicho era bem criado, cavalheiro e manso; quando o dono saiu na porta da garagem e botou o cortês cão pra dentro de casa eu o elogio pela criação de cachorro tão distinto.
Partimos em direção á caatinga numa capoeira de subida de um morro e soltei a coleira a cachorra pegou uma boca de vereda e subiu distampada morro a cima mas eu não fui atrás, fiquei observando as coisas numa sombra de fazer lombra. Lá pras tanta dos seus 15 minutos ela chegou e voltou correndo, levantou uma nambuvis:
-prúuuuuuuuuuuu.
Feita a verificação e posso certificar o que eu já dizia: raça de instinto perdigueiro. 
Na volta partiram 3 cachorros pra cima dela e aí eu tive que enfrentá-los  pondo -os a correr com um cipó de malva

SONORA COMPLIANCE

Bala brochante
Tocando nesse instante 
Papo cabeça 
Música na novela 
Pra subverter a favela 
Meio sem pé nem cabeça 
O que quer que aconteça 
O que quer que você pense 
A mpb sempre vence
Se liga no estilo 
Do tempo do bicho grilo
Grilo na cuca
Armada a arapuca 
Usa o verbo, indefecto
Impressiona o freguês 
Coisas do intelecto
Charme de pequeno burguês.
Louvar mecenas pode
Falar putaria dá bode
Sem chance
São regras da compliance 



SHANGRI-LÁ, O Horizonte Perdido

É  cunversa de cumpadi 
Num leve pra maldade 
Pura amizade 
Tipo Tarcísio e Haddad 
Lulominion pira
Com ciúmes de Lira
Pega o beco
Tudo jogador caro 
Excluiram coisonaro
Articula com Pacheco
Libera verba pro centrão 
Faz a plateia de otária
Na reforma tributária 
Um ajuda outro ajeita
Uma verba lava a mão 
Da esquerda 
Da direita 
Joga no centro, joga de meia 
Em nome da constituição 
E do delegado Sansão
Posso até ir pra cadeia.

TENTA NOVĪÃ

A novīã tá dizeno 
Besteira porque é  nova 
Diz que o vein 
Tá de pé-na-cova 
Que vai pegar o coitado 
Vai dar uma sova
Tenta novīã, tenta novīã
Eu quero é prova 
É  bom duvidar 
Pensar que é  mole e me dar
Só assim tu comprova 
Vou te dar canseira
Oral logo de primeira 
Passeio pela traseira
E ainda faço trova 


NOTÍCIAS TRISTES: SEM CELSO, SEM DONA NEGA

Hoje fui na CEF ajeitar uma conta salário e participando das conversas na fila depois de relembramos a Cachaça Santa Rosa, lembrando do povo de Tapiranga e da ruindade de Horácio Pires,  que cobrava metade da renda do licuri que fosse  catado na imensidão do seu latifúndio nas Fazendas Roque, Sossego e Pernambucana onde meu avô foi tratorista logo depois de aposentar-se na Codevasf; saiu de lá depois de escorar o lazarento na ponta do punhal por causa de desaforo. Tá fazendo 40 anos que meu pai fez a ligação da estrada que liga Tapiranga (Tanquinho)  a Itapura  (Mucambo); antes disso pra ir de carro de Tapiranga pra sede de Miguel Calmon tinha que fazer a volta por Serrolândia e passar em Jacobina, isso devia aumentar o trajeto em uns 60, 70 quilômetros,.
Esse companheiro que tava proseando comigo era de Cachoeira Grande, caminho por onde a Kombi de seu Davi levava a gente de Jacobina pro Tanquinho. Falou da Cachoeira eu perguntei se conhecia Celso, Vaqueiro e sua ex-mulher e amiga, Dona Nega, xará da minha vó. Foi mesmo que receber um murro ca caixa dos peitos: Dona Nega morreu no corona e Celso  faleceu de outra coisa depois.
Eles, praticamente me viram nascer, meu pai conheceu Celso em Mirangaba eu ainda era menino, meu pai tratorista e ele vaqueiro.
Negro forte, altura mediana, pro eu menino nordestino, fã de vaqueiro, era  meu herói de infância; fim de semana eu ia pra fazenda em que ele trabalhava e ficava até seginda; ia nos feriados. Aprendi a montar cavalos com ele, selou e disse que eu fizesse amizade com o animal antes de querer que ele me carregasse, nunca mais ninguém precisou me ensinar de montaria, tirar leite também sei. 
Na mudernage foi afamado corredor de vaquejada,  argolinha e montão. Pegador de marruá,
amansador de burro afamado, aboiador afinado e um artista dos arreios ; quando cansou de ser mandado largou a profissão de vaqueiro e foi viver de selaria e passou os últimos 30 anos, fazendo selas, cabeçadas e arreios, deixou de  montar pros outros. De ruim,  separou de Dona Nega e agravou o alcoolismo. 
Tem uns 3 anos que o vi pela última vez na saída da cidade, fala mansa reforçada pela educação e o cuidado que sempre teve comigo. . Dona Nega faz mais tempo que eu não via, vivi prometendo visitá-los na Cachoeira e agora sei que perdi a oportunidade pra sempre. 
Fica a eles minha gratidão e a certeza da importância que tiveram na minha vida.

