SONS E CANTOS DO MARANHÃO

 Tava aqui ouvindo uns Tambor de Crioula e, dei uma passadinha em Bandeira de Aço, fui vendo outras coisas e, como apreciador dos sons que se faz no Maranhão derna de quando eu era garoto, resolvi fazer uma listinha de discos que eu gosto e que foram feitos por pessoas de lá. Resolvi colocar somente 1 disco por artista, exceção de Baião de dois que é um Duo.
Bom, aí vai o rol de 30  discos da cena maranhense que fizeram a minha cabeça em ordem aleatória, só Bandeira de Aço está no seu lugar de classificação e de conhecimento, foi o primeiro de todos que escutei e, esse disco, até no próprio texto de apresentação escrito por Marcus Pereira, é um chamado a se conhecer a música maranhense, pois o disco é um apanhado de compositores diversos; isso me atraiu para que procurasse conhecer o som daquelas paragens.

 

1. Bandeira De Aço - Papete



2. Lances De Agora - Chico Maranhão



3. Cine Tropical – Criolina


4. Rumo Norte – Irene Portela



5. Sarará – Erasmo Dibel



6. Ilha Magnética – César Nascimento



7. Baião De Dois Carlinhos Veloz E César Nascimento



8. Bumba Meu Boi De Pindaré, 1973



9. O Som E O Balanço – Nonato E Seu Conjunto



10. Shopping Brasil – César Teixeira



11. Balaio – T,A, Calibre I



12. Cláudio Lima, Cláudio Lima

13. Eu, Você E A Cidade – Nicéas Dumont



14. Regueiros Guerreiros – Tribo De Jah



15. A Peste Negra Do Nordeste – Clã Nordestino



16. Tambor De Crioula Do Mestre Felipe



17. O Poeta Do Povo - João Do Vale



18. Tecnomacumba – Rita Ribeiro



19. O Cantor Apaixonado Do Povão – Adelino Nascimento



20. Engenho De Flores – Josias Sobrinho



21. Batalhão de Rosas – Lena Machado




22. As Aspas Serão Explicadas Adiante – Catarina Mina

23. Cacuriá De Dona Teté (1988)






24. Emaranhado - Chico Saldanha



25. Sotaque De Orquestra – Beto Pereira



26. Abraçando Você – Raimundo Soldado



27. Lado Errado Da Estrada – Altas Doses



28. Tambor de Mina na Virada para Mata - Casa Fanti Ashanti



29. Brincos – Rosa Reis



30. Fenda Dos Desesperados- Antídotos Sociológicos


(Larauê Tuim)

 

TOBARRA SEM FILTRO

     
         A inquietude de Tobarra nos brinda com essa leitura sonora condizente com os tempos em que vivemos. Um trabalho denso,coerente, um grito de insatisfação com a realidade ao qual, sem hesitar faço coro, descontente que, também estou. Sem filtro, pois, sem máscara é que se desnuda o que jamais deve ser ocultado. Seu Álbum lançado ontem, não fica no meio termo, sem essa de estar em cima de um muro olhando o circo pegar fogo, é a opinião de quem está no front.
     Guerras, ideologias, pandemias, economia, governos, senso comum, opinião pública, redes sociais e os conflitos e indagações internas que habitam dentro de cada um. Há os que preferem se iludir, se esconder ou, até, acreditar no que lhe vendem como imponderável, Daniel não se esconde, toma posição explicita em qual  lado da trincheira ele se coloca e não se esconde, usa as armas que tem ao seu alcance.  Perfila-se junto aos que se revoltam e expele sua consciência através do  ofício musical, um artista corajoso.  Escutar esse trampo é dar voz aos descontentes, ecoar a insubmissão.
Como dizia o Véi Godenço, meu avô,  a verdade não permite arrodeios e nestes tempos nebulosos em que o sistema tem e usa mil artifícios e aliados para filtrar nosso pensamento, SEM FILTRO  vai direto, na titela do quengo.
Sei que, antes de tudo, é um trabalho de teimosia pois, pra falar e cantar desse jeito, não há incentivos fiscais, que dirá patrocínios, não vai tocar na grande mídia. É na cara, na coragem, no peito e no talento. Foi uma luta homérica, com poucos aliados, mas os percalços foram vencidos. Daniel Tobarra venceu a parte mais difícil dessa batalha para colocar sua música disponível, deixando-nos disponível o seu canto de luta pra que escutemos.
Recomendo, e muito que recomendo que escutem.
Música boa em tempos tenebrosos.

