MANÉ GOSTOSO

Onde se fragmenta a matéria 
Um  cérebro em estado de miséria 
Gerado artificialmente 
Para substituir a mente 
Primeiro tritura
Em forma de serial 
Na parte obscura 
Da zona abissal
Um chip gerencial 
De conteúdo banal
Pra reprogramação mental 
Com boleto mensal 
Pré-artificial foi a mente 
Que te fez artificioso 
Dançando no cordão 
Feito mané gostoso

FARINHA AO VENTO

Futuca a tuia maninha 
pega na  cuia 
Um bucadim de farinha 
com a mesma mão que dibuia
enche a palma todinha 
fechano tipo conchinha 
joga na boca a crueira
antes do gosto, a poeira
o pó no ridimuinho  some
baiano xinga uns nome 
certo desgosto consome 
sem farinha não se come 
pra soprar mamona não tem
na hora da bóia vem 
agosto venta demais 
farofeiro passa fome 
não pode papá em paz 
pois todo punhado que faz
é passível que o vento tome 

VAQUEIRO FAKE

Canta piseiro 
Conta dinheiro 
Guardando no miaeiro
Tira onda de vaqueiro 
vaqueiro fake que não sabe aboiar 
monta cavalo, tira selfie 
Sem sair do lugar 
Vaca nenhuma  sabe ordenhar 
Banho no berobo também   num sabe dar
Uma cia nunca soube arrochar
Pega de boi a coragem nunca dá
Pois no espinho tem medo de se furar 
Usar os couros a cútis vai estragar 
Quebra a zunha que acabou de pintar 
Seu tênis caro o quiabento  pode atravessar  
Nunca viu uma sela Curaçá
Sem ter controle égua vai rifuná
Se de um lado o rabo do boi tem que pegar 
Do outro lado é quem tem de derrubar
No streaming é o primeiro a faturar 
Nem  Gozação fdp  soube respeitar 
Não tem limite seu sadismo em aviltar 
Descaração vem em primeiro lugar
vive bebendo pra dizer que é  alegria 
Não tem raiz essa sua melodia 
trilha sonora baseada em putaria 
Desfaçatez se mistura com agonia 
Não  é forró , o seu som é  porcaria.

CANAVIAL, FÁBRICA, CAPITAL

A fabrica é o canavial moderno 
uns de uniformes 
outro de temo
pensam que o  capital seja eterno 
não se pode mudar 
mundo moderno 
fazendo de conta 
que é possível se colocar 
basta tá focado 
dar de conta 
basta estar preparado 
acreditar e ser capaz 
cavalo passa selado 
acredita, futuro  traz
basta parar
de problematizar 
de achar ser culpa 
do capital 
de tu ter sido gerado 
como mais um escravo 
do sistema no canavial 
tem que produzir!
tem que produzir!
servir!
servir! 
servir!
por qualquer motivo fútil 
basta estar sendo útil
produzindo!
servindo!
pra existirem senhores 
existe sempre o motivo 
vidas viram penhores 
lares viram horrores 
não me considero cativo 
por outros motivos eu vivo
vivo mal, muito mal
passo nicissidade  
pra todos exemplifico
um número na sociedade 
em quanto quantifico
pra quem faz  a realidade 
cadastro gera cartão 
espertos usam macetes 
O sufrágio faz o cidadão
estando no luxo dos palacetes 
ou, mesmo, que more  na rua 
iluminado pela luz da lua 
A riqueza ou a pobreza
vendem tudo por  beleza
a posse material 
e a vida continua 
canavial, fábrica, capital 
ô sinhô, ô sinhá 
vão  se lascá!!



PRIZUNHA

Prizunha 
Prende no dente
Corta na unha 

Gata manhosa 
Matreiro olhar
Já me pegou
Vai me zunhar
Vai me lamber 
Vai me arranhar 
Vai me morder 
Vai me cortar 
Vai me provar 
Vai me satisfazer
Vai me untar 
Vai me comer 

Gata no cio 
Ranca meu pelo 
Tenho arrepio
É  desmantelo
eu sou vadio 

NOS 20 PÉS DO MARTELO ALAGOANO

Pra você que cativou meu coração 

Mando uns versos pra que nunca esqueça 

Caso você apareça 

Fique de recordação

O relato da minha paixão 

Estarei lhe esperano 

Continuo lhe amano 

Volte quando quiser

Pois você é  a mulher 

Com quem vivo sonhano 

Dia e noite, noite e dia  

Tanto faz dormino ou acordado 

Em você vivo ligado 

Você é  minha alegria

Em minha fantasia 

Você sempre tá presente 

Alumia meu repente 

Entre nós o oceano

Mas tá sempre no meu plano 

Ganhar dinheiro e juntar 

Pra atravessar o mar 

Nos 20 pés do Martelo Alagoano

Carimbolada

carimbolada na Quebrada 
Eu  boto fé 
lá pelas tantas 
muito doidos de rapé
preparado na Floresta 
por sábio Pajé 
chamei a mina
pra bater um acarajé 
meti o queixo
pra ver qual que é
se rolar intimidade 
pedirei um cafuné 
no colo dela
à sombra do sapé
caminho antigo 
Pra Jequié 
pelo Rio das Contas  
Chega  Itacaré

