FALANSTÉRIO ( Anti-Dhuring)

Os sentidos como guias da felicidade 

Contra os poderes estabelecidos 

Da velha sociedade 

Assim pregava Fourier

A filosofia da boa vontade 

Do que cada um quiser 

Com o que cada um fazer 

Pro que cada um fizer

No quê cada um dizer

Um rechaço moral

Trabalho como prazer 

A paixão é fundamental 

Exercício da  vocação 

Propriedade coletiva 

Dos meios de produção 

Contra a  monotonia do sério 

Proscrita no Index Librorum Prohibitorum

A ideia do falanstério

Pregava o bem comum

Ajuda mútua 

O todo sendo um

Pra todo mundo 

Pra cada um

O fim do antagonismo

E de toda hipocrisia 

Descentralização e harmonia

Da família  monogâmica

Do Poder e da   hierarquia 

Mas, li no Anti-Dhuring

O socialismo utópico 

Não passa de fantasia

Embora de tese libertária 

Não se pode dizê-la

Radical e revolucionária 

Não muda nada

Se não abolir

A Propriedade privada

Esse mal tão específico 

Taí a diferença fundamental 

Do socialismo utópico ao socialismo científico 


2 PRA1

A maior tristeza
Desse rancho
Que já  foi nosso ninho
É eu fazer baião de 2
Feijão e arroz
Pra nós 2
E depois 
Ter que comer sozinho. 
(mas tava era bom...)

CICATRIZ

Abri o meu peito 
Fui dar um jeito
Foi coisa grave 
Cortei na cavidade 
Meti a mão e arranquei
Já que eu amei
Extirpar precisei
Sacudi, balancei
Seu nome não achei
Por todo lugar vasculhei
Excessivamente  procurado 
Não estava cravejado
O que foi tatuado
Foi apagado 
Eliminado 
Não mais em mim 
Até que enfim 
É o fim
Coração no lugar
Vai cicatrizar 

O PRÓPRIO SE DESCONHECE

O poeta hoje bebe
Porque perdeu a medida
Sua mina querida
A paixão da sua vida 
Que no seu coração mora
Resolveu ir embora
Por isso ele bebe
Todo tipo de bebida
E chegou a hora
Hoje se despede  
Bebe porque tá sofrendo 
Dentro do peito doendo 
Ele não vai  desistir
Beberá até  cair
Visto seu amor partir
Pode acabar morrendo 
E deixar de existir. 
Nem sei como tô vivendo 
Todo mundo tá sabendo
A coisa mais dificil
É  fazer o sacrifício 
De arrancar  o que  mora dentro  de si
Tive no precipício 
Inda subi no edifício 
A boca da morte eu vi
Desse mal também já sofri
O Pião  é resistente 
Teimoso e valente 
Que nem os versos do seu repente 
Sujeito ligeiro 
Se previne primeiro 
Caba direito 
O que fez tá feito
Nunca que deixa faltar 
Mas hoje não tem jeito 
O limbo lhe servirá de leito 
Cairá de tanto chorar
O que acontece
O poeta padece 
Seja como for
Ele não esquece
Um poeta sem amor 
É aranha que não tece
O próprio se desconhece

TANINO DO ADEUS

Hoje é  vesperal do dia  Vou te esquecer 
Amanhã não lembrarei 
Nem quererei saber
Exagerarei
Até entorpecer
Lisergicamente adormecido
Moinhos triturarão lembranças, 
Terás ido
Diques conterão esperanças,
Terás sido.
Alheio 
Apago sua imagem
Nem mando nem leio
Qualquer Mensagem
Não  sinto o sentimento  
Absorto  no momento  
No sabor  do esquecimento 
Ficará da língua a nódoa  amarga
Tanino do arrependimento

LUGAR DE FALA

Quem vai falar do pião
Quando ele, desempregado
Tiver fome de pão?
E o camponês
Em meio a guerra
Quem cuidará do trigo,
Lavrará a terra?
As crianças
Que crescem com o futuro traçado
Pra muitas faltará de tudo
Pra poucas o montante acumulado
Nas relações do capital
Que dominam a sociedade
A raiz de todo mal.
E nesta eleição
A perspectiva ilusória
De uma proposta vazia 
Que canta vitória 
E viva a democracia
Enquadra o descontentamento
No que o Estado julga o direito
Se grita fica sem jeito 
Entrega pro parlamento
Alguém pra engavetar seu lamento

SIMPLÓRIA HISTORIA DE UM AMOR QUE ACABOU ( Desgamou)