O PRINCÍPIO DO CONCEITO ( breve comentário sobre A REPÚBLICA LIVRO 1 )

"DESCI ONTEM AO PIREU"


A República ( diálogo político) mesmo em Platão abrangia todas as outras questões e o longo discurso trata de vários temas que se misturam, embora seja muito divulgado que trate principalmente sobre educação. São 10 livros que tem Sócrates como o principal interlocutor das idéias do autor e seu diálogo com Céfalus discute sobre a felicidade, daí o enigma: ganhar dinheiro faz a vida boa ou a justiça é a finalidade da vida e precede o dinheiro.O fio condutor de toda a República nasce daí, o que é justiça e o definir o que lá seja isso apresenta inúmeras dificuldades; Cefálus diz que justo é dar a cada um o que o pertence; Sócrates retruca e O rico comerciante retira-se da discussão e passa pro herdeiro Polimarco que diz que justiça é fazer bem aos amigos e mal aos inimigos, o Mestre retruca,prejudicar é incompatível com a idéia de justiça.
Depois vem Trasímaco, irritadinho, um sofista e dia que a justiça é a conveniência do mais forte, não se relaciona com bem ou mal e sim com a conveniência do mais forte, mestre Pondera e Trasímaco acrescenta que a máxima injustiça é ser injusto e parecer justo.
Bom, são 10 livros e faz tempo que li.



UMA VALSA FÚNEBRE

Seu nome de batistério e registro, era José Gomes, tinha 59 anos.
O conheci há mais de 40 anos, eu devia ter uns 7, 8 anos e já andava pela tuas ruas de Miguel Calmon vendendo,  primeiro, bolo e depois geladinho. Depois fui pra feira, vender carne de sol e ele, sempre vendendo acarajé numa lata de querosene cortada em transversal, tipo uma gamela. os acarajés vinham pronto e, geralmente somente sal, tomate cortado e pimenta eram os acompanhamentos.
Voltei pra Jacobina com 11 anos e sempre o encontrava pela feira; vendendo acarajé ou tocando pífano ( hoje num me lembro se era a flauta ou se ele era ritmista, na zabumba). Nos conhecíamos. Fui pro trecho e, quando de retorno à terrinha por vezes o encontrava.; eu puxava o diálogo e, ele sempre me reconheceu. 
Na última vez foi em setembro de 2018, na feira do mercado, em jacobina, numa quinta-feira; ele vendia utilidades para celulares, eu perguntei pelo acarajé, ele disse que não compensava não.
Soube que ano passado ele tinha se perdido numa viagem à Lapa e, certo dia de manhã, vi a notícia da sua morte, morte cruel, apedrejado por um casal que o tinha feito bullyng
UMA VALSA FÚNEBRE

Marcha sonora tardia
D'uma flauta que assovia
Pela boca que transformava em alegria
As tristezas que na sua vida trazia
E eu, que, raramente, o via
Revoltado com tamanha covardia
Com uma figura que mal não fazia
Com a tristeza me torturando nesse dia
Angustiado pelo amigo que partia



MARIQUINHA ERA DAS ÁGUAS

Mariquinha era como se fosse mãe da minha mãe, pois a tomou nos braços com 8 dias de nascida. Minha vó Maria não podia criá-la, entregou pra Mariquinha que, sabendo do desejo da sua amiga Almerinda (Dona Nega) em adotar uma criança, entregou a pequena Guinha pra Nega,  que  registrou e criou a professora Isabel para o mundo.
Então, Mariquinha era como se fosse minha vó e, da parte materna,  tive, praticamente,  4 avós, pois Don'ermina, mãe de Almerinda e que seria minha bisavó, era, efetivamente, quem eu cresci chamando de vó.
Mariquinha, de descendência indígena, era dos Encantados e, quando tava com raiva, ficava igual a cascavel na rodilha, nem comia nem bebia por vários dias seguidos. Estando em transe recebia Iemanjá, a entidade da cor azulada; uma vez incorporada, mandava recados pra Mariquinha e, eu menino, acompanhava aquilo com bastante interesse. Como podia, Mariquinha mandar recado pra própria Mariquinha? E, dessa indagação, comecei a entender os paranauês das coisas religiosas do meu povo e  aquilo, me encantava. Ela, certa vez me disse que eu era da Mata e ela era das águas.
A Entidade, através da boca de Mariquinha desabafava as dores de Mariquinha, ameaçava seus detratores, mandava conselhos pra Mariquinha, elogiava as qualidades dela e  soltava uns sons guturais, que ninguém entendia; hoje, percebo que era uma língua usada pelo povo escravizado, talvez o yorubá.  O transe ia aumentando; mais coisas iam saindo da voz empostada e ela girava;  o povo de casa ficava assuntando e, ao mesmo tempo, assustado e começava a ficar nervoso e preocupado. Até que uma das Nagôs presentes, dava a senha esoltava o prefixo:
-Traz a alfazema!
Destampado o o frasco, esfregavam o perfume no nariz de Mariquinha que aos poucos ia voltando a si. Desperta, agia como não lembrasse nada do ocorrido; meia zonza, nas fraquezas era colocada para descansar.
O Assunto morria ali, ninguém comentava mais nada sobre o acontecido; era uma atitude de respeito.
E respeito se dava, para respeito merecer de volta.