EM TURVAS

Faço planos em vão 
Sonho perdido
Mera ilusão 
Indefinido
em turvas navega 
a minha canoa 
a procura é cega 
remo à toa  
Vou me perder 
Enquanto espero 
Nada posso fazer 
Se é você que quero

ELA VAI VOLTAR

Hoje ela voltou pra casa 
Mas não foi pra ficar
A bem da verdade 
veio matar sua sede 
A nossa vontade
A minha saudade 
veio se deitar na rede 
E pra gente se amar .
Eu já nem peço mais 
que ela não vá 
pois eu sei que ela  vai 
sofro por demais 
pois de mim ela não sai
Dentro de mim sobrevive
Faz acreditar  
foi um sonho que tive 
Ela vai voltar 

POR QUEM NÃO MERECE

Sonha e não acontece
Um bobo  padece
Sofre por quem não merece 
Êta coração besta
Lembra de quem lhe esquece 
Espera quem  não aparece
Vive do que  adoece
Nada lhe oferece
Razão que enlouquece  
Espera quem não comparece 
Saudade chega e o enfurece
Cega e lhe entorpece
Riso por quem entristece 
Chama por quem emudece
Calma que lhe endoidece
Força que lhe esmorece 
Preferência que não favorece 
Esforço que não se reconhece 
Eu mando ele não obedece 
Tento e ainda permanece 
Sonho que não acontece 
Um bobo  padece
Sofre por quem não merece 
Êta coração besta
Lembra de quem lhe esquece 

CACHORRA QUE NUM SE PODE CRIAR PERTO DE GALINHA

Cheguei na casa de Mamis  e resolvi testar o instinto selvagem de Groovina, a cachorra mãe  de Vinagretchen e Colorau.  Botei coleira e corrente, coisas que ela não via há tempos;  logo na primeira esquina um pitbull solto  e Grovinésia partiu pra cima tentando me puxar. Inda bem que o bicho era bem criado, cavalheiro e manso; quando o dono saiu na porta da garagem e botou o cortês cão pra dentro de casa eu o elogio pela criação de cachorro tão distinto.
Partimos em direção á caatinga numa capoeira de subida de um morro e soltei a coleira a cachorra pegou uma boca de vereda e subiu distampada morro a cima mas eu não fui atrás, fiquei observando as coisas numa sombra de fazer lombra. Lá pras tanta dos seus 15 minutos ela chegou e voltou correndo, levantou uma nambuvis:
-prúuuuuuuuuuuu.
Feita a verificação e posso certificar o que eu já dizia: raça de instinto perdigueiro. 
Na volta partiram 3 cachorros pra cima dela e aí eu tive que enfrentá-los  pondo -os a correr com um cipó de malva

SONORA COMPLIANCE

Bala brochante
Tocando nesse instante 
Papo cabeça 
Música na novela 
Pra subverter a favela 
Meio sem pé nem cabeça 
O que quer que aconteça 
O que quer que você pense 
A mpb sempre vence
Se liga no estilo 
Do tempo do bicho grilo
Grilo na cuca
Armada a arapuca 
Usa o verbo, indefecto
Impressiona o freguês 
Coisas do intelecto
Charme de pequeno burguês.
Louvar mecenas pode
Falar putaria dá bode
Sem chance
São regras da compliance 



SHANGRI-LÁ, O Horizonte Perdido

É  cunversa de cumpadi 
Num leve pra maldade 
Pura amizade 
Tipo Tarcísio e Haddad 
Lulominion pira
Com ciúmes de Lira
Pega o beco
Tudo jogador caro 
Excluiram coisonaro
Articula com Pacheco
Libera verba pro centrão 
Faz a plateia de otária
Na reforma tributária 
Um ajuda outro ajeita
Uma verba lava a mão 
Da esquerda 
Da direita 
Joga no centro, joga de meia 
Em nome da constituição 
E do delegado Sansão
Posso até ir pra cadeia.

TENTA NOVĪÃ

A novīã tá dizeno 
Besteira porque é  nova 
Diz que o vein 
Tá de pé-na-cova 
Que vai pegar o coitado 
Vai dar uma sova
Tenta novīã, tenta novīã
Eu quero é prova 
É  bom duvidar 
Pensar que é  mole e me dar
Só assim tu comprova 
Vou te dar canseira
Oral logo de primeira 
Passeio pela traseira
E ainda faço trova 


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