Um amor que não deu certo
Bem melhor sair de perto 
Já que tudo deu errado 
Cada qual vai pro seu lado 
Ela quem quis separar
Lhe restou só lamentar 
Ela sempre  encontra alguém 
Ele não quer   mais ninguém 
Ela se esbalda no forró
Ele fica sempre só 
Domingo  marca bingo 
Ela na praia mais o gringo 
Ele enterte na  cachaça 
Ela de love com uma loiraça 
Seu  streaming rola Sting 
Mas ela é fã de swing
Ele sempre se dá mal 
Ela forma até trisal 
Ele não aceita não 
Ela faz dupla penetração.
Bebeu demais, caiu, rodou 
Ela gravando pornô
Desgamou, desgamou
Tchau, tchau, tchau 
Tchau para o amor 

MESTRE NILO AMARO E OS ESQUECIDOS CANTORES DE ÉBANO.

ANJOS QUE CANTAM- Um disco seminal 

Moisés Cardoso Neves adotava o nome artístico de Nilo Amaro era Maestro de Arranjo e Regência autodidata que fazia música negra religiosa  mas experimentava peças do cancioneiro nacional e os "spirituals:, música religiosa americana. Nilo era Tenor e formou um  coro de 9 vozes negras femininas e masculinas:  um soprano, um mezzo soprano, um contralto, dois baixos, um tenor e três barítonos. Gravaram 2 LP's pela Odeon em 61 e 63, fizeram vários shows pelo Brasil e no exterior. Douglas Júnior contava que nos EUA o empresário sumiu com a grana e eles só voltaram ao Brasil com ajuda da Embaixada. 

Amaro foi o primeiro a trazer pra nossa música os "spirituals", que eram os cantos dos negros escravizados no Sul dos EUA. Estas cantigas  evocavam a  religiosidade,os costumes  tradicionais ou davam a letra de revoltas  e rotas de fuga, os spirituals foram super importantes para a preservação da cultura e da identidade do povo negro na América do Norte. Toda black music veio daí: gospel,  jazz, soul, blues, R&B, Be Bob…

Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano em referência a árvore  nobre, densa e escura africana. Eles  foram inovadores misturando o  jazz e a música brasileira tradicional ou moderna. 

Lançaram três compactos, em 78 rotações, um pela Dó Ré Mi e dois  Odeon, no terceiro "A Noiva" e "Greenfields", e "Leva Eu Sodade", fizeram sucesso que possibilitou gravar este L, Anjos Que Cantam, um disco fundamental pra história da música brasileira e, mais ainda, da música negra neste país 

 Após o término do grupo Nilo Amaro se virou dando aulas de canto (Jair Rodrigues e Wando estudaram com ele) e formando corais até que em 2004 veio a falecer aos 76 anos em Goiânia onde residia desde 1998.

Douglas Junior, radialista  que morreu em 2010 aos 74 anos, Darci Gonçalves era cantor evangélico e foi o único a comparecer ao enterro do Mestre onde declarou que além de Noriel, uma das vozes femininas também falecera . Noriel, com extensão  vocal de baixo profundo ,  a voz de mais destaque no grupo, morreu ainda jovem aos 38 anos em 1975;  seu disco Eis o Homem, lançado em 1969  vendeu 200 mil cópias. Outro integrante do grupo foi Noel, que formou o Trio Melodia ao lado de Fredson e Nilton, trio muito popular entre 63/73. Meu conterrâneo Jacobina, compositor de algumas músicas gravadas oelo grupo como Uirapuru (com Murilo Latini) tem uns 20 anos que voltou pra terrinha s, pelo que sei, inda tá vivo pra testemunhar.

Nada mais pude apurar sobre estes negros pioneiros da nossa música e me sinto envergonhado pela memória deles; suas histórias eram pra serem conhecidas, seus feitos glorificados, cantados e ensinados como exemplo da altivez da música negra brasileira. 

