CANTO DE IMPROVISO

Esperando eu estava  
Alguém já estando no meu pensamento  
De sorriso aberto eu imaginava   
Ensaiava o jeito esperando o momento    
Chega logo caminhão    
Me espera meu bem querer  
Dispara meu coração
Tenho sonhado com quem quero ver
 
O nome dela é bonito
Tá no caderno escrito
Pra ver se ela acredita
Seu cabelo é vermelho
Está sempre bonita
Nem precisa espelho
Canto de improviso
Tenho mais que preciso
Já me basta o apreço
Nem sei se mereço
Tô pro que der ou vier
Onde ela quiser
Será nosso endereço

CUMBIA DO NORTE

Quibe não faz mais na pastelaria

Aquela casa agora é uma selaria 

Na arte do couro do Mestre Prizia

A saudade mata, não tem garantia

Tiro meu sustento lá na olaria

 

Amassar o barro esse é o meu forte

Sábado de manhã no Beco da Morte 

Todos vão tentar seja azar ou sorte.

Cachaça na mente é meio de transporte

Trago esse brado da cumbia do norte

 

Tudo é ilusão, muita alegoria

Encare de frente, tire a fantasia

Enfrentar o medo, abaixo a tirania

Fazer diferente o raiar do dia

Derrubar o reino vil da burguesia

BATICUM DAS DORES

Pegar cedo no batente
Debaixo do sol quente
A cacimba vazia
A fome ao nascer do dia
Sem piedade batia
A riqueza pros senhores
Na boca amargos sabores
Ilusões expostas em cores
No engenho da engrenagem
A opacidade da imagem
No circo dos horrores
O sertão retratado
Na tela do couro espichado
Matéria-prima dos tambores
No baticum das dores

CANTO DE IMPROVISO

Esperando eu estava   Alguém já estando no meu pensamento    De sorriso aberto eu imaginava     Ensaiava o jeito esperando o momento      ...