RUMO AOS 100

A  verdade tem que ser compreendida 
Já  dobrei a esquina da vida 
Maluco  vida loka 
Segunda idade e meia
Num drumo  de toca
Não conheço cadeia 
Não tenho vergonha  
Fumo maconha 
Fugi da escola 
Nunca roubei 
Joguei muita bola 
Jamais matei 
Tomei banho de Lagoa
Escapei na virada da canoa
Já amei muita mulher 
E, parece, nenhuma mais me quer 
Não tenho mais  ninguém 
Vou caminhando no rumo aos 100
Que duvidem vocês 
Mas semana passada já fiz 53
Embora não seja do amém 
Estou certo disto
Quero ir além 
Passada a idade de Cristo 
Quero a de Matuzalém

HUMILHAÇÃO

Pra arrancar o seu espartilho 
Eu me humilho
Querendo mais 
Sofrer do bem 
Que tu me faz

Um ensaio cipriota

Ao longo da história a pequena ilha de chipre tem sido palco de invasões e ocupações por parte de estrangeiros,desde os aques em XII a.c. vindos da grécia entre os séculos VII e I a.c. , fenícios, assírios, egípcíos e persas subjugaram e dominaram aquela ilha localizada estrategigamente no mar egeu e produtora de cobre.

 Esteve subjugada à Roma e, depois,  Bizâncio,  os Árabes a submeteram ao islã pors 300 anos até que Ricardo Coração de Leão a conquistou numa cruzada no século XII, seguiram-ze os Venezianos até que em 1751 quando caiu nas mãos do Império Turco-Otomanos. No século XIV, chegaram os ingleses e em 1959 ganharam autonomia tutorada por  Inglaterra  Turquia e Grécia daí seguiu-se uma disputa conturbada o que levou a divisão da ilha entre a parte norte somente reconhecida pela Turquia que ocupou militarmente e  grega também militarmente ocupada pela OTAN  que faz parte da União Européia e de onde vem a notícia de um possível calote ou, nos lacônicos comunicados do governo, um confisco sobre parte dos depósitos bancários.

Essa notícia deixou o "mercado" em polvorosa, o Chipre tem importância industrial e econômica irrelevante na economia européia, sua estratégica localização geográfica  a põe no centro entre os balcãs e o oriente petrolífero, uma "Sarajevo do mar"  espionagem, terroristas,mercenários, máfias, tráfico de armas, de drogas, de pessoas, de material nuclear e o que mais? Aquilo que é a razão de todas essas transações, o capital. Então é certo afirmar que lá também funciona uma " lavanderia" do capital, o sistema bancário de lá  gerencia atividades mafiosas dos grandes capitais mundiais, uma faceta do poder burguês

Um calote cipriota vai  estremecer capitais  ligados a  essa engrenagem  militar e econômica que funciona naquela ilha e eles estão espalhados ao redor do mundo ....

REPENTINO