ANJOS QUE CANTAM é o primeiro dos 2 discos lançados pelo grupo é pelo contexto um disco seminal. Quando lançado não havia nada igual na música brasileira  


01. Leva Eu Sodade (Tito Neto & Alventino Cavalcante)

02. Boa-Noite (Francisco J. Silva & Isa M. Da Silva)

03. Fiz a Cama na Varanda (Dilu Mello & Ovidio Chaves)

04. Canção de Ninar Meu Bem (Bidu Reis & Gracindo Junior)

05. Down By The Riverside (Dazz Jordan)

06. Greenfields (Terry Gilkson, Richard Deher, Frank Miller & Romeo Nunes)

07. A Lenda do Abaeté (Dorival Caymmi)

08. Azulão (Jayme Ovalle & Manuel Bandeira)

09. Eu e Você (Roberto Muniz & Jairo Aguiar)

10. Minha Graúna (Tito Neto & Avarese)

11. Dorinha (Tito Neto & Ary Monteiro)

12. A Noiva (La Novia) (Joaquim Prieto & Fred Jorge)

13. Uirapuru [Bonus] (Murillo Latini & Jacobina)

SUJEITO HISTÓRICO

Tenho pensado na vida
Sem compromisso com nada
Olhando pela janela 
Pensando em cair na estrada 
Pronto pra caminhada 
Voltar por onde passei
Descobrir o que não conheço 
O que vivi eu já sei 
Me servirá de começo 
Tesouros não encontrarei 
Não buscarei por riqueza
Não parto em busca de glória 
Do futuro não tenho certeza 
Sou  parte da história 

O QUE SERÁ DE NÓS

Em qualquer dia
Solteiros na pista
Soltos na buraqueira 
Sem eira nem beira 
Com a sua anuência 
Sendo da sua querência 
Embora já seje da minha preferência 
Os 2 de bobeira 
Danasse a se beijar 
Cansados de estarmos sós
Depois da festa partir 
Algum lugar pra ficar 
Um ao outro se entregar
Num tesão navegar
Juntinhos vamos dormir 
E só depois decidir 
O que será de nós 

SONHO COLORIDO

A  janela fica aberta 
O pé de manga abana o vento 
Que sopra em cima da cama 
Embaixo da janela 
Só faltava quem tá no meu sonho
Ao meu lado dormindo nela
Eu me transformaria em brisa 
Ao mar num barco à vela 
O vento que vem das monções 
Percorreno os pelos dela
Em delírio eu pinto
A palavra mais bela
Balbucio seu nome 
A mais colorida tela

MINA DANÇADEIRA

Moça dancadeira 
Desimpedida e solteira
Quando entra no samba 
É  covardia 
É como sonhar acordado
Até raiar o dia

No tempo dos antigo 
Os mais velho condenava 
Era muita ousadia 
As mais nova iscutava 
Mas o conselho não seguia 
Entrava por uma zoreia 
Na mesma  hora pela ota saía 
Era o barulho do batuque 
Por quem desobedecia
Pela sua silhueta 
Esse toque  se  cadencia 
Conheço muita mina formosa 
Mas que nem você não conhecia 
Até mesmo pensava 
Que a mulher da minha vida
Jamais existiria 
Mas eis que era você  
Que nos meus sonhos  aparecia 
Agora pode ser real
O que era fantasia 
És  a tentação 
Que meu coração 
Jamais resistiria  

Moça dancadeira 
Desimpedida e solteira
Quando entra no samba 
É  covardia 
É como sonhar acordado
Até raiar o dia

    

SEGUNDA OPÇÃO

Pronunciaste que vai me abandonar 

Sente-se  ainda  comigo 

Tanto que eu me dedico 

Indignado fico 

Contigo 

Dói ouvir você me chamar de simplesmente de amigo.

Mas se queres ir,

Vá!

Se pra ti  nesse momento 

É tudo que importa

Estou ciente

Que mais dia menos dia

Retornarás por aquela porta Estará sempre  aberta 

Pois é a estrada certa 

Se der errado a tua caminhada 

A cama ficará sempre  arrumada

Terás sempre seu lugar

E se por acaso,

Saibas coração, 

Se acaso  outra estiver, temporariamente,    

Enquanto estiveres fora,

Com meu corpo e  o meu tesão 

Na hora 

Peço que vá embora 

Avisada estará de antemão 

Que por mais que diga que me adora

Será sempre......

...... a segunda opçãoooooo

http://prosiado.blogspot.com/2023/04/segunda-opcao.html

VALEU TONHÃO

Quando morre um sambador 
O batuque  não se acaba
Nem emudece a dor 
A chula é homenagem 
Da batida do tambor 
Reconhecendo a história 
Do valoroso lutador 
Valeu Tonhão, valeu Tonhão !
Você sempre será lembrado 
Na nossa recordação.
Essa chula é redigida
E vai ficar de decreto
Da saudade que deixou 
Antonio Aniceto.
Seu amigo muito  sente 
Valeu Tonhão 
Estarás sempre presente!

FIM DA JORNADA

Pensamento esvai-se feito fumaça  A palavra destilada na cachaça  A doenceira cruel e fulminante  Sorrateira, que tudo varre  num instante  ...