JORNAL BLUES ( Canção de Leve Escárnio e Maldizer)


Nesta terra de doutores, magníficos reitores, leva-se a sério a comédia!
A musa-pomba do Espírito Santo - e não o bem comum! - Inspira o bispo e o Governante.
Velhos católicos, políticos jovens, senhoras de idade média,
- sem pecado abaixo do Equador - fazem falta e inveja ao inferno de Dante.
Tão comum e tirar-se daqui qualquer coisa que eu também tiraria o chapéu a vontade.
Aos cidadãos respeitáveis, donos de nossas vidas, pais e patrões do país.
Mas em vez tiro o lenço... Não para enxugar, portuguesmente, a saudade...
Mas pra saudar num Ciao! Quem me expulsa de casa! Dar um "viva,
excelência!" E tapar o nariz!
Não, não quero contar vantagem mas já passei fome com muita elegância.
E uns caras estranhos - ordens superiores! Já invadiram minha casa... Mas com muito respeito!
Diabo de profissão! Ganhar com o suor de meu gosto o bendito pão e o gim das crianças!
Noblesse oblige! Eu talvez seja o cara que você ama odiar, inimigo do peito!
Cá em casa quem morre se torna querido, tido e havido por justo e inocente.
Mas pode ir tirando o cavalo da chuva que eu não vou nessa de morrer só para agradar vocês.
Aluno mal comportado, pela regra da escola, devo ser reprovado... sumariamente
Mas não faz mal. Deixo os louros ao poeta! Lauras e o que me importa! Quero
o meu dinheiro no fim do mês!
Mas que poeta idiota! Canções tão tocantes dão sempre uma nota raramente vulgar!
Atentado à Moral e aos Bons Costumes, lapido diamantes, não falsos brilhantes.
Kitsch elegante que te mente elegantemente! Oh! Abre alas que eu quero passar!
There's no business like soul business! There's no Political solution, meus caros estudantes!
Tá todo mundo comido, lavado, passado, bronzeado... Ora, muito obrigado!
Só eu não venço na vida, não ganho dinheiro, não pego mulheres, não faço sucesso!
O velho blues me diz que, ateu como eu, devo manter os modos e o estilo... Réu confesso!
Eles vão para a glória sem passar pela cama... Ou jesus não me ama ou não
entendo nada do riscado!
Não toques esse disco! Não me beijes, por favor!
Meu professor de filosofia me dizia que eu viveria sempre adolescente
Hoje, qualquer mulher, assim que me abandona, já me tem por durão, mesmo sabendo que mente.
Desculpem! Infelizmente não sou à prova de som nem de amor... de amor...
de amor... de amor... de amor... de amor... de amor... de amor... de amor
                                                                     
Compositores: BELCHIOR / TÉTI GRACO


Adjetivos na Língua Yorubá



Em Yoruba os adjetivos sempre são escritos após o substantivos.

Os adjetivos não fexionam em gênero e número, quer dizer, não possuim masculino/feminino e singular/plural.

É preciso atenção pois muitas vezes uma palavra que parece um adjetivo, na verdade é um verbo:

- Ëwà = beleza

- Lïwà = ser bonito [Ó lïwà = Ela é bonita]

- tóbi = grande

- Ó tóbi = Isto é grande

- Ölärun tóbi läba = Ölärun é grande em realeza

As vezes é usado rí [parecer]:

- Ó rí róbótó = Isto é [parece, tem a aparência de] redondo

Às vezes o adjetivos, contrariando a regra, aparecem antes do substantivo, no caso dos comparativos:

- Róbótó = redondo

- Róbótó lòxùpa bíi oòrùn = A Lua é redonda como o Sol.

ADJETIVOS

Titun, tuntun = novo
- oun titun = coisa nova
- ewé tuntun = folha nova

Tútù =  frio, fresco, úmido
        - omitútù = água fria; água fresca *
        - igi tútù = madeira úmida

* os Yoruba escrevem assim mesmo, juntos omi+tútù. É um costume deles.

Kékéré = pequeno
        - ajá kékéré = um cachorro pequeno; cachorro pequeno

Muitas vezes vemos o uso de kéré como pequeno, porém esta é a forma verbal: ser pequeno.

- Ëni tó kéré tó le = Pessoa pequena e forte
[Pessoa que (ela) é pequena (e) que (ela) é forte]
[tó = ti ó = que ela]

- Öwôn = caro [de preço alto], caro [de alto apreço], querido, prezado

        - Ôwön läôwön = caro, de preço alto

        - Ôrïêmi ôwön = meu caro/prezado/querido amigo

- arëwà = bonito [usado para pessoas]

        - obìnrin arëwà = uma bonita mulher; mulher bonita

- ëlïwà = bonito, gracioso [usado para pessoas e coisas]

       - obìnrin ëlïwà = mulher graciosa

        - iwé ëlïwà = livro bonito; um livro bonito

- oburïwà = feio

        - ökùnrin oburïwà = homem feio; um homem feio

FIM DA JORNADA

Pensamento esvai-se feito fumaça  A palavra destilada na cachaça  A doenceira cruel e fulminante  Sorrateira, que tudo varre  num instante  ...